Telebras: planos e perspectivas para os próximos anos

A luta pela universalização da banda larga e do provimento de acesso público à rede foi tema de reunião com Jorge Bittar e entidades parceiras do Clube de Engenharia. Destaque para os planos de sua gestão à frente da Telebras, um dos pilares para o avanço das telecomunicações no país

Em encontro com Jorge Bittar, presidente da Telebras, realizado no Clube de Engenharia dia 12 de junho, foi abordado, com ênfase, o papel da empresa no encaminhamento de bandeiras que o Clube de Engenharia historicamente defende. Entre elas, a banda larga pública de qualidade e a disponibilização de acesso à internet em todo o território nacional. Organizado pela Divisão Técnica Especializada de Eletrônica e Tecnologia da Informação (DETI) estiveram presentes entidades parceiras dispostas a conhecer melhor objetivos, perspectivas e  planos de trabalho do recém-empossado presidente da Telebras. Entre elas, representantes do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação; Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé; Artigo 19; Instituto Telecom, além de associados do Clube de Engenharia. 

Bittar, que é associado do Clube, assume a presidência da empresa, peça-chave no avanço da democratização das comunicações no país, em momento que caracteriza como “desafiador”. Segundo informou, após passar por um período de expansão econômica e social, o Brasil entra em momento de dificuldade fiscal e precisa de um novo ciclo que deverá ser marcado pela qualidade. “É preciso avançar no projeto educacional, de qualificação e capacitação técnica para aumentar a produtividade. A universalização do acesso à internet é crucial para que esse novo ciclo se estabeleça de fato”, defendeu. 

O papel da Telebras na construção desse novo ciclo, segundo seu presidente, é o de atuar de forma complementar às operadoras no atacado e como parceira dos cerca de 4 mil pequenos provedores que disputam hoje apenas 8% do mercado, dominado pelos grandes provedores. Também como reguladora de mercado tem papel importante tendo feito reduzir os preços dos recursos no atacado em cerca de 50%. É da empresa, ainda, o papel de implementar a rede privativa de comunicação na administração pública federal, além de prover infraestrutura de rede de suporte a serviços de telecomunicações. “Na relação com os pequenos provedores e na busca dos objetivos, estamos focando no resgate, dentro da empresa, do seu caráter público, de servir à população”, explicou Bittar.

Luta desigual

Em um quadro de enfrentamento desigual, as grandes empresas de telecomunicações concorrentes estão entre as barreiras ao avanço da Telebras. Segundo Bittar, a Telebras ficou “em estado letárgico” por 12 anos e só não foi extinta porque cedeu seus quadros para a Anatel, sendo posteriormente ativada para levar a internet onde as empresas privadas não têm interesse comercial de atender. Hoje, a empresa é pequena e fazer frente às gigantes das telecomunicações que operam no Brasil é um grande desafio. 

A desburocratização e o desenvolvimento do setor comercial são, segundo Bittar, os caminhos escolhidos para fazer com que a empresa avance. “Os recursos do Tesouro desenvolveram a engenharia, mas o comercial era fraco e o retorno dos investimentos da empresa era irrisório. Um dos nossos desafios é fazer um reajuste com o novo plano comercial. A empresa tem que ter missão de governo, mas precisa se manter de pé”, explicou. 
Outra saída para a desproporcionalidade da competição tem sido uma abertura constante para parcerias. Neste sentido, a empresa vem firmando acordos de interesse mútuo. “A Visiona, empresa de cooperação entre a Telebras e a Embraer coordena o lançamento do satélite nacional em 2017 para prestar serviços de banda larga em regiões menos acessíveis e para as Forças Armadas, que será parceira na operação do satélite”, destacou o presidente. Outra parceira potencial é a Eletrobras, que pode ceder espaço para as fibras nas instalações das operadoras elétricas. Dataprev, Sepro e Correios estão entre as empresas com as quais a Telebras busca sinergia e que podem abrir negociações para que transfiram suas redes para a empresa. 

Novos horizontes

Além de colocar em órbita o satélite nacional para as comunicações das Forças Armadas, outra medida na área de segurança é a construção de um cabo submarino que ligará Fortaleza a Portugal. O objetivo é atender o tráfego de internet entre Brasil e Europa que hoje, graças à saturação do cabo existente, precisa passar pelos Estados Unidos. Os planos não são estratégicos apenas pela possibilidade de levar a internet onde ela não chega e por tornarem a troca de informações segura, mas trazem também um ponto importante para o desenvolvimento industrial do país. 

“A ideia é que a Telebras atue como fomentadora da tecnologia nacional através de seus projetos, fazendo uso da legislação vigente que privilegia a indústria nacional em nossas compras de equipamentos e sistemas”, declarou Bittar. Na área da educação e da universalização, estão nos planos da empresa a atuação como provedora final ao usuário em localidades com até 50 mil habitantes, onde as grandes operadoras não chegam, e o fornecimento de banda larga e conteúdos em escolas sem bom acesso à rede.

Entre as perguntas dos presentes o destaque foi o programa Banda Larga para Todos. Em sua primeira fase, o programa que previa levar a internet a 40 milhões de pessoas alcançou apenas 2,6 milhões novos usuários. “De fato, a meta ficou aquém do esperado, mas não houve recuo no objetivo do programa, nem do então ministro Paulo Bernardo, nem da presidenta Dilma Rousseff. A Telebras foi burocrática na relação com os pequenos provedores e, de cada 100 que nos procuravam, atendíamos apenas 10. Hoje, a cada novo ponto instalado, olhamos em um raio de 40 quilômetros em busca de clientes potenciais”, explicou. 

Com o programa Banda Larga para Todos estruturado sobre três pilares – a Telebras, os leilões reversos e a revisão dos contratos de concessão -, e 21 mil quilômetros de rede instalada, a Telebras deverá ter relevante papel no provimento de recursos físicos para a nova fase. Para isso, sua direção conta, ainda, com a participação do ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, “parceiro importante para fazer avançar o programa Banda Larga para Todos”, comemora Bittar. 

Entre os compromissos firmados na reunião estão: buscar canais para uma abertura maior à participação da sociedade civil na formulação e debates do programa Banda Larga para Todos – ainda não divulgado em seus detalhes pelo governo e sem abertura para discussão com a sociedade civil – e dar maior transparência às ações da Telebras, alimentando o site da empresa com mais dados e informações de interesse público.

 

 

 

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