Geologia e geotecnia na expansão do metrô do Rio

 

A expansão da malha metroviária na cidade do Rio de Janeiro é tema de grande interesse para a sociedade, uma vez que as soluções de mobilidade urbana são essenciais para a melhoria da qualidade de vida da população. A Linha 4 do Metrô, inaugurada em 2016, traz algumas lições úteis, em especial para engenheiros interessados na área. Para apresentá-las, o Clube de Engenharia recebeu, no dia 5 de outubro, o painel “Os conceitos e aspectos geológicos-geotécnicos envolvidos nos projetos conceituais de expansão do metrô na cidade do Rio de Janeiro, a partir da experiência nas escavações da Linha 4”. Os convidados foram o geólogo Newton Carvalho, da Guidicini & Associados Consultoria em Engenharia, e o engenheiro geotécnico Rogério Cyrillo Gomes, da Geotechnia Consultoria e Projetos.

Para Newton Carvalho, o debate sobre os aspectos geológicos-geotécnicos em projetos conceituais é um passo essencial para se evitar problemas e acidentes em obras de impacto, como foi a construção da linha 4 do metrô do Rio. Um desses incidentes foi o da Rua Barão da Torre, no bairro de Ipanema, em 2014. Durante as escavações no local, ocorreu uma desagregação do solo, que se prolongou até a superfície e causou afundamento na calçada e na rua. “O problema na Rua Barão da Torre foi geológico. No projeto executivo não constava essa parte do terreno, que é de transição entre rocha e solo arenoso”, afirmou o geólogo. A discussão ganha importância ao se considerar o Plano Diretor de Transporte Urbano da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (PDTU), lançado pelo governo do Estado e que prevê expansões para o metrô da cidade até 2021.
 

Restrição às mudanças
Newton criticou alguns aspectos da Linha 4, como a mudança do projeto original, de 1998, que ligaria o Jardim Ocênico, na Barra da Tijuca, à Carioca, no Centro. “Existia um projeto executivo, totalmente pela rocha. A alternativa, que veio em 2009-2010, mudou completamente o projeto original e não tinha projeto executivo. A crítica que eu tinha na época era a cobertura muito baixa em Ipanema”, disse. O geólogo ainda mostrou os projetos que o movimento Metrô que o Rio Precisa apresentou à época, com a Linha 4 independente da Linha 1 e estação final em Alvorada, e não no Jardim Oceânico. Com a estação Gávea em dois níveis, o projeto, que foi aprovado pelo Clube de Engenharia, garantiria a expansão do metrô, inclusive a integração futura à Linha 1 circular e ligação prevista com a estação Estácio para a futura Linha 3. O projeto da Linha 1 circular propõe a ligação entre Gávea e Uruguai pelo Jardim Botânico; ao chegar no Horto, seria possível  abrir um poço para ter uma estação, e depois seriam 5 estações intermediárias.

Vantagens do espaço subterrâneo
Rogério Cyrillo Gomes afirmou que existe uma tendência ao uso do espaço subterrâneo nas cidades e, para isso, é necessário desenvolver melhores técnicas para túneis. Esse tipo de construção, além de encurtar caminhos e economizar tempo e combustível, também ajuda a reduzir poluição, acidentes, manutenção e excesso de tráfego, com boa relação de custo no médio e longo prazo. Vias elevadas, por outro lado, apesar de terem menor custo, têm impacto maior na cidade, porque exigem mais espaço para serem construídas e também a reorganização do trânsito.

O engenheiro geotécnico apresentou os principais métodos de abertura de túneis, como o pipi jacking (microtúnel), túnel imerso, vala a céu aberto (VAC, “cut and cover”), túnel “mineiro” (convencial, “NATM”) e mecanizado (TBM, conhecido como Tatuzão). A última técnica foi utilizada em escavações no metrô da Linha 4, em projeto que recebeu o Prêmio Internacional de Inovação Tecnológica da Associação Internacional de Túneis e Espaços Subterrâneos (ITA na sigla em inglês).

O painel foi promovido pela Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) e Divisão Técnica de Geotecnia (DTG) do Clube de Engenharia, com apoio da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS), Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental (ABGE-Rio) e Associação de Engenheiros Ferroviários (AENFER).

 

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