Imóveis histórico-culturais e oportunidades de negócios 

 

Os diversos tipos de imóveis histórico-culturais e as variadas formas de empreendimentos que podem ser executadas nesses prédios, como hotéis, restaurantes, apartamentos, salas comerciais, espaços culturais e turísticos foram temas abordados na palestra do arquiteto e urbanista Ronaldo Foster Vidal. Importantes, ainda, foram os esclarecimentos sobre estabelecer padrões e cálculos que possam definir os valores desses imóveis e a viabilidade do empreendimento planejado em casos de aluguel e venda. Reconhecido internacionalmente, Foster Vidal é diretor adjunto do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape Nacional) e conselheiro do Instituto de Engenharia Legal (IEL/Ibape do Rio de Janeiro). 

A palestra, que aconteceu dia 26 de novembro, no Clube de Engenharia, uma verdadeira aula, reuniu precisas orientações e esclarecimentos sobre a avaliação dos imóveis pelo custo de oportunidade. Entre elas, a fundamental importância do empreendedor realizar uma boa pesquisa de negócios para não investir em um empreendimento pensado para aquele imóvel sem referências das demandas e do mercado no qual se insere.  

Questões polêmicas e casos comuns vieram à tona no intenso debate com o público presente que se seguiu à apresentação, como a dificuldade em mensurar o que pode ser imensurável. Foi relatado o caso recente de uma cobrança do Patrimônio da União para que todos os imóveis e patrimônios públicos sejam avaliados e que esta avaliação de valores seja enviada à União pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN). O exemplo citado foi do sítio Roberto Burle Marx, em Guaratiba, no Rio de Janeiro. “Ali está não só um jardim, não só uma determinada área de terreno, mas uma história de vida e o trabalho de um personagem que é hoje referência importante no mundo inteiro. Como mensurar o imensurável?”, questionou uma participante do debate

Segundo Foster existem diferentes correntes e opções de métodos na área de avaliação de imóveis histórico-culturais. A corrente dos ingleses serviu de exemplo. “Na Inglaterra temos a Velha Torre de Londres e outros imóveis de valor histórico. Os avaliadores vão lá, calculam o custo do terreno, o custo da construção, valores das obras e demais peças interiores. Com isso chegam ao resultado, sem agregar nada de valor histórico”. A engenheira e doutora portuguesa Maria dos Anjos Ramos integra outra corrente que serviu também de exemplo: “calcula diversas variáveis, como o fluxo turístico, que é um bom parâmetro e, com estatísticas, faz o cálculo do valor histórico e cultural do imóvel”.  

Foster Vidal apresentou tabelas e fórmulas e mostrou o “caminho das pedras” para avaliadores, engenheiros, arquitetos e empreendedores interessados em trabalhar com imóveis com essas características. “É importante um pré-projeto para orçar a obra, um estudo arquitetônico preliminar. Com o pré-projeto em mãos é preciso aprovar na prefeitura e no órgão cultural responsável para só então retornar ao avaliador. Mas também pode acontecer o contrário. O profissional pode não saber se aquele imóvel vai ser um hotel, um apartamento ou um imóvel tombado. Neste caso, o avaliador vai ter mais condições de ver e orientar o profissional a fazer um pré-projeto para ser apresentado à prefeitura e ao órgão cultural, para só então retornar ao avaliador e fechar o cálculo”.  

Promovido pela Divisão de Atividades Técnicas (DAT) e a Divisão Técnica de Engenharia Econômica (DEC), a realização do encontro com Ronaldo Foster Vidal contou com o apoio da Divisão Técnica de Urbanismo e Planejamento Regional (DUR), Divisão Técnica de Ciência e Tecnologia (DCTEC) e da Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas (ABEA).

Acesse aqui e assista ao evento na íntegra.

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