Desastre de Niterói: o risco para as instituições públicas de Geologia

Deslizamento de encosta no Morro da Boa Esperança, em Niterói. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Associação Profissional dos Geólogos do Estado do Rio de Janeiro – APG-RJ

O mais novo desastre associado a escorregamentos em encosta no Rio de Janeiro, que provocou 15 mortes numa área de apenas 2000m², em Niterói (10/11/2018) não poderia, naturalmente, servir para consolidar a importância e o reconhecimento quanto ao estágio alcançado pela geologia brasileira para identificar e diagnosticar as condicionantes dos acidentes geológicos. Da mesma forma, não poderia servir para educar o público sobre as metodologias e sistemáticas utilizadas pelos geólogos para tentar, numa situação extremamente crítica, definir, dentre milhões de setores de risco, o que é pior e prioritário numa empreitada quixotesca em busca da redução, pelo menos, do número de mortes nos desastres naturais e induzidos.

Não, isto não dá “ibope”. Afinal, como pedir à sociedade brutalizada que entenda que “o deslizamento se deu ao longo de uma superfície que une dois planos – um de alívio de tensão, outro tectônico –, ambos preenchidos por solo residual gerado a partir da alteração das suas paredes; que o mesmo tenha sido causado pela subida da poro-pressão em ambos os planos, associada à infiltração (da água das chuvas acumuladas em quatro dias e de águas servidas) facilitada pela forma de anfiteatro da encosta; e que escavações na base dos matacões para a implantação e expansão das casas também tiveram o seu papel”? Como fazer para esclarecer as pessoas leigas quanto as limitações das escalas e dos conteúdos das cartas geotécnicas e dos laudos geotécnicos para impedir a ocorrência de desastres geológicos, a exemplo do que também acontece na saúde, na educação, na cultura, na segurança e no desemprego?

É preciso algo mais espetacular para que a mídia prenda a atenção dos que acompanham o sofrimento e querem culpados. Então podemos esperar que as pessoas sensatas se mantenham nos seus devidos lugares até que os profissionais que estão envolvidos com a questão se manifestem? Sim, mas quem são estes? Ora, como indica a Lei No. 12608, que institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, de junho de 2012, os entes municipal, estadual e federal. Foi o que aconteceu? Não. De pronto apareceram na televisão, mais uma vez, os que se consideram especialistas. Não vão ao local, não sabem o que é a realidade da gestão de risco geológico no cenário das grandes cidades brasileiras, não se importam em criar mais confusão sobre as limitações e as potencialidades dos produtos da geologia. Estão empenhados apenas em cultivar a satisfação de seus próximos com sua demonstração de popularidade.

Seria lamentável, se não fosse bisonho. Pois, ao criticarem o trabalho e os produtos dos geólogos envolvidos, estes profissionais aguçam o desejo irresponsável, oculto para a maioria, de destruir a geologia pública, a única que, se continuada, fortalecida e comprometida, pode contribuir para gerenciar o risco de desastres. E não são apenas neófitos, são também colegas geólogos. Ingênuos, apenas fortalecem o discurso de prefeitos e políticos de que o serviço público de geologia é inconsistente e desqualificado, e por isto não precisa existir.

Não, a APG-RJ não aceita! A APG-RJ não aceita a atitude de Wilson Giozza, Presidente do DRM-RJ, que no afã, mais uma vez, como no caso dos beachrocks de Maricá, de tirar de cima de seus ombros qualquer responsabilidade, se aliou ao Prefeito de Niterói, também muito interessado em se livrar das perguntas sobre as ações da Defesa Civil Municipal e da Empresa Municipal de Moradia Urbanização e Saneamento (EMUSA), para desqualificar o próprio trabalho que o DRM-RJ e o pequeno grupo de geólogos da Prefeitura de Niterói fizeram juntos ou isolados nos últimos 8 anos.

A APG-RJ defende um Estado com órgãos públicos de geologia que possam cumprir o seu trabalho!

Em defesa dos geólogos que atuam na Prefeitura de Niterói!

Em defesa do DRM-RJ e dos seus geólogos!

Todo apoio ao Ministério Público Estadual, e aos geólogos que lá trabalham, na apuração das responsabilidades e nas ações futuras relativas ao desastre de Niterói!

 

 

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