Em sua obra mais recente, Saturnino resgata a memória afetiva do Rio. Foto: Arquivo do Clube de Engenharia.

Joias do Rio, novo livro do conselheiro Roberto Saturnino Braga, descreve espaços cariocas de grande valor afetivo para ele, em formato que mistura história, memória e emoção. A obra foi lançada pela editora Alameda no Clube de Engenharia. Os 15 capítulos, em sua maioria, levam os nomes das “joias” preferidas do autor: Copacabana, Praça Mauá, Lagoa Rodrigo de Freitas, Jardim Botânico, Urca, Floresta da Tijuca, Quinta da Boa Vista, Parque do Flamengo, Museu Ferroviário e Parque de Madureira, além de outros que falam de espaços não menos importantes na sua trajetória: “Os morros primordiais”, “As praças da minha vida”, “Os morros monumentais” e “Museu e Parque da Cidade”.

Alto do Corcovado, foto de Antônio Caetano da Costa Ribeiro, 1914. Fonte: Biblioteca Nacional

“Tenho um carinho especial pelo Rio, e especialmente por alguns pontos que são de beleza reconhecida e nos quais eu tive alguma vivência que ficou na memória e no coração. Então resolvi escrever explicitamente um livro sobre esses pontos importantes que estão no meu coração, com alguma vivência que me marcou”, contou Saturnino.

Saturnino é grande conhecedor do Rio, sua cidade natal, onde se criou e também onde foi vereador, quando o Rio ainda era capital, e primeiro prefeito eleito pelo voto direto, em 1985. Apesar de acumular mais de 50 anos de vida pública, atuando ainda como deputado e senador, nesta obra especificamente – dentre mais de 10 já publicadas – o ex-prefeito decidiu não abordar a política: “Foi de propósito, porque eu queria sair da visão política e entrar na visão literária e ao mesmo tempo afetiva do Rio de Janeiro”, explicou.

Saturnino é, atualmente, diretor-presidente do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento e diretor-presidente do Instituto Casa Grande.

História, memória e afeto

Em Joias do Rio descreve os lugares ora objetivamente, ora a partir de lembranças, como em “As praças da minha vida”. “A Praça Antero de Quental, o grande poeta português, líder do movimento renovador da literatura lusa na segunda metade dos mil e oitocentos tem sido o meu aconchego da idade. O meu conforto de contemplação da vida, dos pássaros, das árvores, das flores e do céu; de saudade”. Em outro capítulo, sobre a Lagoa Rodrigo de Freitas, descobre-se pelo livro que a história da lagoa começa no final dos anos 1500, com a instalação de um engenho de açúcar na encosta da região do Jardim Oceânico. Descobre-se também que foi ali que Saturnino iniciou o romance com sua esposa e “companheira de vida”.

Jardim Botânico, foto de Antonio Caetano da Costa Ribeiro, 1914. Fonte: Biblioteca Nacional

Seu imenso conhecimento histórico possibilita visitar cenários que foram apagados, como no caso do capítulo “Os morros primordiais”, no qual o autor escreve sobre os morros de São Bento, Santo Antônio, Conceição e Morro do Castelo, este último já inexistente. E explica: “O Morro Primordial foi demolido, um ano antes do Centenário da Independência, para modernizar a cidade, oh, abrir a Esplanada do Castelo bem no Centro”.

Nem todas as “joias do Rio” de Saturnino fazem parte do Rio Antigo. Ele também fala do Parque de Madureira, inaugurado em 2012. Segundo o autor, o bairro é berço de uma população politizada, “que sofria com o calor e não tinha um parque para respirar, para refrescar numa cascata, para flanar, amar e refletir… Pois Madureira o ganhou”. O ex-prefeito louva tanto o presente de Madureira, que além do parque tem seu famoso Mercadão, o Viaduto Negrão de Lima com o famoso Baile Charme e o Madureira Esporte Clube, quanto a história do bairro, cujo nome vem da estação de trem, que por sua vez homenageia o boiadeiro do século XIX Lourenço Madureira.

Praia de Copacabana vista do pátio do Copacabana Palace Hotel, foto de Augusto Malta. Fonte: Biblioteca Nacional.

O livro é ilustrado majoritariamente com fotografias antigas, em preto e branco, muitas datadas do século XIX, como “Homem olhando a paisagem”, de Marc Ferrez, 1890, que ilustra a capa. O local é a Praia de Botafogo, com o Morro do Corcovado ao fundo.

Encontro de amigos

Cesar Drucker, Diretor de Atividades Culturais, que promoveu o evento de lançamento de Joias do Rio, comentou a leveza e a naturalidade do clima de homenagem ao autor. “O que nós tivemos aqui foi uma reunião de amigos. São pessoas que já conheciam Saturnino de atividades profissionais e políticas e vieram estar com ele”. Drucker destacou que o Clube está aberto às publicações literárias de seus associados. “Nós queremos apoiar e prestigiar todos os que têm uma produção cultural, e sobretudo ter a flexibilidade de proporcionar encontros de maneira que as pessoas saiam emocionadas e felizes”.

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