Engenheiros debatem política industrial, democracia e engenharia com Ciro Gomes

Candidato do PDT à Presidência da República em 2018, Ciro Gomes defendeu a criação de uma nova lógica nacional-desenvolvimentista para o Brasil. Foto: Fernando Alvim

O Clube de Engenharia e a Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET) receberam, em 24 de setembro, o candidato à Presidência da República Ciro Gomes para um debate sobre engenharia, democracia e soberania nacional. As entidades enviaram aos cinco candidatos à Presidência mais bem colocados em pesquisas de intenção de votos documentos com propostas da sociedade civil para o futuro do país, em especial no que diz respeito às privatizações, políticas industriais e sociais e democracia. No caso do Clube de Engenharia, o documento Um Projeto para o Brasil, elaborado em conjunto com o Comitê Fluminense do Projeto Brasil Nação é baseado em uma série de encontros realizados na entidade no primeiro semestre. Já a AEPET encaminhou o Programa Setorial para as Eleições Gerais de 2018: Soberania e Desenvolvimento – Energia e Petróleo. Dos candidatos convidados a participarem de debates no Clube de Engenharia, Ciro Gomes, do PDT, foi o primeiro a aceitar.

Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, abriu o encontro em auditório lotado reafirmando o valor da democracia. “Nesta eleição se coloca em jogo o destino da democracia em nosso país. O Clube de Engenharia e a AEPET estão de braços abertos para receber candidatos comprometidos com a democracia, e Ciro Gomes é um deles”, disse ele. “O que expressamos é fruto de nossa experiência, de muitos anos pensando a Petrobras a serviço do Brasil, do interesse da maioria dos brasileiros”, disse Felipe Coutinho. “Se temos a Petrobras e o Pré-Sal, isso é resultado do trabalho de muitos brasileiros, da maioria da população que confia e ama a Petrobras”, completou. Também estiveram presentes à mesa de debates Guilherme Estrella, geólogo e coordenador da equipe da Petrobras que descobriu o Pré-Sal, e o engenheiro, conselheiro do Clube de Engenharia, Ricardo Maranhão.

Estiveram na mesa de debate: Felipe Coutinho, presidente da AEPET; Ciro Gomes, candidato do PDT à Presidência da República; Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia; Guilherme Estrella, geólogo e ex-diretor da Petrobras; e o engenheiro Ricardo Maranhão. Foto: Fernando Alvim

“Nossa sociedade está dividida e fragmentária, e se aproximando de um identitarismo que não é a afirmação de um projeto nacional. A ideia de defender a Petrobras é uma força muito importante, mas tem de guardar coerência com uma grande percepção de país, uma percepção de que país nós somos, do que queremos ser no mundo”, disse Ciro Gomes, que endossou os 10 pontos presentes na proposta da AEPET para a Petrobras e o setor de petróleo e gás: 1) Reversão da privatização de ativos estratégicos e geradores de receita, 2) Alteração da política de preços da Petrobrás, 3) Desenvolvimento da política de conteúdo local, 4) Contratação direta da Petrobrás para a produção dos excedentes da Cessão Onerosa, 5) Assegurar o direito da Petrobrás como operadora única do pré-sal, 6) Revisão do Planejamento Estratégico e da Política de Distribuição de Dividendos da Petrobrás, 7) Controle da exportação de petróleo, 8) Revisão dos subsídios concedidos às petroleiras e da legislação que impacta as estatais, 9) Estabelecimento de políticas públicas para a distribuição da renda petroleira, 10) Recompra dos ADR da Petrobrás negociados em bolsas estrangeiras.

“Em 1980, o Brasil tinha 30% de sua riqueza extraída da indústria. Hoje se aproxima de 10%”, afirmou Ciro Gomes. “Nosso problema é de percepção estratégica. O velho nacional-desenvolvimentismo provou, e deveria ser recuperado agora, neste debate, que o brasileiro organizado ao redor de valores corretos pode produzir um fenômeno para ser mencionado nos compêndios de economia como um milagre”, disse ele, citando o crescimento econômico que alçou o país “do nada, para virar a 15ª economia mundial”. O candidato criticou, no entanto, o fato de os períodos democráticos no Brasil ainda serem uma exceção em sua história. Ciro Gomes defendeu a criação de uma nova lógica de nacional-desenvolvimentismo, alinhada com um desenvolvimento tecnológico e científico nacional e a defesa da democracia.

“O Brasil está precisando debater um projeto nacional. Porém esses ciclos de implosão da legitimidade dos nossos governantes vêm predispondo a sociedade brasileira crescentemente a desacreditar na política como linguagem da democracia”, disse o candidato. Ciro Gomes criticou o crescimento da polarização na política, as medidas antinacionais do governo de Michel Temer, as propostas de privatização da Petrobras e o poder do mercado financeiro. Além disso, criticou a venda da Embraer, empresa nacional de aviação, para a americana Boeing – operação que o governo federal, por deter uma ação especial (golden share) na empresa brasileira, poderia vetar.

“O Brasil precisa reverter esse selvagem processo de destruição da nossa indústria a partir de uma lei do menor esforço, que não exclui nenhuma outra, mas que me permitiu identificar quatro cadeias produtivas em que o Brasil pode aspirar a uma participação global”, disse o candidato, citando os complexos industriais de petróleo, gás e bioenergia, da saúde, do agronegócio e da defesa. Ele defendeu a ampliação das atividades da Petrobras, o incentivo à pesquisa científica e de patentes da Fiocruz, o fim da dependência estrangeira na agricultura e os projetos de defesa nacionais, como o Submarino Nuclear da Marinha.

Auditório lotado no Clube de Engenharia evidencia a importância de se debater com candidatos à Presidência da República os rumos da engenharia nacional e da democracia. Foto: Fernando Alvim

Estiveram presentes no debate representantes de diferentes segmentos da sociedade, entre eles Francis Bogossian, presidente da Academia Nacional de Engenharia (ANE) e ex-presidente do Clube de Engenharia; Roberto Amaral, ex-ministro de Ciência e Tecnologia; Samuel Pinheiro Guimarães, embaixador e ex-ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos; o conselheiro do Clube de Engenharia, Roberto Saturnino Braga, ex-senador e ex-prefeito do Rio de Janeiro; Luiz Moreira, jurista; Celso Cunha, da Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Nucleares; Otávio Velho, Presidente de Honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC); Sebastião Soares, primeiro vice-presidente do Clube de Engenharia; Ricardo Latgé, da Associação dos Geólogos; e Ildo Sauer, ex-diretor da Petrobras.

Clique aqui para assistir ao debate na íntegra no canal do Youtube do Clube de Engenharia

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