Conselheiros Vitalícios: trajetórias que fazem História

Da esquerda para a direita: Wagner Victer, Leon Rousseau, Eliane Camardella, Katia Farah, Bruno Contarini, Marcio Girão, Nelson Portugal, Fátima Sobral Fernandes, Sergio Quintella, Nelson Duplat, Luiz Edmundo Horta Barbosa, Cesar Duarte, Eduardo König, Carlos Santa Rosa, Fátima Sobral Fernandes, João Fernando Tourinho, Telma Salesa e Marcio de Queiroz.

Nos meses de fevereiro e março, o Clube de Engenharia promoveu, no Conselho Diretor, a cerimônia de posse de 23 Conselheiros Vitalícios. Foram momentos únicos e comemorativos: os novos conselheiros vêm integrar um segmento de profissionais com longa história de dedicação ao desenvolvimento nacional e ao Clube de Engenharia, entidade com 138 anos de atuação em defesa da Engenharia, da Democracia e da Soberania.

Os novos integrantes foram aprovados após alteração no Art. 32 do Estatuto da entidade, que estabelece as regras para que um associado passe à condição de Conselheiro Vitalício. Agora, para receber o título, basta ter sido diretor ou conselheiro da entidade por pelo menos 15 anos, consecutivos ou não.

A simplificação torna mais dinâmica a concessão do título de Conselheiro Vitalício, valoriza as atividades profissionais dos associados e reconhece o trabalho de cada um ao longo do seu tempo, nas diversas diretorias, nas eleições para o Conselho Diretor e nas contribuições para a construção do País. Com a aprovação da alteração, o Clube de Engenharia também reconhece a história, experiência e dedicação de seus associados em construir uma entidade forte e representativa, aliada a seus valores centenários.

Sâo eles: Bruno Contarini, Carlos Sezinio de Santa Rosa, Cesar Duarte Pereira, Eduardo José Costa König da Silva, Eliane Hasselmann Camardella Schiavo, Fátima Sobral Fernandes, Fernando Leite Siqueira, Iara Maria Linhares Nagle, João Fernando Guimarães Tourinho, Jorge Luiz Paes Rios, Katia Maria Farah Arruda, Leon Clement Rousseau, Luiz Alfredo Salomão, Luiz Edmundo Horta Barbosa da Costa Leite, Marcio de Queiroz Ribeiro, Marcio Ellery Girão Barroso, Nelson Duplat Pinheiro da Silva, Nelson Martins Portugal, Ricardo Moura de Albuquerque Maranhão, Sebastião José Martins Soares, Sergio Medina Quintella, Telma Salesa Santana da Silva, Wagner Granja Victer.

Publicamos, a seguir, registros, momentos, e histórias, a partir das disponibilidades e agendas de cada um.

Bruno Contarini

São mais de 60 anos de Clube de Engenharia. Eu me formei em 56, na Escola de Engenharia do Largo de São Francisco. O caminho do engenheiro, automaticamente, era o Clube de Engenharia, mesmo na época de estudante. Eu me associei como estagiário. É onde encontramos todos os amigos.

Trabalhei muito tempo no exterior e o Clube de Engenharia sempre me deu total apoio. E isso pra mim é muito importante. Fiz grandes obras, como, por exemplo, a ponte Rio-Niterói, onde fui o responsável pela execução. Entre outras obras fiz o Hotel Nacional, o Hotel Méridien, e a Torre do Rio Sul. E trabalhei 55 anos com o Oscar Niemeyer, fazendo obras no exterior. Foram 20 anos fora do Brasil.

[Olhando as fotos dos ex-presidentes no mural do Clube de Engenharia] Sou amigo de todos, e considerado um bom técnico. Por isso, muitas vezes o Clube me chamava para dar o parecer sobre algo. Sempre tive um contato muito grande com a parte técnica do Clube. Quando fui responsável pela execução da ponte, comandava 10 mil operários e 130 engenheiros. Mandar em 10 mil operários não tem problema nenhum, porque tem os encarregados, mas mandar em 130 engenheiros é dose! Eu tinha o prazo de dois anos e meio a três anos para fazer a ponte, e fizemos! Não atrasamos. E ela está aí, perfeita até hoje.

Recentemente fui apresentar em Brasília, para um auditório com 200 pessoas, um trabalho sobre a ponte Rio-Niterói. Fomos eu, que fiz a parte de construção; Benjamin Ernani Diaz que fez o projeto; o Carlos Henrique Siqueira, que faz a manutenção; e o Ronaldo Battista que fez o estudo de vibração. Foi uma palestra muito boa, de alto nível, que inclusive o presidente Pedro Celestino está falando pra eu fazer essa palestra aqui no Clube também, contando a história da construção da ponte, que na época era a maior do mundo. O pessoal fala que era a segunda do mundo, mas pra mim era a maior.

Falam que a maior era a ponte do Lago Potchartrain, nos Estados Unidos, que tem 38 quilômetros, e a ponte Rio-Niterói tem pouco mais de 20 quilômetros. Mas a ponte Rio-Niterói tem 80 metros de fundação e 70 para cima, então 150. E quase 30 metros de largura. A americana tem 10 metros de largura e no máximo de 20 a 30 metros de altura. Em volume, a ponte Rio-Niterói era a maior ponte do mundo e duas vezes maior do que a segunda colocada. Hoje não é mais a maior porque tem uma ponte chinesa, que é uma ponte bonita também, mas copiaram muita coisa da gente. E eu acho que está certo. Tem que usar o que já foi feito. A ponte Rio-Niterói teve muita técnica nova, que funciona muito bem, como a fundação a 80 metros de profundidade, no concreto.

Foi uma obra pioneira, mas tivemos um acidente. O pessoal fala que teve gente concretada. Não teve. Aconteceu um acidente que foi um guindaste que caiu em cima de um barco que estava acompanhando a execução e matou 16 pessoas. O repórter veio e o chefe da segurança da ponte, que era um Major dos Bombeiros e depois passou a ser Coronel dos Bombeiros, da Defesa Civil do Rio, falou com o repórter tudo certinho e errou uma coisa só.

Ele falou que ele estava lá quando houve o acidente, mergulhou e conseguiu salvar seis pessoas, e não salvou mais porque estavam concretados. Só que concretado foi uma palavra errada, porque não tinha concreto. Ele deveria ter falado que não salvou mais porque estavam presos na estrutura metálica do próprio guindaste. Isso criou um mito de que tem gente concretada na ponte. Até hoje tem esse mito. A Ponte Rio-Niterói está toda apoiada em rocha. Nós fomos a 80 metros de profundidade procurar rocha.

Dia 4 de março agora fez 45 anos de inauguração da ponte e ela está perfeita, sem problema nenhum. E com essa manutenção que o Carlos Henrique está fazendo ela vai durar mais 100 anos. Nós não vamos durar 100 anos, mas a ponte vai.

Vi que estava ficando velho quando passei a ser remido. Esse foi o único inconveniente porque achei ótimo. E agora ser vitalício é um reconhecimento de que a gente está funcionando aqui. É muito bom esse reconhecimento de que sou vitalício. Eu não sabia que tinha esse direito.

