Em debate no Clube de Engenharia, Fernando Haddad defende retomada de políticas públicas

Representantes de diferentes setores da sociedade expuseram questões e preocupações sobre o futuro do Brasil ao candidato à Presidência da República Fernando Haddad. Foto: Fernando Alvim.

Faltando menos de 10 dias para que o povo brasileiro decida quem será seu próximo Presidente da República, o candidato à Presidência da República Fernando Haddad (PT) expôs a preocupação com a democracia, debate que tomou conta das ruas no segundo turno das eleições de 2018. “Sabemos que na última semana é quando as famílias se reúnem, porque tem muita coisa em jogo. E, talvez, nesta eleição mais do que nas demais. Eu nunca vi tanta coisa em jogo no Brasil quanto hoje, desde a Redemocratização. Hoje não apenas os direitos trabalhistas, mas também sociais e, infelizmente, políticos estão em disputa”, avaliou. “Vou até o domingo da semana que vem brigar por este país, brigar pela soberania deste país, brigar pelos pobres deste país, brigar pelo patrimônio deste país. E eu não vou cansar até a promulgação do resultado. E, independentemente do resultado, que espero que seja favorável a nós, não vamos abdicar de defender o Brasil”, afirmou.

Respondendo a apontamentos levantados por diferentes organizações e setores da sociedade, o candidato ratificou, em debate realizado em 19/10, no Clube de Engenharia, a necessidade de retomada de políticas públicas voltadas para a inclusão social. O convite partiu do Clube de Engenharia em parceria com a Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif). Os cinco candidatos à presidência da República melhor posicionados nas prévias realizadas pelos institutos de pesquisa no primeiro turno foram convidados para um debate de ideias no Clube de Engenharia. Fernando Haddad foi o segundo a aceitar o convite — antes dele, Ciro Gomes (PDT) esteve no Clube em 24 de setembro.

Além do candidato e sua esposa, Ana Estela Haddad, estiveram presentes na mesa de debates Sebastião Soares, primeiro vice-presidente do Clube de Engenharia; Reinaldo Centoducatte, reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e presidente da Andifes; Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF) e representante do Conif; e Felipe Coutinho, presidente da AEPET. O auditório, lotado, contou com a presença de parlamentares, reitores de universidades públicas, pesquisadores, representantes de organizações da sociedade civil e profissionais da engenharia e outras áreas. O objetivo foi aprofundar e ampliar o debate sobre o processo democrático das eleições presidenciais.

Projeto de Nação
Sebastião Soares, primeiro vice-presidente do Clube de Engenharia, fez a abertura em nome do presidente Pedro Celestino e citou o documento “Um Projeto para o Brasil”, organizado em parceria com o Comitê Fluminense do Projeto Brasil Nação a partir de um ciclo de eventos sobre democracia, soberania, desenvolvimento econômico, direitos civis e inclusão social, e encaminhado para os candidatos à Presidência da República. “São 18 propostas (…) que, se aceitas e implementadas, assegurarão o desenvolvimento e o fortalecimento do Estado Democrático de Direito. Desenvolvimento com soberania e inclusão social e, antes de tudo, a defesa da democracia, que está ameaçada”, afirmou Soares.

Investimentos em Ciência e Tecnologia
Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entregou a Fernando Haddad documento com cinco questões referentes a políticas de Ciência, Tecnologia e Educação. “Para a SBPC, a questão das liberdades democráticas, dos direitos humanos, da redução das desigualdades, dos direitos individuais e coletivos, do respeito à nossa Constituição, são pontos basilares. Essa é uma posição que trouxemos no nosso caderno de políticas públicas que foi encaminhado a todos os candidatos. No segundo turno, enviamos aos dois candidatos essas questões e estamos aguardando respostas para divulgar em nosso site”, disse ele. As perguntas tratam de propostas para a recuperação e aumento de recursos orçamentários para a Ciência, a Tecnologia e a Inovação, além da expansão da educação pública e de qualidade em todos os níveis de ensino.

