Com o tema "Projetos de Usinas Hidrelétricas: O exemplo de Turucuí e outras", o engenheiro civil Geraldo Magela apresentou um panorama do setor elétrico, conteúdo que integra o livro de autoria do engenheiro, com o mesmo título da palestra que aconteceu na quinta-feira (03), no Clube de Engenharia.

O professor Jorge Rios, chefe da Divisão Técnica de Recursos Naturais Renováveis (DRNR) do Clube de Engenharia, abriu o encontro abordando a importância de um bom projeto em usinas para explorar corretamente o potencial hidrelétrico brasileiro. Rios destacou a larga experiência do palestrante, com mais de 40 anos no setor.

Geraldo Magela apresentou exemplos de rompimentos em reservatórios no Brasil e no mundo, e esclareceu como um projeto adequado pode evitar acidentes e o mau funcionamento das usinas. Citou casos de projetos em usinas nas quais trabalhou, como Tucuruí, onde atuou por sete anos, com o maior vertedouro do mundo, e outras usinas com importantes reservatórios de água, como Balbina, Serra da Mesa, Serra do Peixe, e Castanhão, responsável por boa parte do abastecimento do Ceará.

No relato que fez criticou a tendência crescente de construção de usinas a fio d`âgua no país, que consistem em usinas hidrelétricas sem reservatórios, ou seja, utilizando apenas a força da vazão natural dos rios, sem a necessidade do alagamento de grandes reservatórios. Apesar dos impactos no ambiente e nas populações ribeirinhas, Magela defendeu os reservatórios.

Segundo ele,  é verdade que em Balbina mais de 2.000 quilômetros  quadrados de floresta foram submersos, “mas o quanto se deixou de usar de petróleo?” questionou. “Sobradinho tem um projeto fantástico, e manda água para Paulo Afonso (semi-árido baiano), com tomada d`água para irrigação. Nos últimos 20 anos surgiu essa visão, na minha opinião equivocada, de que todo reservatório é errado, mas temos que entender que sem infraestrutura não podemos avançar. Precisamos de reservatórios, barragens, estradas, obras que causam algum impacto", argumentou.

De acordo com Magela, um projeto de engenharia adequado reduz impactos ambientais, aumenta eficiência, e garante mais segurança em barragens de usinas hidrelétricas, com as devidas inspeções periódicas e uma boa equipe de manutenção. "Claro que a construção de uma barragem altera o equilíbrio ecológico, mas é necessária". Afirmou ainda que é preferível armazenar água e energia para os períodos de seca, "do que ligar usinas térmicas. Claro que não temos que ter apenas uma ou outra. Precisamos explorar eólica, solar, e até mesmo a térmica, mas de forma complementar à hidrelétrica, principalmente para os períodos de estiagem".

O engenheiro citou capítulo de seu livro, no qual dá ênfase ao estudo de inventário. É no inventário que se define "quantas usinas podemos ter em uma bacia hidrográfica, os usos múltiplos da água, as características hidrológicas da bacia. Com tudo isso se define um perfil do rio, sua vazão, entre outros fatores, mas é preciso ter uma hidrologia e uma cartografia de primeira linha".

Na sequência da apresentação, o participante Tadeu Morelli, questionou Magela sobre qual seria o tempo útil de uma usina hidrelétrica com reservatório e qual seria a periodicidade de inspeções de segurança. Segundo o palestrante, "nos leilões, a concessão de uso é de 30 anos, o que seria sua vida útil. Durante todo o ano a equipe de manutenção precisa monitorar a segurança semanalmente". Magela citou o leilão das usinas amortizadas, que já ultrapassaram sua vida útil, Jupiá e Ilha Solteira, "vendidas a uma companhia chinesa após o período de concessão de 50 anos. Com alguns casos raros de ruptura, as barragens hidrelétricas são mantidas bem. Em geral, o sistema elétrico cuida bem dessas usinas". Segundo o especialista, as principais causas de rompimentos são deficiências de um projeto de engenharia inadequado e equipe de operação improvisada.

O evento foi promovido pela Diretoria de Atividades Técnicas ( DAT) e Divisão Técnica de Recursos Naturais Renováveis ( DRNR), com o apoio das divisões técnicas de Engenharia do Ambiente (DEA), e de Recursos Hídricos e Saneamento (DRHS).

Acesse aqui os vídeos do evento. 

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