 

Carlos Sezinio de Santa Rosa

Sou engenheiro eletricista formado, em 1962, pela Universidade Federal Fluminense, e associado do Clube Engenharia desde 21 de dezembro de 1960. Uma longa história de vida que vai completar 59 anos. Nasci em 11 de dezembro de 1938, tenho 80 anos, me associei muito jovem, com 22 anos, e desde 1994 sou sócio remido.

Fui Diretor Administrativo quando o presidente era o Raymundo Theodoro Carvalho de Oliveira, eleito com 1.136 votos. Foi neste triênio que exerci meu primeiro mandato como conselheiro. Os seguintes foram de 1999 a 2002, sendo reeleito em novo mandato até 2005, e depois de 2006 a 2009. Voltei ao Conselho cinco anos depois, para o triênio 2014/2017, e novamente até 2019, quando me tornei vitalício. Também participei da Divisão Técnica de Eletrônica e Tecnologia da Informação (DETI).

 

Cesar Duarte Pereira

Entrei na Escola Nacional de Engenharia em 1961 e concluí o curso de Mecânica em 1965. Atravessei um dos momentos mais conturbados da história do país que foi exatamente o período que antecedeu o golpe de 1964. E depois do golpe as consequências nefastas para o país.

Em 61 o Brasil vinha de um processo continuado de crescimento e desenvolvimento. Só para registro, entre 1930 e 1970, o país que mais cresceu no mundo, ano a ano, todos os anos, foi o Brasil. Graças ao governo Getúlio Vargas, que implantou todas as mudanças que permitiram o salto qualitativo de um país agrário para um país emergentemente industrializado. A legislação do trabalho, a construção da Companhia Siderúrgica Nacional, a implantação da Petrobras, da Eletrobrás, da Telebrás, a pavimentação da Rio-São Paulo. Todo o arcabouço que permitiu o desenvolvimento naquele período foi feito a partir dessas ferramentas que transformaram a história do país.

Um cenário no qual o engenheiro é quem planeja, quem executa, quem expande a economia, quem constrói estradas, indústrias, gera emprego e desenvolve tecnologia. E era o se oferecia aos jovens que estavam se formando em engenharia naquele período. Se hoje o engenheiro recém-formado não tem a menor possibilidade de trabalho, quando eu terminei o curso, em 1965, tinha cinco ofertas firmes de trabalho. As empresas iam à escola escolher os melhores engenheirandos.

A militância no Clube de Engenharia era quase uma extensão da militância na Escola Nacional de Engenharia. Durante o período universitário, em 1962, fui diretor do Departamento Cultural do Diretório Acadêmico. O Diretório Acadêmico era uma ferramenta fantástica, não só de representação dos objetivos dos estudantes como também de desenvolvimento do próprio curso de engenharia. Nós tínhamos uma gráfica que produzia todo o material que era utilizado nos cinco anos de curso da escola. E a gráfica era tão bem equipada que tinha capacidade ociosa e nós fazíamos serviços para fora, como, por exemplo, o rótulo do conhaque de alcatrão de São João da Barra.

Também tínhamos um departamento de estágios. O diretório fazia contatos com a direção das empresas, estatais ou privadas, e proporcionava aos alunos estágios na especialidade de cada um. Quando ele saía do quinto ano da escola já tinha uma visão do universo onde militaria profissionalmente. Outro aspecto: o diretório tinha o curso politécnico. Era o cursinho vestibular, de graça, que tinha o maior índice de aprovação nos vestibulares de engenharias. Fosse vestibular do ITA, da Católica, da Nacional, da Fluminense. Era um cursinho de altíssimo nível. E os professores eram exatamente os estudantes de Engenharia.

O diretório foi uma escola imensa. Uma escola de vida! Uma escola de como nós engenheiros poderíamos contribuir para o desenvolvimento do nosso país, da melhoria das condições de vida da população, da melhoria do nível tecnológico. Tudo isso nós aprendemos militando no diretório acadêmico da Escola Nacional de Engenharia.

Lembro que quando fui diretor do Departamento Cultural, montei uma série de palestras, antes do golpe, em 1962, com o título: “Ser engenheiro: para quê e para quem?”. Para que ser engenheiro? Desenvolver tecnologia, estrada, ferrovia, indústrias, para quem? Quem seriam os beneficiários desse desenvolvimento? O objetivo, evidentemente, era que o povo brasileiro fosse o grande beneficiário do processo de desenvolvimento, como em todas as sociedades de qualquer tempo, com governantes preocupados com as suas populações, preocupados em melhorar os padrões de vida dos seus habitantes.

A militância no Clube de Engenharia foi praticamente uma extensão desse trabalho que nós tivemos na faculdade.

Aí vem 64, e o golpe. Fecham o diretório, expulsam o presidente do Diretório da faculdade. Eu mesmo me escondi no Consulado do Panamá por um mês porque o DOPS [Departamento de Ordem Política e Social] andou me procurando porque, segundo a cabeça deles, eu era subversivo. Ou seja: subversivo era quem queria desenvolver o país, quem queria trazer melhores condições de vida pro povo, quem defendia a democracia e a soberania.

A nossa militância no Clube, a rigor, vem de um objetivo que podemos reduzir, desde aquela época, em três palavras: defesa da democracia, da soberania e da engenharia brasileira. Da criação de tecnologias aqui mesmo, sem precisar pagar patente para terceiros. E você vai perguntar: o que de mais importante você fez nessa época? Não tem mais importante, o mais importante é isso. A defesa da engenharia, da democracia e da soberania do país. Uma questão que até hoje nós estamos vivendo: um momento extremamente danoso para a soberania do país.

Entregamos a Embraer. Entregamos a Base de Alcântara de lançamento de foguetes, a melhor base do mundo, por conta da sua proximidade com o Equador. Estamos entregando o petróleo do pré-sal. Tudo que poderia ser um vetor de transformação e enriquecimento para a população brasileira está sendo colocado na mão de terceiros. Privatizaram oito ou dez aeroportos e quem são hoje os operadores? Uma estatal espanhola, uma estatal suíça, uma estatal francesa… É uma coisa vergonhosa o que está acontecendo com o país hoje. Estão entregando todas as riquezas, todas as ferramentas que poderiam fazer o nosso povo mais aculturado, com melhores condições de vida, com emprego, transporte e segurança. Essa é a nossa luta.

Por isso estou no Clube de Engenharia desde 1965.

 

Eduardo José Costa König da Silva

Só o fato do Clube de Engenharia representar a engenharia nacional como um todo, de se fazer presente nas discussões que envolvem a valorização da engenharia, talvez já cause um grande impacto. Eu sempre digo que o Clube é o esteio da discussão independente da engenharia. Inclusive no meu caso, que é o caso da engenharia pública. O Clube de Engenharia tem uma posição em defesa da engenharia pública, dos profissionais públicos de uma forma geral. O Clube cumpre seu papel de defesa da soberania nacional com a engenharia independente. Isso é muito importante e o impacto é permanente.

Sou profissional público, fui presidente da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro por três oportunidades. Fui eleito, reeleito e depois mais um mandato. Uma entidade que representa 1800 profissionais públicos, todos funcionários estaduais, ou das prefeituras do Rio de Janeiro, e no Clube tínhamos espaço para continuar discutindo a defesa desses profissionais e da engenharia pública.

