Nota do 49° Congresso Brasileiro de Geologia sobre o incêndio no Museu Nacional

Chamas começaram a tomar conta do Museu Nacional a partir das 19h de domingo, 2 de setembro, e só foram completamente controladas na madrugada de segunda-feira. Foto: Tania Rego/Agência Brasil

No último dia 20 de agosto, uma tarde de segunda-feira, a Sociedade Brasileira de Geologia promoveu a sessão solene do 49° Congresso Brasileiro de Geologia, num evento intimista na Sala da Baleia, homenageando os 200 anos do Museu Nacional. Os mais de três mil geocientistas presentes no Rio reverenciaram este templo da Ciência Brasileira.

No dia 23, uma quinta-feira, levamos os congressistas para conhecer o Museu e convocamos os congressistas para debater, numa mesa-redonda, o descaso para com a Ciência Brasileira, abrindo as apresentações com a palavra do diretor Alexander Kellner.

Na sexta-feira, dia 24, no encerramento do Congresso, divulgamos a Carta do Rio e uma Moção de Apoio ao Museu Nacional, deixando registrado que “Ciência não é gasto, ciência é investimento”.

O primeiro ponto da Carta do Rio foi o apoio ao Museu Nacional, por tudo que ele representa. Questionamos as atuais regras da ANP para aplicação dos recursos das participações especiais pela exploração de petróleo e gás. Por que não podem financiar a cultura? Apoiar os museus, como o Museu Nacional? Dissemos que é preciso rever esta e outras regras, engessadas e que criam guetos de excelência em universidades falidas. A ANP e as empresas dispõem de recursos, mas como aplicá-los? Louvamos a ANP pela complicada engenharia que (parece) viabilizará novos tempos para o Museu de Ciências da Terra. Triste País que precisa de engenharia criativa para viabilizar o óbvio justo em prol da ciência. E guarda em seus cofres os recursos que poderiam salvar, quem sabe, o Museu Nacional!

Neste mesmo dia, na forma de uma Moção divulgada junto com a Carta do Rio, acolhemos o pleito do Museu de conseguir o uso de um terreno vago, para abrigar (e proteger) parte significativa do acervo. Mas a burocracia centralizadora e insensível não permite!

Nosso Congresso reuniu mais de três mil pesquisadores, profissionais e estudantes, sob o mote “Conhecer o Passado para Construir o Futuro”. Centramos atenção no descaso com a Ciência e qual a repercussão? Qual o interesse da mídia em repercutir? Mínimo, com honrosas excessões. A tragédia ainda estava para acontecer!

Assim como em outros casos, vide o Museu da Língua Portuguesa, corremos o risco de cair rapidamente no esquecimento, se a poderosa mídia só nos elege quando a tragédia se instala. Mas o Museu da Língua Portuguesa era essencialmente digital!

Nosso evento foi o último realizado no Museu Nacional. A Sala da Baleia brilhou, não escondendo a decadência e o descaso, pois o objetivo foi este. Homenagear, prestigiar e denunciar o descaso!

Quedamos arrasados pelo pouco que fizemos, mas não nos omitimos. Independente dos (sucessivos) governos, o problema que cerca a Ciência não é ideológico. É de descaso.

“Conhecer o Passado para Construir o Futuro”. O Passado virou cinzas. Que Futuro teremos?

A Comissão Organizadora do 49° Congresso Brasileiro de Geologia – Rio 2018
Núcleo Rio de Janeiro e Espírito Santo
Sociedade Brasileira de Geologia

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