Conselheiros e diretores visitam local onde a Marinha constrói o primeiro submarino nuclear do país. Foto: Marinha do Brasil

Conselheiros e Diretores do Clube de Engenharia, junto de representantes da Academia Nacional de Engenharia (ANE), visitaram, no dia 4 de julho, as instalações do complexo em Itaguaí, no interior do estado do Rio de Janeiro, onde a Marinha do Brasil constrói submarinos convencionais e construirá o primeiro submarino nuclear do país. Considerado um dia ímpar e extremamente rico na obtenção de informações sobre o programa ali em construção, Sebastião Soares, vice-presidente do Clube, traduziu o sentimento e o entusiasmo de todos na visita que os levou a conhecer “um projeto que aposta na tecnologia nacional e na soberania como estratégias de desenvolvimento”.

“O que vimos lá é o Brasil do futuro. Um grande país que está sendo construído e nós, brasileiros, estamos tendo participação nessa construção. Vimos engenheiros, operários, militares da Marinha, responsáveis, interessados, dedicados, dando verdadeira aula de brasilidade”, afirmou Sebastião.

Tecnologia e capacitação
O Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha (Prosub) prevê a construção de quatro submarinos convencionais e um movido à propulsão nuclear. Com parte das etapas concluídas no último ano, a expectativa é que o primeiro submarino convencional, o Riachuelo, seja lançado ao mar até o final de 2018. O submarino com propulsão nuclear está previsto para 2030, e o período até seu lançamento deve ser marcado não apenas pelo enraizamento, no Brasil, de novas tecnologias, mas também no desenvolvimento de pessoal capacitado. Trata-se de um grande e complexo projeto, que permitirá que a Marinha do Brasil proteja a chamada Amazônia Azul, suas riquezas, fauna e flora, assegurando a Soberania Nacional em todo o litoral brasileiro.

Maquete mostra como o complexo de Itaguaí deve ficar quando pronto. Foto: Marinha do Brasil

Sebastião Soares reforça que, apesar de bem-sucedido, o Prosub enfrenta desafios fiscais e financeiros para o seu mais rápido desenvolvimento, reflexo da atual crise econômica e do desmonte de empresas nacionais de engenharia e empresas estatais. Para ele, “é imprescindível que a sociedade brasileira conheça o programa e apoie a sua conclusão o mais rápido possível, bem como o investimento de recursos no desenvolvimento científico e tecnológico nacional”.

Amazônia Azul
O Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha foi criado com objetivo de promover a proteção e a Soberania Nacional na chamada Amazônia Azul, a faixa oceânica de até 4,5 milhões de quilômetros quadrados que se estende a partir da costa brasileira. A região é estratégica para a economia brasileira: 90% do petróleo é retirado do mar, e 95% do comércio exterior é realizado utilizando transporte marítimo. O nome Amazônia Azul também sugere a importância ecológica da região, com rica diversidade de fauna e flora, comparada à Amazônia terrestre.

Instalações onde um dos submarinos está sendo construído. A previsão é que o primeiro submarino convencional do Prosub, o Riachuelo, seja lançado ao mar ainda em 2018. Foto: Marinha do Brasil

Apenas cinco países do mundo detêm a tecnologia de construção de submarinos nucleares, e a Marinha atua tanto absorvendo e enraizando a tecnologia quanto na capacitação de brasileiros e geração de empregos diretos e indiretos. Diferentemente dos submarinos convencionais, os nucleares dispõem de elevada mobilidade e, assim, são fundamentais para a defesa distante em águas oceânicas (águas profundas). Com isso, a autonomia (tempo fora da base) dos submarinos com propulsão nuclear é limitada apenas pela resistência física e psicológica das tripulações e estoque de mantimentos.

O complexo de construções dos submarinos do Prosub inclui a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), inaugurada em março de 2013, além da Área Norte, com 103 mil metros quadrados, que compreende os estaleiros, e a Área Sul, onde se encontra a base naval. As instalações, que também compreenderão sede administrativa, laboratórios, centros de pesquisa e até um terminal rodoviário, estão todas localizado no município de Itaguaí.

Leia mais:

A defesa nacional brasileira: artigo sobre o Prosub escrito por Francis Bogossian, presidente da Academia Nacional de Engenharia, para o Jornal do Brasil (pág. 8)

Marinha confirma os avanços do Programa Nuclear Brasileiro: palestra do Almirante de Esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Jr., chefe da Diretoria Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha

Um marco no processo de construção do primeiro submarino do Prosub: matéria sobre a transferência do submarino “Riachuelo” (SBR-1), em janeiro deste ano, rumo à fase final de sua construção na Base Naval de Itaguaí

Programa de Desenvolvimento de Submarinos: vídeo institucional com detalhes das atividades desenvolvidas pela Marinha junto ao Prosub

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