O Clube de Engenharia é uma das entidades mais fortes do Rio de Janeiro, referência nacional, e não tem perfil sindicalista. Embora eu seja sindicalista e sindicalizado, o Clube mantém independência. Acho isso muito importante. E por isso fui conselheiro por tantas vezes – acho que por 18 anos – até me tornar um conselheiro vitalício.

Sempre fui conselheiro. Nunca ocupei um cargo de direção, embora tenha até disputado a presidência, quando tive 32% dos votos. Minha contribuição foi nas discussões orgânicas no Conselho Diretor. Sempre no viés da Engenharia.

É um orgulho enorme, um prazer muito grande ser conselheiro vitalício de uma entidade centenária que tem uma expressão política dentro da engenharia muito forte, muito respeitada. Assistimos recentemente, em um almoço no Clube, uma homenagem ao Secretário Estadual de Defesa Civil, comandante do Corpo de Bombeiros, o Coronel Roberto Robadey, que homenageou o Clube: o Corpo de Bombeiros fazendo 110 anos, cunhou 110 medalhas, e a medalha de número 9 foi para o Clube de Engenharia. Isso simboliza a importância do Clube no contexto político da discussão de valorização da engenharia nacional.

Manifesto efetivamente o orgulho de ter me tornado conselheiro vitalício. Entretanto, vai me dar, com certeza, um pouco de saudade de disputar o processo eleitoral como candidato ao Conselho Diretor. Vou sentir falta da competição, mas com toda certeza sempre terei a postura de apoio a alguns companheiros que tenham identidade com a proposta política de defesa da engenharia.

 

Eliane Hasselmann Camardella Schiavo

O Clube de Engenharia sempre foi para mim como uma segunda Casa. Ainda adolescente acompanhava meu pai, Aimone Camardella, falecido em janeiro de 2018, que já era conselheiro, em várias sessões e eventos no Clube.

Esse fato me incentivou a optar pela Engenharia, inicialmente a Civil, como meu pai, e depois seguir com a Pós-Graduação em Engenharia Econômica e em Engenharia de Segurança do Trabalho. Mais tarde, fiz o Mestrado em Inferência Estatística Aplicada a Engenharia de Avaliação Patrimonial, objeto do meu trabalho há muitos anos.

Ao me formar, em dezembro de 78, entrei para o Clube conduzida pelo meu pai. Tendo trabalhado no BD-RIO e posteriormente na AD-RIO, conheci o Arnaldo Cardoso, que me convidou para participar da chapa candidata ao Conselho Diretor do Clube, o que deixou meu pai e a mim muito felizes, por não ter partido dele a indicação, e sim do Arnaldo, na época meu diretor na AD-RIO.

Desde então (ano 2000), participo do Conselho Diretor do Clube e na votação para renovação do terço dos conselheiros nos anos de 2003, 2006, 2009 e 2012 fui a conselheira mais votada, o que sempre me deixou muito orgulhosa, e me marcou profundamente a responsabilidade de representar não só os colegas-sócios que me elegeram, bem como, dar continuidade ao trabalho realizado pelo meu pai durante quase quatro décadas.

Como representante do sexo feminino, não poderia deixar de fazer uma referência especial ao papel da mulher no contexto da Engenharia Brasileira, onde ela vem participando e ocupando, cada vez mais, posições de destaque, não só no nosso Clube, como em todas as atividades produtivas do nosso País.

Assim, venho atuando não tão assiduamente como gostaria – atualmente participo do Conselho Fiscal -, pois, como exerço o cargo de diretora da Câmara de Consultores Associados/CCA, sou professora de cursos de extensão da PUC-RJ, e atuo como Consultora de Empresas de capital aberto, viajo muito e tenho meu tempo ainda muito restrito.

Entretanto, não posso me furtar em dizer que o Clube de Engenharia representa a Casa do Engenheiro e as resoluções do nosso Conselho Diretor, após longas e profícuas discussões, representam o alicerce da nossa soberania técnica e cultural, onde os conhecimentos e os argumentos mais sadios de seus componentes, vêm constituir Normas de conduta desta importante Instituição da Engenharia.

Dessa forma, a opinião pública pode e deve sempre receber esta contribuição para melhor discutir os graves problemas da nossa Sociedade. Sem dúvida, a sociedade necessita do esforço e da capacidade deste seleto grupo profissional, do qual me orgulho em fazer parte, para a resolução, orientação e execução dos programas de sobrevivência, cada vez mais sacrificada, e a qual necessita de novos métodos, novas concepções, enfim, novas tecnologias, sempre vinculadas à Engenharia.

Assim, o Clube como celeiro de tantos profissionais do mais alto conceito na sociedade brasileira, tem uma contribuição importante a oferecer a essa sociedade, pois constitui um verdadeiro polo, permanente e atuante, que prioriza o incentivo, a divulgação e a busca de soluções técnicas para os problemas relacionados à Engenharia Brasileira, devendo, entretanto, deixar de lado questões políticas partidárias, em detrimento das questões técnicas da nossa Engenharia.

Diante disso, sinto-me agraciada com o título de Conselheira Vitalícia e espero continuar correspondendo às expectativas e à confiança em mim depositadas, prometendo sempre exercer essa função com dignidade, respeito e espírito de solidariedade para com os objetivos dessa tradicional Casa do Engenheiro.

 

Fátima Sobral Fernandes

Estou muito feliz em poder compartilhar esse breve relato com os colegas, sobretudo começando por me declarar muito honrada em ter recebido votos de confiança durante mais de 30 anos, em mais de 10 processos eleitorais, quando me reelegeram Conselheira do Clube por oito vezes e membro da Coordenação de diversas DTEs [Divisões Técnicas Especializadas].

Agradeço, ainda mais, o fato de sempre ter obtido uma votação expressiva em todas as eleições, o que me sinalizava a responsabilidade que a mim havia sido delegada pelos colegas participantes das eleições.

Logo após me formar na UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro], em 1979, por ter feito parte do Movimento Estudantil, que naquela época reivindicava a redemocratização do País, participei de uma reunião na APPD [Associação dos Profissionais de Processamento de Dados] sobre a redemocratização das entidades de engenharia e fui indicada pelo Prof. Hildebrando de Góes Monteiro, que veio mais tarde a ser presidente do Clube de Engenharia, como a representante dos recém-formados da UFRJ para compor a referida comissão.

Desde então escolhi continuar a participar do Clube de Engenharia por reconhecê-lo como entidade centenária, capaz de permitir colocar meu saber específico a serviço da sociedade, voluntariamente. Isto é, espaço técnico com possibilidade de exercício político de minha cidadania de forma independente.

Os temas que mais me tocaram ao participar das atividades do Clube de Engenharia foram os relacionados à Engenharia e sua contribuição para o Desenvolvimento Socioeconômico Soberano e Sustentável e a defesa da Democracia no País.

