Protagonismo jovem e defesa de princípios marcam sucesso do 2º EFEEng

Foto: Fernando Alvim

A segunda edição do Encontro Fluminense de Estudantes de Engenharia (2º EFFEng), realizada no Clube de Engenharia em 18 de agosto, foi um sucesso retumbante: mais de 500 jovens de todo o estado do Rio de Janeiro participaram do evento, o dobro do público do ano anterior, trazendo vitalidade e renovação que, aliados aos 138 anos de tradição do Clube em defender a engenharia, a democracia e a soberania do Brasil, apontam caminhos para novas conquistas futuras.

Durante todo o sábado estudantes de universidades públicas e privadas protagonizaram momentos de reflexão nos inúmeros debates sobre temas de interesse coletivo; também vivenciaram momentos emocionantes, como o coral de centenas de vozes cantando em uníssono o Hino Nacional; ou ainda de determinação, como na imagem da jovem estudante do oitavo período de engenharia civil da Universidade Estácio de Sá, Nathália Cristina do Nascimento Ferreira, amamentando, no plenário, a filha Laura de 4 meses. Tudo isso em meio à busca de oportunidades, inclusive de profissionais experientes se atualizarem em temas emergentes. “Nós vivemos uma crise. Hoje, eu só não estou desempregado porque estou empreendendo, e um engenheiro não pode parar de estudar”, disse o engenheiro eletricista Murilo Santos, formado em 1988 e pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho. “Eu tenho três filhos que estão buscando a área e eu vejo que o encontro é, de forma geral, para nós todos. Vi aqui campos que posso pesquisar e por onde posso me atualizar”, registrou Murilo, que também é sócio do Clube de Engenharia.

Diversidade de participantes e acolhimento foram iniciativas do evento deste ano. Foto: Fernando Alvim

Forças se unem em muitas direções
“Inovação e tecnologia: Engenharia como fator do desenvolvimento nacional” foi tema central do evento e da palestra de abertura de Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, ao lado dos ex-presidentes Raymundo de Oliveira e Agostinho Guerreiro. Juntos, deram as boas-vindas e enfatizaram a importância de reunir experiência e juventude na mais antiga casa de engenheiros da América Latina. A mediação coube a Tatiana Ferreira, da Comissão Organizadora.

“O Clube de Engenharia congrega engenheiros, arquitetos, agrônomos, geólogos, geógrafos e, ao longo da sua história, fixou pontos que só fazem se consolidar com o tempo”, disse Pedro Celestino, lembrando as bandeiras históricas da entidade, além de salientar o caráter progressista do Clube, que esteve ao lado dos abolicionistas e sempre defendeu o viés socialmente responsável da engenharia. “A nossa engenharia é determinante no desenvolvimento, no processo de construção do país que queremos: democrático, soberano, socialmente justo”, salientou Celestino. O valor do encontro para que estudantes e jovens profissionais façam parte da construção do Clube foi destaque nas palavras de Raymundo de Oliveira: “O mundo está mudando em uma rapidez muito grande, e quando olhamos um auditório expressivo como este, ficamos cheios de entusiasmo. O Clube precisa de vocês, e vocês precisam do Clube”, disse ele. Já Agostinho Guerreiro enfatizou a diversidade: “É com alegria que vejo aqui um percentual muito mais elevado de mulheres. Fico feliz, porque as mulheres precisam ocupar um lugar de maior destaque na engenharia. Contem conosco, porque estivemos desde muito cedo nas lutas desse país e não estamos desanimados”, comemorou o ex-presidente.

Pedro Celestino, presidente do Clube (ao microfone), e os ex-presidentes Raymundo de Oliveira e Agostinho Guerreiro deram as boas-vindas aos mais de 500 participantes do evento. Foto: Fernando Alvim

Protagonismo e atualização profissional
A programação do encontro foi construída pelos estudantes integrantes da Comissão Organizadora, no âmbito da Secretaria de Apoio ao Estudante de Engenharia (SAE), e a ativa participação do secretário executivo da SAE, Luiz Fernando Taranto. A organização contou com estudantes da UERJ (Rio de Janeiro e Resende), UFF (Niterói), UFRJ, CEFET-RJ, IFF (Macaé), Estácio de Sá (Rio de Janeiro e Nova Iguaçu), Universidade Cândido Mendes (Niterói), Universidade Brasil e Universidade Veiga de Almeida, além de quatro engenheiros formados. José Stelberto Soares, coordenador da SAE, destacou a importância da liderança jovem. “Este encontro busca consolidar espaços e abrir cada vez mais as portas do Clube para vocês, que são o futuro. E esperamos que esse movimento continue a crescer, com mais debates, aprofundando as questões que interessem a vocês. Essa é a questão fundamental”, disse ele. Soares lembrou, ainda, a novidade que marcou a edição deste ano: a realização de pré-encontros nas universidades, nos quais as sugestões dos estudantes de engenharia foram integradas à programação.

Comissão Organizadora reuniu-se ao final do encontro para comemorar o trabalho histórico e bem sucedido. Foto: Diogo Valadares.

Ao todo, o 2º EFEEng contou com nove palestras, além de roda de conversa e feira de estágios. Os participantes também puderam visitar a mostra “Dossiê Mariana”, em exposição na galeria do 22º andar, com fotografias de 28 pesquisadores que visitaram a região de Minas Gerais onde, em 2015, ocorreu o maior desastre ambiental da história do país. A curadoria é de Bruno Matos de Farias e Gercton Bernardo Coutinho.

