Prêmio IGS Brasil: os melhores exemplos de uso de geossintéticos no país

André Estêvão Silva apresentou trabalhos de grande destaque na área de geossintéticos. Foto: Fernando Alvim

Ao longo das últimas décadas, os geossintéticos tornaram-se grandes aliados da geotecnia brasileira. Alguns casos são emblemáticos e pioneiros, o que levou à criação do Prêmio IGS Brasil de Casos de Obras. Os premiados, desde a primeira edição, foram apresentados pelo presidente da Associação Brasileira de Geossintéticos (IGS Brasil), André Estêvão Silva, no dia 19 de dezembro de 2018. O evento “Prêmio IGS Brasil de Casos de Obras: algumas das mais destacadas experiências brasileiras na engenharia com geossintéticos” foi promovido pelo Clube de Engenharia, Diretoria de Atividades Técnicas (DAT), Divisão Técnica de Geotecnia (DTG) e pelo núcleo Rio de Janeiro da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS-NRRJ).

André Estêvão apresentou a IGS Brasil como uma entidade voltada para a divulgação dos geossintéticos e suas aplicações, e engajada na capacitação de estudantes e profissionais no uso destes materiais. Os geossintéticos, a depender do tipo de material, podem ser utilizados como reforço de solo, como drenos ou filtros, elementos de separação ou proteção de estruturas geotécnicas, entre outras aplicações. Na palestra, André apresentou os casos vencedores das quatro edições do Prêmio, em 2012, 2014, 2016 e 2018. Dentre todos os concorrentes, a associação já montou um Banco de Dados com quase cem trabalhos inscritos.

Reforço de muros e viadutos

O primeiro trabalho premiado foi “Rebaixamento da Linha Férrea de Maringá Utilizando Muros em Solo Reforçado”, de Paulo Brugger, Rosângela Gomes e Marcelo Conte. Apresenta o caso de aplicação de geogrelhas em estruturas de contenção para se rebaixar a linha férrea no trecho urbano da cidade, com o objetivo de eliminar sua interferência à região central de Maringá. Segundo André, o que chama a atenção na obra, finalizada em 2010, é o volume de “muros segmentais” construídos: quase 60 mil m² de área de face de muros em aterro reforçado com geogrelhas e blocos segmentais foram implantados. Além disto, este projeto também se destaca por ter sido o primeiro caso em que se aplicou geogrelha em muro portante, em obra já finalizada, nos trechos de implantação de viadutos.

“Rodovia do Parque BR-448: Uso de Colunas Encamisadas com Geotêxtil (GEC) para Redução de Empuxos em Aterro de Aproximação de Pontes e Viadutos” foi o trabalho premiado em 2014, de Fernando Schnaid, Daniel Winter e Fernando Alves. Neste caso, foram aplicados geotêxteis de encamisamento de colunas granulares para tratamento de solos moles, especificamente nos trechos dos encontros de pontes e viadutos da rodovia. As colunas granulares encamisadas costumam ser utilizadas para melhorar a capacidade de carga do terreno em obras de terraplanagem, mas no caso desta obra foram empregadas na proteção de viadutos já construídos e potencialmente sujeitos a empuxos excessivos durante o alteamento dos aterros de aproximação. O objetivo do uso das colunas foi de minimizar a magnitude dos empuxos gerados sobre a fundação das estruturas durante este processo.

Pioneirismo nas edições mais recentes

Na terceira edição do prêmio, em 2016, apareceram pela primeira vez as geomembranas e geocélulas. Conquistou o primeiro lugar o trabalho “Uso de geocélulas de PEAD para proteção mecânica de geomembrana em barragem de usina hidroelétrica em Mato Grosso do Sul”. As geocélulas de Polietileno de Alta Densidade (PEAD) foram utilizadas para revestimento e proteção de geomembranas de impermeabilização da parte superior da barragem referente à usina hidrelétrica de São Domingos, município de Água Clara (MS). O trabalho tem autoria de Carlos Antônio Centurión Panta e Marcus Vinicius Weber de Campos.

Já o premiado de 2018 traz o caso do mais alto muro segmental do Brasil. O trabalho “Uso de Geogrelhas para a Construção de um Muro em Solo Reforçado com 25m de Altura na Rodovia dos Tamoios (SP-099)” apresenta obra executada entre 2015 e 2016 no estado de São Paulo e tem como autores Regis Eduardo Geroto, Ary Paulo Rodrigues, Juliana Lopes dos Anjos e Cristina F. Schmidt. Trata-se da construção de um muro de contenção na rodovia com 25 metros de altura, em trecho de solo mole, o que pedia, além da contenção, um projeto de tratamento e melhoria do solo. Esta parte foi executada com a aplicação de uma malha de colunas granulares, sem encamisamento, e geogrelhas de PVA de alta resistência; o muro segmental também foi construído em aterro reforçado com geogrelhas de PVA em múltiplas camadas. Pela altura pouco usual do muro, foram necessárias geogrelhas com níveis de resistência igualmente pouco usuais como reforço para estabilização interna da estrutura. O muro tem seu pioneirismo, segundo André Estêvão: “É o muro mais alto nessa técnica já executado no Brasil, o que foi um ponto de destaque nesse projeto”. O engenheiro ainda contou que a obra aconteceu no verão, em período de chuvas, mas para não atrasar a entrega a equipe trabalhou, durante três meses, sob uma tenda inflada. “Dentro de um período muito exíguo, com chuva, tudo foi vencido dentro do que foi planejado, e por isso esse foi o trabalho vencedor do Concurso Casos de Obras do IGS Brasil”, resumiu André.

Mudança de gestão

O evento ainda marcou a despedida da Diretoria em ação do núcleo Rio da ABMS, que finalizava sua gestão. Ana Cristina Sieira, então presidente, comentou a acolhida do Clube de Engenharia e a parceria, não somente com o Clube, mas também com a IGS Brasil, o que levou à união das três instituições no último evento da ABMS de 2018. Ela apresentou a nova Diretoria, composta por Ian Schumann, presidente; Bernadete Danziger, vice-presidente; Vitor Nascimento Aguiar, Secretário Geral; Michel da Cunha como Secretário Executivo e Robson Saramago, Tesoureiro. Sieira agradeceu o apoio dos associados em sua gestão e o trabalho da Diretoria passada: “Nós fizemos tudo com muito prazer e tentamos fazer o melhor”.

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