Com esses focos, participei em diversos cargos da coordenação da Divisão Técnica de Transportes, em que fui coordenadora eleita por vários mandatos, e tive a oportunidade de contribuir promovendo eventos sobre temas relevantes para a formulação dos capítulos relacionados a Transportes na Constituição Federal de 1988, a Constituição Estadual da mesma época e a Lei Orgânica Municipal, entre outros de igual importância, como a Estadualização do Serviço Ferroviário de Trens Urbanos.

Ocupei também diversos cargos de Coordenação em outras DTEs, a saber: Urbanismo, Engenharia Econômica, Formação e Exercício Profissional, o que tornou possível contribuir para a formulação de propostas de políticas públicas para vários setores.

Tenho participado como membro do Conselho Editorial e já havia participado dele na época do Prof. Hildebrando como Presidente, o que me permite contribuir para a definição das pautas a serem divulgadas para os colegas.

O Clube de Engenharia também me propiciou a oportunidade de apoiar a Associação de Engenheiros da CBTU [Companhia Brasileira de Trens Urbanos], que ajudei a fundar, na defesa de seu patrimônio técnico e profissional na época de transformação proposta pelo Governo Collor. Fomos juntos, AECBTU e Clube de Engenharia, ao Congresso Nacional apresentar propostas para o sistema ferroviário urbano e tivemos as portas abertas facilitadas pela tradição de luta do Clube.

Para além das contribuições externas que o Clube de Engenharia me permitiu realizar, algumas já mencionadas, gostaria de destacar que creio ter contribuído significativamente para a valorização das DTEs e a ampliação da democracia interna, realizando proposições que foram aprovadas no Conselho Diretor para coincidir eleições das DTEs com as eleições do Conselho Diretor e, mais recentemente, extensão de mandatos das Coordenações de um ano para três anos para coincidir com o mandato da Diretoria de modo que as Divisões Técnicas atuem efetivamente como órgão consultivo da Diretoria e do Conselho Diretor e o Clube possa funcionar mais organicamente com a participação de todos visando ao desenvolvimento e a valorização da Engenharia Nacional e de seus engenheiros.

 

Fernando Leite Siqueira

Em meus mandatos no Clube de Engenharia o que mais me impactou positivamente foi a aprovação da proposta, minha e do Heitor Pereira, de o Clube entrar com uma ação judicial contra o oitavo leilão de petróleo promovido pela Agência Nacional de Petróleo. O leilão impunha restrições absurdas à participação da Petrobrás, de forma que, se ela ganhasse uma área do pré-sal, não poderia concorrer a uma segunda. Houve calorosas discussões, inclusive um posicionamento contrário de um ex-presidente, que propunha convidar o Diretor Haroldo Lima da ANP, ao invés de entrar com a ação. Respondi que o diretor já havia sido convidado várias vezes e se recusava debater. No final nossa proposta vingou e o Clube entrou com a ação. Esta ação, juntamente com outra da Associação dos Engenheiros da Petrobrás [Aepet], acabaram anulando esse pernicioso oitavo leilão.

Impactaram negativamente: 1) Convidamos o então diretor da ANP [Agência Nacional de Petróleo], David Zibertstajn para um debate no Clube. Ele confirmou até duas horas antes do evento e, chegada a hora, não compareceu nem justificou. Faltou educação e civismo; 2) Quando o então presidente a Agência Espacial Brasileira fez uma palestra no Clube tentando justificar o pernicioso contrato de cessão de grande parte da Base de Alcântara para os EUA. Ele não conseguiu explicar, mas fomos impedidos de fazer perguntas tais como: como justificar que o contrato impede o Brasil de investir os recursos do aluguel em melhorias da Base? Como justificar que os containers trazidos pelos EUA não poderiam ser vistoriados pelo Brasil; 3) quando o então diretor da ANP, Haroldo Lima, que, de grande defensor da Petrobras, se transformou em lobista do cartel das multinacionais, resolveu aceitar vir ao Clube debater. Ocorre que ele gastou todo o tempo falando contra o monopólio e a Petrobrás. Quando o evento deveria ser aberto para perguntas, o presidente da mesa impediu o debate. Eu, o Heitor Pereira e o Paulo Metri, em sinal de protesto, nos levantamos e saímos ostensivamente do auditório.

Há cerca de 20 anos participo das ações do Clube. Milito na Aepet desde 1985, defendendo a Petrobrás, o monopólio Estatal do Petróleo e o corpo técnico da Companhia. Ocorre que os ataques à Petrobrás são muito pesados (comandados pelo cartel internacional do Petróleo) e adquiri a clareza de que os petroleiros sozinhos, não conseguiriam defender esse imenso e valioso patrimônio do povo brasileiro. Assim, resolvi militar no Clube, que é uma entidade centenária e tem grande peso no cenário nacional. A defesa da Engenharia, do meio ambiente, da soberania nacional, entre outras, passou a exigir novas formas de luta. Destaco a defesa da engenharia, do meio ambiente e da soberania nacional como atribuições nobres do Clube.

Como conselheiro vitalício sinto-me honrado, mas ao mesmo tempo, um pouco desconfortável por não ter sido reeleito como conselheiro. Mas o importante é que continuarei participando com o mesmo entusiasmo e abri vaga para um novo conselheiro que poderá contribuir muito para a nossa luta.

O Clube está com a idade média muito avançada. Precisamos desenvolver um processo de renovação de quadros e buscar diminuir um pouco a acomodação que vem se impondo. Estamos sofrendo um marasmo na nossa atuação. É preciso sacudir um pouco a entidade.

 

João Fernando Guimarães Tourinho

Constatar a luta ativa, incansável, coerente e equilibrada em defesa da Engenharia Nacional, da valorização da profissão de engenharia, do engenheiro, do Desenvolvimento Tecnológico e da Soberania Nacional é o que mais me impacta no Clube de Engenharia [CE].

Participo ativamente das ações do Clube desde o ano de 1983. Uma escolha que se deu pelo reconhecimento de ser a única entidade que representa, na plenitude da palavra, a defesa intransigente do engenheiro, da Engenharia Nacional, do Desenvolvimento Tecnológico, da Soberania Nacional.

Foram muitos os fatos significativos, entre eles, quando como Conselheiro apresentei em reunião do Conselho Diretor proposta pedindo providências contra a invasão de engenheiros chineses no Brasil, por estarem trabalhando ilegalmente em várias empresas brasileiras, em várias obras, tanto na área de projetos como na área de execução, especificamente na obra de construção da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), em Itaguaí – RJ.

A proposta foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Diretor, tendo ensejado várias ações concretas que impediram o exercício ilegal da profissão por parte dos engenheiros chineses em nosso País.

Registre-se que o presidente e alguns diretores do CE naquela ocasião foram a Brasília em várias audiências com ministros da Educação, Indústria e Comércio, Relações Exteriores e Justiça. Também foi oficializada denúncia ao Presidente da República. Obtivemos uma grande vitória, mostrando o quanto o Clube de Engenharia é respeitado pelo inequívoco reconhecimento da sua capacidade e seriedade em defesa da Engenharia Nacional, do engenheiro e da Soberania do nosso País.