A estudante Déborah Pantoja, que integra a SAE há quatro meses e fez parte da Comissão Organizadora, destacou o interesse surgido em muitos participantes de envolver-se no dia a dia do Clube. “Neste ano vemos um número mais expressivo de estudantes inscritos, e mais parceiros. É muito legal ver isso acontecendo e ver que, a cada dia, conquistamos uma etapa a mais. Muitos vieram nos perguntar sobre como fazer parte do Clube de Engenharia, como se integrar nas discussões, e isso é emocionante”.

Temas em pauta
“Tecnologia em prol da humanidade” foi o tema da palestra do ex-presidente do Clube Raymundo de Oliveira, que tratou da necessidade de ciência e tecnologia voltadas para a superação das desigualdades, com um retrospecto crítico do desenvolvimento tecnológico ao longo dos séculos até o momento atual, com grande disseminação de tecnologias computacionais. “Nós, que participamos do desenvolvimento da tecnologia, devemos ter a preocupação política de que ela seja bem empregada”, defendeu.

Auditório lotado para a palestra “Tecnologia em prol da humanidade”, ministrada pelo ex-presidente do Clube de Engenharia Raymundo de Oliveira. Foto: Fernando Alvim

Fernando Nery, na palestra sobre Cibersegurança, enfatizou a relevância de se pensar a ideia de defesa dos países para além das Forças Armadas tradicionais. “A cibersegurança é a nova fronteira da defesa, que entra através dos cabos submarinos após o reconhecimento dos territórios via satélite”, explicou. As implicações geopolíticas dessa nova forma de defesa são, segundo Nery, indispensáveis ao debate público. A Internet desterritorializa as informações de seus usuários, incluindo governos, uma vez que o avanço da computação em nuvem trouxe como padrão o armazenamento de dados em grandes servidores privados, que podem estar em qualquer lugar do mundo.

Desafios para um Brasil soberano em cibersegurança foram tratados na palestra de Fernando Nery. Foto: Fernando Alvim

Também no período da manhã, a palestra “Gestão sustentável: técnicas alternativas de construção e biotecnologia em saneamento”, apresentou metodologias para o desenvolvimento sustentável do Brasil. Bioconstrução, alternativas à construção civil e em saneamento, especificamente o papel da microbiologia e biotecnologia, foram os temas tratados por Gustavo Azana, Lucas Menegatti, Eduardo Monteiro e Alexandre Nisembaun, todos estudantes de engenharia. “Esta é uma de nossas propostas: de estudantes para estudantes discutindo o futuro da habitação, da urbanização e do saneamento no nosso país”, afirmou Rafael Bastos, que mediou a palestra. “Queremos entender qual o nosso papel nesses temas, como podemos agir enquanto transformadores, qual o papel das universidades, e como a universidade e o estudante podem transformar as cidades, tornando-as mais resilientes, melhores e mais saudáveis. Por fim, como dominar tecnologia e conhecimento em habitação e saneamento pode nos fazer um país mais forte e soberano”, enfatizou.

A proatividade dos estudantes foi além da organização do encontro, sendo vista nas próprias palestras. Na foto, estudantes que apresentaram o tema “Gestão sustentável: técnicas alternativas de construção e biotecnologia em saneamento”. Foto: Fernando Alvim.

À tarde foram realizadas as palestras “Engenharia de Petróleo – foco em geopolítica”, ministrada por Felipe Coutinho, engenheiro químico e presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET); “Tecnologia BIM”, oferecida pelo engenheiro civil Ronaldo Chaves, diretor executivo da Deskgraphics; “Nanotecnologia aplicada à Engenharia”, apresentada por Marcel Martins, engenheiro químico e sócio-fundador da startup Magtech; “Inteligência emocional”, ministrada por Marcela Rangel, especialista em Transformação Comportamental; e “Panorama sobre o mercado de trabalho da Engenharia e o perfil dos profissionais”, oferecida por Margarida Castelló, engenheira química e professora do CEFET-RJ.

Encerramento
Encerrando o dia, Pedro Celestino enfatizou o papel de iniciativas como o 2º EFEEng para se pensar os futuros estudantes da área. “Queremos que um maior número de colegas se envolva na atividade de pensar o ensino, que se envolvam na formação. Uma das questões que sabemos que vocês se preocupam é com o caráter do curso que estão fazendo, numa sociedade e num mundo em transformação. Nós, aqui no Clube, estamos nos debruçando sobre a reformulação do currículo dos cursos de engenharia. E essa reformulação tem que ouvir a opinião dos estudantes. Por isso, quero reiterar a necessidade desse trabalho continuar de forma organizada. A nossa SAE tem atividades permanentes, e se empenha em promover debates, discussões, buscas de estágio e informação, para que essa rede de contatos que vocês estão estabelecendo seja uma rede que permaneça ao longo de toda a sua atividade profissional”, finalizou.

Assista às palestras do encontro no canal do Clube de Engenharia no Youtube: aqui e aqui

Felipe Coutinho ministrou a palestra “Engenharia de Petróleo – foco em geopolítica”. Foto: Diogo Valadares

Marcel Martins trouxe os avanços da nanotecnologia para o Clube de Engenharia. Foto: Diogo Valadares

“Inteligência Emocional” foi o tema da exposição da especialista Marcela Rangel. Foto: Diogo Valadares.

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