Geologia regional e geomorfologia do Parque Nacional da Tijuca

Artigo de Benedicto Humberto Rodrigues /Museu Nacional/UFRJ e Silvia Machado (est.) Museu Nacional/UFRJ)

Geologicamente o Estado do Rio de Janeiro é representado por rochas Pré-cambrianas de embasamento cristalino. Sua formação geológica é muito antiga e compreende dois grandes ciclos orogênicos, um do Pré-Cambriano Médio, denominado Transamazônico (Era Proterozóica), o outro do Pré-Cambriano Superior a Cambriano denominado Brasiliano (Proterozóico-Paleozóico).

As elevações do município do Rio de Janeiro são representadas por um núcleo de rochas cristalinas, geralmente granito-gnáissicas, recobertas por um manto de alteração ou solo residual.

De acordo com a coluna crono-geológica do município pode-se distinguir as seguintes fases:

Pré-Cambriano

O Pré-cambriano representa o embasamento cristalino, e é constituído de variados gnaisses, migmatitos, aplitos, granitos, anfibolitos, quartzitos, dolomitos.

A rocha mais característica do Rio de Janeiro é o gnaisse lenticular ou facoidal. Sua área de ocorrência é grande e encontra-se nos morros da Pedra da Gávea, Tijuca, Andaraí e etc.

Os leptinitos e biotita-gnaisse, ocorrem na parte central da Serra da Tijuca e Serra da Carioca, onde foram divididos em 3 unidades litológicas principais; Ortognaisse/Gnaisse facoidal (GNF), encontrado nos bairros da Usina, Tijuca, e Corcovado, compondo-se de microclina-gnaisse e plagioclásio-microclina (pertita)-gnaisse e presença de granada; Biotita-gnaisses (BGN), ocupa região do Sumaré, Tijuca, Usina. Está superposta a unidade GNF e subjacente a unidade leptinito (Lep). Constitui-se de paragnaisses de coloração escura gradando a migmatitos, é rica em biotita, e pequenos cristais de plagioclásio (albita-oligoclásio), quartzo e raramente microclina, granada, cordierita e sillimanita; Leptinito (Lep), localizado na porção leste-sudeste (Morro Dona Marta), reúne gnaisses claros, compostos por quartzo, microclina e quantidades menores de biotita e granada. Ocorrem ainda na área, corpos graníticos, aplíticos e pegmatíticos, diques básicos preenchendo fraturas e brechas (Corcovado) vinculadas a planos de falha, com presença de material silicoso e óxido de ferro (FERNANDES-DA-SILVA & RODRIGUES-DA-SILVA, 1987).

Uma faixa de quartzitos expõe-se na garganta do morro Dois Irmãos, prolongando-se pelo morro do Cocrane, Vista Chinesa, Mesa do Imperador e Excelsior.

Paleozóico (Ordoviciano-Siluriano)

O Paleozóico é constituído de um predomínio de granitos, granodioritos, dioritos (quartzo-diorito, diorito e gabro), pegmatitos e aplitos. São rochas que sob a forma de intrusão, atravessam as formações pré-cambrianas constituindo bolsões que ocupam grandes áreas. O granito aflora em numerosos pontos, e podem ser encontrados nas Furnas da Tijuca, Morro do Inácio Dias, Serra da Misericórdia. No Maciço da Tijuca o granito desponta nas partes mais elevadas, expostas à erosão com camada gnáissica pouco espessa. A Pedra da Gávea, é um exemplo disto, onde aflora um cimo granítico tabular, resultado das diáclases paralelas ortogonais.

Em outras áreas, o que é denominado de granito, como o granito preto da Tijuca, nada mais é que gabro micáceo ou diorito (ABREU, 1957).

No Parque Nacional da Tijuca, na área do Maciço da Tijuca, encontramos os matacões, originados geralmente de granitos parcialmente intemperizados, formando grutas e cavernas. As rochas básicas, como os dioritos e gabros, apresentam menor área de abrangência e geralmente estão associados ás do granito, encontrando-se no Maciço da Tijuca. Na Floresta da Tijuca pode ser encontrado no Vale Encantado e em alguns trechos da Estrada das Furnas. É possível encontrar os pegmatitos cortando os granitos e veios aplíticos nos granitos e nos dioritos.

As rochas básicas intrusivas, apesar da pequena ocorrência, foram muito importantes geomorfologicamente na formação de vales entre as montanhas e desempenham forte papel no que tange ao fluxo hidrológico, resultando às vezes em pontos de desastres geológicos.

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