Estou muito honrado e extremamente feliz em poder fazer parte do seleto grupo de engenheiros e pelo reconhecimento dos vários anos de serviços voluntários prestados ao Clube de Engenharia no Conselho Diretor, tornar-me Conselheiro Vitalício. Vivemos a maior crise da história da Engenharia Nacional, do emprego do engenheiro e mais do que nunca temos que nos unir. É o momento da participação de todos os engenheiros brasileiros e da necessária e efetiva participação em todas as atividades do Clube de Engenharia.

Aos engenheiros brasileiros que ainda não sejam associados ao Clube de Engenharia que se associem para que, juntos, unidos, possamos resgatar a Engenharia Nacional, com a necessária geração de empregos para nós engenheiros, o desenvolvimento tecnológico, o crescimento continuado, o desenvolvimento social, a melhoria da qualidade de vida, o respeito ao meio ambiente e Justiça, sem abusos de autoridade, em respeito pleno à Constituição do nosso País.

 

Jorge Luiz Paes Rios

São muito anos de atuação no Clube de Engenharia, com impactos positivos e negativos. Destaco, no primeiro caso, reuniões e relatórios de bom nível realizados pelo Conselho Diretor e encaminhados para Presidentes, Governos, Ministros, Conselhos, e Prefeituras, sobre a Transposição do São Francisco, o Túnel Extravasor do rio Maracanã, Pré-Sal e a Petrobras, entre outros exemplos.

No rol dos impactos negativos estão algumas reuniões improdutivas que refletem, sobretudo, o descaso de alguns órgãos públicos nas propostas e colocações do Clube. E, ainda, a ausência da maioria dos conselheiros em palestras técnicas e seminários importantes organizados pelas DTEs. Ex.: Construção de reservatórios de acumulação e Despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, entre outros temas.

Participo ativamente das ações do Clube desde que entrei como estudante, em 1969, e em seguida, em 1970, quando fui trabalhar no escritório de Francisco Saturnino de Brito Filho: Escritório Saturnino de Brito. Como minhas contribuições mais significativas registro a presidência e o acompanhamento do relatório e do projeto sobre a Transposição do Rio São Francisco, a criação e a Organização de quase todos os seminários brasileiros de defesa do meio ambiente e do seminário sobre a construção de reservatórios de acumulação e dezenas de palestras como Chefe das DTES, além da indicação de centenas de alunos e ex-alunos para sócios do Clube.

Acho que temos ainda muito trabalho a fazer para o crescimento do Clube e da Engenharia Nacional, mas necessitamos sempre do apoio da Direção e do Conselho junto às DTs.

SDS. FLUVIAIS

 

Katia Maria Farah Arruda

Comecei a trabalhar nas Divisões Técnicas Especializadas (DTEs) de Construção e na de Urbanismo há 25 anos. Depois entrei para o Conselho Diretor, sendo meu primeiro mandato o que teve como presidente do Clube de Engenharia o Renato de Almeida. Foi o mandato que mais me impactou, pois aprendi bastante com os conselheiros mais antigos.

Estou conselheira há sete mandatos e trabalhei junto com os outros colegas em várias comissões dentro do Conselho e em pautas que visavam o interesse da sociedade, a defesa de nossa categoria profissional e vários debates de matérias técnicas. Podemos pontuar temas nacionais e regionais como Petrobras, defesa da Engenharia, da Arquitetura, da Soberania, da Democracia, e da Constituição. Temas mais técnicos, como Habitação, Planejamento Urbano, Meio Ambiente, Transporte e Telecomunicação, entre tantos temas relevantes para a nossa profissão e de interesse de nosso Brasil.

Muitos debates, mesas-redondas, congressos e seminários foram organizados por meio do Conselho Diretor. Fui segunda secretária da mesa do Conselho; por duas vezes conselheira do Crea/RJ representando o Clube; e representante do Clube no Conselho Municipal de Política Urbana (Compur). Além disso fui chefe da DTE de Engenharia Econômica onde realizei muitos eventos técnicos. Em minhas atividades como profissional integrei ainda o Conselho de Arquitetura e Urbanismo/RJ em sua gestão fundadora.

Depois de sete mandatos como conselheira do Clube de Engenharia sinto muita satisfação de ter tido a oportunidade e ter aproveitado para trabalhar em favor de nossa categoria, profissão e sociedade.

Como conselheira vitalícia pretendo continuar na luta porque muito ainda tem que ser feito neste nosso país e na nossa profissão.Uma boa soldada não foge à luta. E como diz São Paulo Apóstolo “Combati o bom combate e não perdi a fé”.

 

Leon Clement Rousseau

Antes mesmo de entrar para o Clube, nos dois últimos anos de faculdade, 60 e 61, eu já frequentava a biblioteca do Clube. Estudava, pesquisava, e também era muito bom ver a bibliotecária, que era muito bonita. Eu me formei em 61, peguei o diploma em 62. A ordem era: pegar o diploma, tirar a carteira do CREA e vir para o Clube. Foi o que fiz. Em 1962 entrei para o Clube como sócio, com vários engenheiros que tinham acabado de se formar pela Escola de Engenharia. Entre eles, duas pessoas muito queridas, muito ligadas a mim, que eram o Moyses Jacob Lilenbaum, figura conhecidíssima no Clube, e o Antonio Pagy. Começamos a desenvolver um trabalho voltado para ensinar o sistema PERT/CPM. Moyses e eu escrevemos apostilas e demos aulas no 22º andar para engenheiros interessados e sócios do Clube.

Todas as vezes que havia eleição para nova diretoria participávamos das reuniões, noite adentro, até conseguir eleger os futuros diretores e o presidente. As eleições eram mobilizadíssimas. Às vezes a mobilização, por questões políticas, se estendia para manifestações na rua. Certa ocasião foi montado um palanque na esquina da Avenida Rio Branco com a Sete de Setembro.

Fui Diretor Cultural na gestão do Fernando Uchôa, quando organizávamos atividades toda quinta-feira: tinha pianista, canto lírico, e outras atividades culturais. Mas o que mais me marcou em tantos anos de história, como parte do Conselho Diretor, foram os debates sobre a situação do País e sobre alguns grandes projetos nacionais. E nós continuamos hoje a fazer isso.

Por nove anos, de 1992 a 2002, fui para Brasília. Era época do Collor. Uma loucura: fiquei desempregado, sem poder usar a poupança, com duas filhas fazendo faculdade na PUC. Fiz concurso público, primeiro para o Ministério da Fazenda. Passei, mas foi anulado, porque teve fraude em São Paulo. Naquela época tinha muitos concursos e passei para o Ministério do Planejamento, depois de ler todos os livros do Simonsen e estudar, em quatro semanas, até o concurso

Eu tenho orgulho de ser Conselheiro Vitalício. Fico muito satisfeito, porque não vou precisar enfrentar mais uma eleição, mas vou ajudar os outros, vou apoiar. Estou aposentado, mas me dedico à música, coral e violino. E também a uma atividade intelectual: o que continua a me dar razão para me interessar pelas atividades do Clube, em especial acompanhar os debates. Eu gostaria que tivéssemos um trabalho mais visível do ponto de vista externo. O Clube está desenvolvendo isso nos eventos, nas divisões técnicas.

