Dividir o fluxo de veículos de uma cidade de acordo com os horários geradores de maior trânsito foi a proposta do engenheiro eletricista Francisco Soares na palestra “Introdução à gestão 4D do trânsito”, no Clube de Engenharia, em 19 de janeiro. Segundo Soares, vice-presidente do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran) do Maranhão e coordenador do Observatório do Trânsito no Maranhão, introduzir o fator tempo na engenharia de tráfego pode gerar um trânsito mais seguro, mais cidadão e menos congestionado, sem grandes custos. O evento foi promovido pela Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) e pelas divisões técnicas de Ciência e Tecnologia (DCTEC) e Engenharia Econômica (DEC), com o apoio da Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas – Rio de Janeiro (ABEA-RJ) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ).

A condição básica para o engarrafamento nas grandes cidades, na visão do engenheiro, é que um elevado número de pessoas faça o mesmo trajeto ao mesmo tempo. É nesse ponto que entra a solução para o problema: muitos gestores de trânsito optam por recursos como a ampliação de faixas, construção de túneis, mergulhões e viadutos, priorização de faixas para determinados veículos, dentre outros, mas a proposta da gestão 4D passa pela inclusão do tempo na equação.

Foco no fluxo local
Caracteriza-se como gerenciamento 1D quando uma via tem dois sentidos, com duas faixas, separados apenas por uma linha central. O gerenciamento 2D também se caracteriza por uma única via com dois sentidos, devidamente separados, porém com mais faixas. Já no gerenciamento 3D utiliza-se melhor o espaço vertical: são construídos viadutos, túneis e mergulhões para desafogar o trânsito e dar mais fluidez à cidade.

O gerenciamento 4D traz uma nova proposta, unindo gerenciamento espacial com temporal. Já existem exemplos em alguns municípios, como horários em que vias mudam de sentido, faixas preferenciais para determinados períodos do dia, etc. Mas a ideia levantada por Francisco Soares é que os horários de funcionamento dos estabelecimentos, prédios públicos, escolas e outros tenham como base o fluxo de veículos local. Nesse modelo, os polos geradores de tráfego seriam divididos de forma inteligente, fracionando também o fluxo de veículos. Por exemplo, as escolas de uma determinada região iniciariam as atividades em horário diferenciado das demais, para evitar grande volume de tráfego. O mesmo seria possível com instituições públicas.

Implementação e ganhos
Entra aí o papel fundamental do Estado: o primeiro passo para fazer a gestão 4D do trânsito de um município seria o diagnóstico dos principais polos geradores de tráfego, com a contagem do fluxo de veículos nas principais vias. Em seguida, de uma modelagem para otimização do fracionamento temporal e um plano governamental de incentivos e fomentos fiscais para os estabelecimentos que aderirem à proposta. Como em todo projeto, a implementação do novo modelo teria seus resultados avaliados, incluindo os aspectos econômicos, ambientais e de saúde pública. E, se necessária, uma nova modelagem.

Para Francisco Soares, é uma solução capaz de racionalizar o uso das vias públicas. Os ganhos para a sociedade aparecem em grande escala: menos poluição, uma vez que os veículos não desperdiçam o combustível do congestionamento; melhor saúde pública, em virtude de menos estresse e menos acidentes; e melhoria da socioeconomia em geral, com menos consumo de combustível, menos tempo perdido em deslocamentos e menos custos para hospitais públicos.

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