Evento no Clube de Engenharia reuniu especialistas na área de gestão de resíduos sólidos e discutiu soluções para a questão polêmica

No ano em que o Rio de Janeiro sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20) e a Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio +20 que discutiu o meio ambiente sob uma perspectiva popular, o Clube de Engenharia debateu questão da maior importância para a sustentabilidade do planeta: o lixo. Segundo o Fórum Permanente de Desenvolvimento Estratégico do Estado, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) recolheu aproximadamente 260 mil toneladas de lixo por mês, dos quais apenas 600 toneladas foram direcionadas à reciclagem. O número representa 2% do lixo recolhido na capital fluminense.

Para entender as razões para tanto atraso do Rio em relação às diversas cidades do Brasil e do mundo e evidenciar as perdas decorrentes disso, o Clube de Engenharia realizou, no dia 16 de agosto, o evento “Coleta e reciclagem de lixo urbano: a pedra no sapato da cidade do Rio de Janeiro”. A Divisão Técnica Especializada de Engenharia Química (DTEQ) reuniu, ao lado de Francis Bogossian, na mesa, o chefe da Divisão Técnica de Engenharia do Ambiente (DEA), Ibá dos Santos; o chefe da Divisão Técnica de Engenharia Química (DTEQ), Paulo Murat; o representante da Federação das Cooperativas de Catadores de Materiais Recicláveis (Febracom), Jorge Neves de Souza; a Especialista Ambiental da Cooperativa Popular Amigos do Meio Ambiente (COPAMA), Nilza Thomaz; o Engenheiro Mecânico da Comlurb, José Penido; e o Engenheiro Civil e Sanitarista, Adacto Benedicto Ottoni.

Compromisso com o meio ambiente

É preciso reconhecer que a reciclagem depende diretamente de uma coleta seletiva eficiente e que a questão do lixo impacta nas mais diversas áreas. “A decomposição do lixo orgânico é rápida, mais eficaz, sem os materiais recicláveis e gera energia rapidamente. Ao diminuirmos a quantidade de materiais recicláveis no lixo, que são indesejáveis nos aterros sanitários, há uma redução de custos envolvendo a logística de movimentação dos resíduos e um prolongamento do tempo de vida do aterro sanitário”. Sob essa perspectiva, o presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, agradeceu a presença de todos e, em especial, do Secretário de Estado da Ciência e Tecnologia, Luiz Edmundo Horta Barbosa, especialista da área que estava assistindo ao evento. Para Francis, tendo em vista os eventos que o Brasil sediará, as questões envolvendo o lixo são urgentes.

Ibá dos Santos lembrou a intensa participação do Clube de Engenharia tanto na Cúpula dos Povos como na Rio +20 e salientou o compromisso da entidade com o meio ambiente. “O Rio de Janeiro precisa ser pioneiro no mundo em desenvolvimento sustentável, pois a cidade foi escolhida como sede desses debates”, declarou Ibá.

A fala de Jorge Neves de Souza, representante da Febracom, foi marcada por grandes críticas à Rio +20 e ao atual modelo de gestão de resíduos no Rio de Janeiro. Para ele, eventos como estes servem apenas para que os países ricos venham negociar seus créditos de carbono. Jorge Neves de Souza, que também faz parte do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), afirmou a importância das políticas públicas e das leis feitas em torno da questão. “As leis e incentivos conquistados após muita luta dos catadores fizeram com que o preconceito contra nós diminuísse, antes éramos vistos como os que se preocupam com o dinheiro que os resíduos podem gerar, agora, também nos preocupamos com educação ambiental”, disse. O catador também fez duras críticas à forma como a coleta seletiva é tratada pela prefeitura da cidade.

Mobilização necessária

Nilza Thomas ressaltou a responsabilidade dos fabricantes de produtos plásticos pelos resíduos gerados. Para ela, mesmo com a garantia da lei, é preciso fiscalizar o quanto essas empresas vem reciclando, e se está de acordo com o que é exigido. “É preciso também discutir como deve funcionar a cadeia produtiva de reciclagem, devemos mobilizar toda a sociedade para, aí sim, encontrarmos uma solução”, destacou.

A curva de extração e consumo de petróleo deu início à exposição feita por Adacto Benedicto Ottoni. Segundo ele, a tendência é a redução brusca do consumo de petróleo, que é matéria-prima do plástico. “Não que isso vá acontecer por vontade do homem, mas sim porque o petróleo vai acabar já nas próximas décadas”, explicou. O engenheiro, que também é assessor do CREA-RJ, também fez críticas ao atual modelo de gestão de resíduos sólidos. Para ele, um dos pontos fracos é que o plano não prevê usinas de compostagem do lixo úmido. “A vantagem é dispensar nos aterros sanitários apenas o lixo mais inerte, aumentando sua capacidade e evitando a necessidade de construção de novos aterros”, defendeu.

Outro ponto importante levantado pelos debatedores é o consumo desenfreado que toma conta da sociedade atual. Para José Penido, os países criam formas para aumentar o consumo e, ao mesmo tempo, se queixam da quantidade de lixo produzido. O engenheiro também questionou a forma como a coleta seletiva é gerida. “As cooperativas não têm como comprar caminhões para buscar os resíduos recicláveis nas casas das pessoas, o que dificulta muito a separação do lixo e a logística envolvida na reciclagem”, afirmou.

O evento, que foi transmitido pela WebTV, contou com intensa participação do público. O debate, com perguntas da plateia, enriqueceu ainda mais o conteúdo exibido.

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