Fui um dos diretores de Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis. Organizei dois grandes congressos de meio ambiente no Clube, com o patrocínio da Light e da Eletrobras. Também consegui o patrocínio da Light para o livro “História da Engenharia”, em dois volumes, de autoria de Pedro Carlos da Silva Telles, uma referência nacional.

 

Luiz Alfredo Salomão

Milito no Clube há 40 anos, desde que, por indicação do atual presidente, Pedro Celestino, fui eleito diretor do Departamento Sócio Econômico (DSE) na Chapa Centenário, liderada por Plínio Cantanhede. A diretoria que ocupei não tinha exercido, até então, uma função específica. As atividades propriamente sociais, tais como festas e promoções culturais, eram atribuições do Departamento de Atividades Sociais e Relações Públicas (DAS), com desempenho pouco expressivo.

O grupo que dirigiu aquele triênio 1979/82, representando uma frente política constituída para derrotar a grei do ex-presidente Geraldo Basto da Costa Reis, era heterogêneo do ponto de vista ideológico, mas muito interessante: o prof. Octávio Cantanhede, o empreiteiro Luiz Santos Reis, o empresário Eduardo Uchôa, Felinto Epitácio Maia, Alexandre Leal e outros. O Presidente Plínio, que se destacara na construção de Brasília (acho que dirigiu a Terracap), era um liberal-democrata e, sempre simpático às minhas propostas, me dava espaço e apoio.

Com a valiosa ajuda do meu vice, Sérgio Gonzaga de Oliveira, e de militantes políticos que ele trouxe para atuar na DAS, especialmente Frederico Novaes, promovemos  quando Figueiredo dava continuidade à abertura “lenta, gradual e segura” de Geisel  os mais arrebatadores debates no Clube, à guisa de “atividades sociais”.

Oscar Niemeyer falou sobre a Arquitetura no Rio, rasgando e jogando no chão pranchas onde riscava seus desenhos, que recolhi para o acervo histórico do Clube. Ao que pude apurar, infelizmente, as pranchas desapareceram. Do Pará, trouxe também o bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, para falar no Clube, sobre a reforma agrária e a defesa da Amazônia e de seu povo trabalhador rural, cujos líderes estavam sendo perseguidos e assassinados pelos fazendeiros.

Naquele triênio vieram, ainda, os Senadores Saturnino Braga (que, sócio, nunca fora convidado para vir ao Clube como debatedor ou palestrante, apesar de representar nosso Estado no Senado) e Tancredo Neves (que deu um show de política ao “falar muito, sem dizer nada” a respeito do PP, que estava criando) para discutir a reforma partidária, então em curso. Finalmente, trouxemos o grande economista Celso Furtado, que vivia em auto-exílio em Paris, para falar sobre os rumos da economia brasileira, quando se evidenciava o fracasso do “milagre brasileiro” dos generais.

O auditório do 25º ficava superlotado, havia filas na porta da Av. Rio Branco, os elevadores subiam entupidos de gente querendo entrar e participar das discussões sobre o fim da ditadura e o futuro do Brasil.

Além disso, a DAS, que incorporara como colaboradores outros sócios, como meu colega de turma Francisco de Assis Silva Barreto, promoveu uma linda exposição de fotos produzidas por Marc e Gilberto Ferrez, além de Augusto Malta, sobre a Av. Rio Branco, feitas no inicio do século passado. O queridíssimo Chiquinho (que depois foi meu chefe de gabinete na Secretaria de Assuntos Estratégicos, em Brasília, em 2009/11), cineasta e fotógrafo, conseguiu os filmes originais e montou a exposição praticamente sozinho, com o Clube bancando a reprodução das cópias em sépia feitas pelo também cineasta e grande fotógrafo Fernando Duarte. O legado das lindas fotos da exposição, ao que sei, também foi extraviado, como os desenhos do Niemeyer.

Finalmente, a DAS promoveu um memorável festival de choro no auditório do Clube, trazendo de Pernambuco ninguém menos que Canhoto da Paraíba, além de outros bambas cariocas do gênero. Foi a forma de contribuir para o brilho das comemorações dos 100 anos de vida do Clube.

Eu era um jovem engenheiro de 34 anos, pouco conhecido na mídia, e os colegas não acreditavam que eu fosse capaz de mobilizar tantas personalidades importantes da vida política brasileira, que eu cogitava convidar. Mas a verdade é que a sociedade estava ávida por discutir política e a definição de novos rumos para o Brasil e isto facilitava os convites. Depois desta agitação toda, a DAS ganhou o respeito dos outros diretores.

Findo o nosso mandato, me tornei membro do Conselho Diretor e logo depois me elegi deputado estadual, assumindo em seguida a pasta das Obras e Meio Ambiente do Governo Brizola. Os associados haviam elegido a chapa liderada por Mateus Schneider e nós passamos para a oposição. Depois voltamos ao poder no Clube. Em 1986, me elegi deputado federal constituinte e me dediquei inteiramente àquilo que foi a maior obra de que participei na vida. Era dos poucos engenheiros da bancada do Rio (só me lembro de outro que era o Bocaiúva Cunha). Os constituintes eram procurados por diferentes grupos sociais e de interesses, que procuravam inscrever seus direitos e posições políticas na Constituição. Mas nunca pelos engenheiros.

Tive longa trajetória parlamentar, encerrada em 2002, entremeada por licenças para ser secretário de Estado (Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia, e Transportes). No início de cada mandato de cada nova Diretoria do Clube, sempre comparecia ao Conselho e me disponibilizava para agir no interesse da nossa categoria no Congresso. Nunca fui acionado. Não sei se era por incompetência ou ciumada, a falta de vontade das sucessivas direções de instrumentar um representante seu, que conhecia bem o Clube, em Brasília. Os dirigentes só me procuravam para eu autorizar minha inclusão na chapa de candidatos para a eleição do terço do Conselho.

Lembro-me de ter procurado, em vão, o presidente da época para pedir assessoria na discussão do projeto de lei que se converteu na Lei 8.666/93 (a lei de licitações e contratos), de cuja comissão especial da Câmara dos Deputados eu fazia parte. Felizmente, fui socorrido pela AEERJ [Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro], na pessoa de seu vice-presidente de então, o empreiteiro Ricardo Farah, que me ajudou a melhorar, na medida do possível, o projeto já votado pelo Senado e sob revisão da Câmara.

Nos 20 anos após minha chegada à diretoria do Clube, tive tempo suficiente para me tornar conselheiro vitalício… Porém, havia um diretor, altamente conservador, que era secretário da Mesa, e que fazia questão de registrar minhas faltas às sessões do Conselho, sem a justificativa devida. De 2002 em diante, porém, tornei-me assíduo e participante das sessões, com manifestações demasiadamente frequentes e, creio, inconvenientes. Quase não havia sessão em que eu não falasse.

Numa delas, em 2013, fiz uma crítica contundente ao funcionamento das DTEs [Divisões Técnicas Especializadas], baseada num levantamento minucioso que fiz, pessoalmente, sobre o comparecimento de sócios às suas sessões, e ao equívoco que o Conselho cometia ao atribuir a elas um papel estratégico que efetivamente não desempenhavam.