Defesa da Educação Pública
Reinaldo Centoducatte, reitor da UFES e presidente da Andifes, clamou por uma enfática defesa da educação pública. “Temos de entender que as universidades federais são um patrimônio da sociedade brasileira, e devem ser preservadas, valorizadas e participantes de qualquer projeto político de desenvolvimento econômico e social do nosso país. Já trabalhamos com o candidato Haddad em sua época de ministro da Educação e sabemos de sua disposição para com a educação. As universidades e institutos federais cresceram muito nos últimos anos e precisamos dar conta dessa expansão, porque a educação é o principal vetor de mobilidade social”, disse ele.

A mesma reivindicação foi feita por Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF e representante do Conif. “Me parece que hoje as pessoas não reconhecem o poder transformador da educação pública neste país”, lamentou ele, também referenciando a expansão dos Institutos Federais de educação nos últimos 15 anos. “Não permita que abram mão da formação humanística, científica, na formação dos profissionais técnicos deste país”, completou, fazendo uma enfática defesa da autonomia das universidades e das políticas afirmativas. “Vou usar uma de suas frases, quando foi ministro, e que muito me marcou: ‘não pode ser a condição socioeconômica que vai limitar a longevidade da educação para um jovem deste país’. Porque em uma escola como a nossa e nas universidades públicas brasileiras, um jovem entra para fazer um curso técnico e ele se percebe empoderado e vê alargado seu horizonte”, finalizou Azevedo.

Recuperação da Petrobras
Já Felipe Coutinho, presidente da AEPET, expôs ao candidato a vontade de um compromisso público com as propostas presentes no documento “Programa Setorial para as Eleições Gerais de 2018: Soberania e Desenvolvimento – Energia e Petróleo”, que a entidade produziu e também enviou aos candidatos no pleito presidencial. “Primeiro, a revogação das medidas antinacionais do regime Temer, com destaque para a recuperação da liderança da Petrobras como operadora única no Pré-Sal; a privatização dos ativos da Petrobras e das acumulações de petróleo e gás natural; a contrarreforma trabalhista; a Emenda Constitucional que limitou os investimentos do governo. Segundo ponto: a recompra das ações da Petrobras que são negociadas na bolsa de Nova York. Terceiro ponto: adoção de um plano para o pleno emprego no Brasil, porque o emprego deve ser considerado um direito e o trabalho das pessoas não pode ser tratado como uma mercadoria qualquer que depende da demanda do mercado”, propôs Coutinho.

Defesa da Democracia
Em sua apresentação, o candidato Fernando Haddad destacou que as pautas em discussão mostram que o debate público no Brasil regrediu às reivindicações de décadas atrás. “É um momento delicado o que vivemos porque parte da pauta que apresentamos aqui é dos anos 50. Defender a Petrobras e a CLT era pauta do movimento progressista dos anos 50. E a mesma elite que atacava a Petrobras e os direitos trabalhistas encontra no meu adversário um representante dos seus anseios, sempre antinacionais e antissociais. Já se disse, com razão, que há ricos no Brasil, mas não uma elite propriamente dita porque os ricos do Brasil não têm compromisso nem com o território, nem com o povo brasileiro. Estamos defendendo também uma pauta às vezes dos anos 70: a Amazônia, a soberania nacional”, disse o candidato.

“Ao invés de repetir as reivindicações e a agenda formulada aqui pelas várias entidades, quero ir além e dizer que, muito provavelmente — na minha opinião, com certeza —, eu estou na corrida presidencial em função da luta de vocês”, agradeceu Haddad. “Porque se não fosse a luta de vocês eu não teria realizado o trabalho que realizei no Ministério da Educação, em parceria com a Cultura, a Ciência e Tecnologia, e certamente não teria o que apresentar ao país para me credenciar ao cargo mais alto da Nação. Foi meu trabalho como educador que me credenciou junto ao meu partido e à minha coligação para aspirar a Presidência da República. Portanto, é um legado: mais do que defender as reivindicações, mas defender o que começou a ser feito no Brasil e foi paralisado”, disse ele.

Fernando Haddad também acolheu as pautas em educação: “Hoje um filho de pedreiro pode virar engenheiro porque as oportunidades existem. E precisam ser ampliadas”, disse ele, contando a história de um jovem que relatou uma vez que não só ele, filho de pedreiro, se formou engenheiro, como seu pai também havia se formado.

O debate, transmitido ao vivo pelo canal do Clube de Engenharia no Youtube, pode ser assistido na íntegra clicando aqui.

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