O físico Dalton Ellery Girão Barroso (foto), pesquisador e professor do curso de mestrado em engenharia nuclear do Instituto Militar de Engenharia (IME), foi o convidado do conselho diretor na segunda-feira, dia 27 de fevereiro, quando apresentou um panorama geral dos arsenais nucleares no mundo. Girão falou do forte retrocesso sofrido pelas áreas nuclear e aeroespacial durante os governos Collor e Fernando Henrique, quando os projetos que hoje estão sendo retomados pela Marinha – o submarino atômico brasileiro – foram completamente abandonados. “Como os programas nucleares e aeroespaciais foram descontinuados, não houve renovação de pessoal. Faltou uma decisão de governo pela construção de programas sólidos nessas áreas que são pilares básicos para o desenvolvimento tecnológico em diversas esferas. Nos EUA, por exemplo, para cada dólar investido para mandar o homem à lua, houve um retorno de 14 dólares, totalizando 14 trilhões de dólares. Enquanto essas áreas forem encaradas como gasto e não como investimento, não avançamos”, alertou.

Além de detalhar o poderio atômico de Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido, Índia, Coréia do Norte, Paquistão e China, Dalton fez um alerta para o Brasil: “É claro que sofreríamos pressão caso decidíssemos nos tornar uma potência atômica, mas uma nação continental, com enorme acervo de recursos naturais, precisa criar uma capacidade de dissuasão nuclear para nossa defesa”. Ainda segundo Dalton “não é necessário criar os artefatos nucleares, mas uma infraestrutura que garanta a dissuasão em algum grau”. Dalton citou o Japão como exemplo e o atraso do Brasil na questão: “na área nuclear continuamos dormindo em berço esplêndido”.

O segundo vice-presidente do Clube de Engenharia, Fernando Siqueira, lembrou da importância da segurança do país no momento crítico em que a produção de petróleo no mundo começa a declinar, o preço dos barris sobe e o Brasil começa a extrair o petróleo da faixa do pré-sal. “O pré-sal tem volume equivalente ao do Iraque e o submarino nuclear tem uma previsão para 2025 apenas. Isso é preocupante, uma vez que é evidente a riqueza magnífica a ser protegida a 400 quilômetros da nossa costa”, alertou.

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