Fiz críticas duras, também, no mesmo pronunciamento, ao apoio acrítico e integral que alguns conselheiros faziam à Petrobras e à Eletrobras só porque eram empresas estatais. Ignoravam que estas empresas e suas subsidiárias eram objeto de manipulação política, de empreguismo e de políticas desastrosas de preços da energia elétrica e de derivados de petróleo que estavam levando-as à garra, nos governos Lula e especialmente Dilma. Além disso, com o aplauso do Conselho, decantávamos em prosa e verso o fato de que o Brasil se tornara “autossuficiente” na produção de petróleo, ignorando que nos tornáramos abusivos importadores de derivados, especialmente gasolina e diesel, com uma balança comercial setorial crescentemente negativa. Limitei-me a isto porque não haviam vazado, ainda, as notícias sobre os escândalos da corrupção deslavada na Petrobras e na Eletrobras, esta última praticamente abafada na mídia, para não atingir determinados políticos.

Alguns conselheiros, soi disant “de esquerda”, sempre lideraram a lista de oradores e conduziram às decisões do Conselho sobre diversos temas, algumas das quais considero inconsequentes, sem o contraditório e a reação por parte dos conselheiros conservadores. Eles ficavam em silêncio, negando ao plenário suas opiniões e experiências.
O Conselho estava envelhecido, eu denunciei, com idade média que era de 68 anos (eu levantei pessoalmente a estatística, naquela época). Hoje seria 73 anos. Precisava de renovação.

A longa manifestação  na qual, ao final, eu anunciava o meu afastamento do Conselho  foi feita por mim de forma inadequada, no horário das breves comunicações dos conselheiros, graças à generosidade do presidente-cavalheiro Francis Bogossian, que não me cassou a palavra, como o regimento permitiria. Mas provocou a ira de alguns colegas.

Considerei minha participação no CD encerrada. Mas, na eleição seguinte, os colegas que me procuraram não tiveram dificuldade em me convencer a voltar a contribuir. Voltei a participar com prazer, apesar de agora ter dificuldades logísticas de comparecer, dado que assumi funções executivas em minha empresa, localizada na Baixada Fluminense e, mais recentemente, a função de Interventor no BRT, na Barra da Tijuca, onde enfrento sérios problemas de engenharia.

Das muitas falhas e faltas que tive como diretor e conselheiro do Clube, evidentemente não me lembro, ou omito, deixando para os meus críticos apontarem-nas.

Apesar de pouco relevante, é uma história longa, marcada por minha dedicação, há 50 anos (sou da turma de 68 da ENE [Escola Nacional de Engenharia]), exatamente às causas que nosso Presidente Celestino consagrou no trinômio:Engenharia, Democracia e Soberania, que ora rege a vida do nosso Clube.

Acho que se fez justiça, nos tornando conselheiros vitalícios e abrindo espaço para que nas próximas chapas de candidatos sejam incluídos muitos jovens, de diferentes colorações políticas, que enriqueçam os nossos debates e tragam para o Clube os engenheiros das novas gerações, assegurando assim a perpetuação da nossa Casa.

 

Luiz Edmundo Horta Barbosa da Costa Leite

Desde que me formei engenheiro tive interesse em me associar ao Clube de Engenharia, principalmente por influência do meu tio-avô que eu muito admirava, Luiz Hildebrando Horta Barbosa, que foi conselheiro de 1949 a 1966. Um grande Positivista, liderança na campanha do “Petróleo é nosso”, referência como engenheiro, na época à frente da construção da Cidade Universitária na Ilha do Fundão.

No Clube conheci importantes e competentes engenheiros, como o Helio de Almeida, Plinio Cantanhede, Geraldo Reis, Hildebrando de Araujo Góes Filho e tantos outros, e o que se tornou meu amigo, Danton Voltaire.

Momento importante que particularmente me marcou foi o apoio do Clube de Engenharia quando me tornei Secretário de Obras na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro.

Registro, ainda, como marcantes para mim as campanhas de apoio ao pré-sal, e a adesão a campanha das Diretas Já, além da presença do presidente em exercício, José de Alencar, na posse da diretoria da qual fui membro.

 

Marcio de Queiroz Ribeiro

Destaco, em especial, meu primeiro mandato como conselheiro do Clube de Engenharia, eleito em 1997, numa chapa diversificada, aceitando – pela primeira vez – convite impossível de ser negado, porque honroso e desinteressado. E também o convívio com os confrades nas trocas de informações e percepções sobre os mais variados temas, em relatos e discussões – convergentes ou divergentes, tranquilas ou acaloradas – mas sempre enriquecedoras.

Participo ativamente das ações do Clube desde o ano de 1958, ao passar no vestibular e entrar na Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil (ENE/UB), ainda sediada no histórico prédio do Largo de São Francisco. Naquela época, pela proximidade, os professores (como sócios) e os alunos da ENE (como aspirantes), em sua maioria, tinham o Clube de Engenharia como um espaço da Engenharia, assiduamente frequentado.

Morador da Tijuca, a Escola e o Clube distavam apenas uma légua de casa. Era possível ir e voltar de bicicleta, de bonde, de ônibus e até de carro, pois havia estacionamento ao redor da própria Escola. A frequência e a atuação no Clube de Engenharia eram consequências naturais dos sentimentos de pertencimento e de saudável orgulho daqueles jovens estudantes de engenharia que sonhavam ser Engenheiros.

Contribuí financeiramente até tornar-me Sócio Remido. E mais algumas humildes colaborações nas DTEs, sobretudo na de Transportes que cheguei a chefiar (no século XX); bem como palestras, debates e elaborações de textos decorrentes de trabalhos propositivos de caráter técnico/político. Além de estar à disposição para participações coletivas.

Como Conselheiro Vitalício sinto-me pessoalmente Honrado, Feliz e à disposição. Profissionalmente: Experiente (56 anos formado em Engenharia), Saudável (ICM=23), e com Esperança (aquela que caminha com a Fé e o Amor).

Com FÉ em CRISTO e FÉ ao Fazer Engenharia!

No mais: SAÚDE E PAZ!

 

Marcio Ellery Girão Barroso

A convivência com líderes da Engenharia Nacional em um ambiente de permanente troca de informações e experiências foi o que mais me impactou nos meus mandatos no Conselho Diretor do Clube de Engenharia.

As atividades, em geral, se ativeram a participações nas reuniões do Conselho, porém, participei mais ativamente nos projetos do Portal da Engenharia e na formação da DTE [Divisão Técnica Especializada] de Ciência e Tecnologia, com Virgínia Salerno e Cia., e também com alguns grupos-tarefa sempre que demandado pela diretoria.

Como Conselheiro Vitalício continuo o mesmo, mas com a sensação de parcial imortalidade, pois o Clube é perene.

Certamente não penso em ponto final. Pretendo estar sempre ao lado dos interesses da Engenharia Nacional, pois assim terei a certeza de estar ao lado do Desenvolvimento do meu País.

 

Nelson Duplat Pinheiro da Silva

O que mais me impactou foram as atividades que realizamos no início do movimento, em 1977, quando nos aproximamos do Clube, que até aquele momento estava bastante afastado dos engenheiros mais jovens. Fizemos uma renovação muito grande na vida política do Clube de Engenharia.

