Mobilidade urbana: um olhar para a intermodalidade

No dia 1º de agosto, o Clube de Engenharia abrigou um amplo debate sobre mobilidade  urbana no Rio de Janeiro, com foco na intermodalidade. Propostas concretas foram apresentadas, respaldadas na garantia de saltos que resultem em melhorias efetivas de qualidade de vida para a população.

No segundo encontro do “Diálogos pelo futuro do Rio de Janeiro”, organizado pelo movimento Baía Viva, o tema “O papel da intermodalidade na melhoria da mobilidade urbana
e no desenvolvimento regional” reuniu o professor Marcus Quintella, da Fundação Getúlio Vargas (FGV); Marcos Coester, CEO da Aeromóvel Brasil; Antônio Pastori, presidente da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária; Vitor Mihessen, da Casa Fluminense;
Gabriela Binatti, do Transporte Ativo;e Pedro Azambuja, presidente do Sindicato Nacional das Empresasde Administração Aeroportuária (SINEAA)

A defesa da integração de modais na Região Metropolitana marcou o encontro. Marcus Quintella, professor da FGV, sustenta que é fundamental para o cidadão carioca e fluminense hoje transitar por todos os modais de transporte com uma tarifa única e um só cartão de
acesso. A necessidade se dá em uma metrópole cuja concentração de empregos - e também opções de lazer - acontecem na capital, causando o deslocamento de aproximadamente
dois milhões de pessoas por dia, moradores de outras cidades mas que trabalham no Rio.
Dados foram apresentados por Vitor Mihessen, da Casa Fluminense, que apresentou um panorama da mobilidade na região e possibilidades de melhorias. Algumas das propostas
da Casa Fluminense passam por rever a licitação do Bilhete Único, com tarifas mais transparentes; conferir aos trens metropolitanos; a mesma qualidade do serviço do
metrô; estruturar o sistema integrado de transportes; e criar um observatório no qual todos os agentes possam dialogar para gerar soluções interessantes para os moradores. “Nós queremos falar de um Rio por inteiro”, afirmou Mihessen.

A integração ainda se faz fundamental aos que se locomovem por bicicleta, como apontou Gabriela Binatti, do movimento Transporte Ativo. Ela defendeu que a bicicleta seja vista como um sistema de transporte legítimo, objeto de políticas públicas e com soluções para integração com demais opções. “É impossível pensar a bicicleta nas grandes cidades sem pensar a intermodalidade”, afirmou. Nesse sentido, faltam no meio urbano bicicletários seguros, práticos e acessíveis, perto de outros pontos geradores de tráfego como estações
de trem e metrô.

Propostas para expansão da malha ferroviária do estado, focando em atender mais pessoas e estimular o turismo foram apresentadas por Antônio Pastori, presidente da Associação Fluminense de Preservação Ferroviária. Um dos projetos, o do trem expresso entre Saracuruna, bairro de Duque de Caxias, e o centro do Rio, beneficiaria milhares
de pessoas, que fariam o trajeto em 35 minutos. “São projetos de baixo custo com grandes benefícios para a população”, afirmou.

A mobilidade urbana na cidade afeta os aeroportos do Rio, registrou Pedro Azambuja. Na sua visão, a principal intermodalidade para os aeroportos da cidade seria com trens, principalmente os de longo percurso. Segundo ele, é um erro que os aeroportos sejam segregados da cidade, com acesso preferencialmente por carros. Azambuja defendeu
que os aeroportos precisam ser pensados numa escala metropolitana e não local.

Outro sistema citado e ainda não implementado no Rio de Janeiro é o aeromóvel, presentado por Marcos Coester, CEO da Aeromóvel Brasil, como uma espécie de trem de tecnologia nacional com propulsão pela via. Por não carregar motor, o veículo transporta mais pessoas,
otimizando seu espaço, e ainda faz uso de trilhos e rodas de aço, com baixo atrito, o que facilita seu deslocamento e aumenta a eficiência.

O aeromóvel já está presente em algumas cidades, como Porto Alegre (RS), onde passa por vias suspensas, quase sem utilizar o solo da cidade. Tem baixo custo de operação e um dos  aspectos vantajosos é sua implantação: o sistema modular é todo construído isoladamente e posteriormente montado na cidade. É considerado um veículo de média capacidade, e não polui.

O evento contou com o apoio do Clube de Engenharia e da Casa Fluminense.

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