Participo do Clube desde 1997. Eu já era engenheiro. Era um momento de reorganização da sociedade com vistas a uma maior presença nas questões nacionais e particularmente visando também à recuperação da Democracia, que no momento estava comprometida.

 

Nelson Martins Portugal

Minha participação no Clube de Engenharia se deu nos idos de 1960 como Sócio Aspirante estimulado por ser a Entidade centro de grandes debates nacionais e em sua trajetória, então, ter tido ilustres nomes do seu quadro de associados atuando na vida pública, como ministros, deputados, prefeitos e profissionais responsáveis por obras que marcaram a Engenharia brasileira, dentre outras a Ponte Rio-Niterói, o Sistema de Abastecimento de Água do Guandu e o Aterro do Flamengo.

Memoráveis campanhas vitoriosas em defesa da Engenharia Nacional como a “Campanha do Petróleo é Nosso” e outras questões de importância para o país como a “Campanha das Diretas Já” granjearam para a entidade o respeito de toda a sociedade e fizeram crescer ainda mais minha aproximação com o Clube.

Em 1962 concluí meu curso na Escola Nacional de Engenharia – Largo de São Francisco – como engenheiro civil, com especialização em obras hidráulicas e saneamento, ocasião em que me tornei sócio efetivo do Clube. Naquele tempo o acesso às atividades do Clube tinha que ser necessariamente presencial ou por meio das publicações do Jornal do Clube o que nos permitia acompanhar a atuação permanente da Entidade em defesa da Democracia, pelo Desenvolvimento Econômico com base nas empresas nacionais e Justiça Social. Portanto, registrar no currículo profissional ser sócio do Clube de Engenharia era, e ainda é para mim, motivo de muito orgulho.

Minha colaboração efetiva com a administração do Clube de Engenharia inicia-se com a eleição para membro do Conselho Fiscal, no período 1997-1998, ocasião em que tive a oportunidade de conhecer e me manifestar sobre o balanço financeiro-patrimonial da entidade na gestão do Presidente Renato Almeida. Registro ter sido um desafio valioso validar, sem ressalvas, o processo de prestação de contas de uma administração do Clube.

No período de 1999-2002 fui eleito membro do Conselho Diretor. Nos períodos 2003/2006 – gestão Raymundo de Oliveira/Paulo Cezar Brandão – e 2006/2009 – gestão Heloi Moreira – ocupei o cargo de Diretor Administrativo, oportunidade em que realizei, além das atribuições inerentes ao cargo e com a inestimável participação dos demais Diretores, inúmeros projetos de modernização das instalações da sede social do Clube, tais como: conclusão da modernização dos elevadores da Sede como solução definitiva do acesso do público às dependências do prédio; parceria com a Politécnica/UFRJ para implantação do Centro de Educação Continuada no 18° andar; novo sistema de telefonia e internet em banda larga via fibra ótica, viabilizado com patrocínio da EMBRATEL; implantação do Centro Cultural do Clube no 22° andar, com recursos do patrocínio da ELETROBRÁS; modernização das instalações do 21° andar com a ampliação e modernização das instalações das áreas gerenciais e das Diretorias com recursos do patrocínio da ELETROBRÁS. Objetivo: tornar a Sede do Clube um prédio inteligente.

Concluindo, é importante destacar que a aprovação pelo Conselho da proposta do Presidente Pedro Celestino de alteração do Estatuto reconhecendo como Vitalício aqueles Conselheiros que contribuíram por mais de 15 anos com a gestão do Clube, constituiu medida oportuna para a renovação do Conselho pois, certamente, nas eleições futuras permitirá o ingresso de novos profissionais capacitados a indicar os caminhos que o país necessita seguir, na Democracia, para retomar seu desenvolvimento econômico-financeiro sustentável com inclusão social e, desta maneira, manter o Clube de Engenharia na liderança das discussões dos grandes temas nacionais.

 

Ricardo Moura de Albuquerque Maranhão

Ingressei no Clube de Engenharia em 1974, atraído por sua história marcada pela defesa da Engenharia, da Democracia e da Soberania Nacional. Desde então fui eleito para sucessivos mandatos em seu Conselho Diretor.

Fui vice-presidente do Clube, participando de diretoria presidida pelo colega Fernando Uchôa.

Em 1993, estimulado por expressivo contingente de colegas, me candidatei a presidente do Clube, liderando a CHAPA SOBERANIA NACIONAL que, embora não eleita, contou com o apoio de importantes lideranças brasileiras, como AURELIANO CHAVES, BARBOSA LIMA SOBRINHO, OSCAR NIEMEYER, além de expressivo apoio dos colegas.

Tenho muito orgulho de minha condição de Conselheiro Vitalício participando de entidade com a história, o prestígio e a credibilidade de nosso Clube. O título, muito honroso, acredito, é uma homenagem e o reconhecimento de minha contribuição, ainda que modesta, ao ideário do Clube. Contribuições dadas, também, ao meu país, como engenheiro, líder comunitário, e parlamentar com mandatos nas Câmaras de Vereador e Deputado Federal.

 

Sebastião José Martins Soares

Eu me formei em 1960, na Escola Politécnica da USP. Em 1964 vim para o Rio de Janeiro trabalhar, como engenheiro concursado, no BNDES. No ano seguinte me associei ao Clube de Engenharia depois que fiz um curso de extensão em Engenharia de Custos, na então Escola Nacional de Engenharia, onde conheci vários colegas que já eram sócios do Clube.

Mas somente comecei a participar ativamente em 1979, na campanha do Presidente Plínio Cantanhede, cuja gestão promoveu uma profunda mudança no Clube. Foi o Pedro Celestino Pereira, àquela época colaborador destacado do Presidente Cantanhede, que me convidou para compor a Chapa do Conselho Diretor, e dele participei de 1979 a 1982. Mas atuando como Superintendente no BNDES, a agenda de trabalho era bastante extensa e pouco participei, porém aprendi bastante com os companheiros mais experientes do Conselho Diretor.

Em 1982 não me candidatei à reeleição, só voltando a participar na gestão de Agostinho Guerreiro. Permaneci então no Conselho Diretor em duas gestões consecutivas: Agostinho Guerreiro (1997/2000) e Renato da Silva Almeida (2000/2003), quando também atuei no Conselho Editorial.

Em 2003, no primeiro governo Lula, fui trabalhar em Brasília, como Secretário de Planejamento e Investimentos Estratégicos (SPI), do Ministério do Planejamento. Nesse período interagimos com o Clube de Engenharia. Era o segundo mandato de Raymundo de Oliveira (2003/2006) e cá estivemos apresentando o Plano Plurianual (PPA) do período 2004-2007.

Voltei a ser eleito para o Conselho Diretor no final da primeira gestão do Francis Bogossian (2011) e imediatamente organizamos um Grupo de Trabalho para tratar da empresa brasileira de capital nacional. Como já estava aposentado do BNDES me elegeram coordenador da comissão, que reuniu nomes dos mais representativos do setor: Paulo Metri, Fernando Siqueira, Luiz Oswaldo Norris Aranha, Pedro Celestino, Cesar Duarte, José Jorge Teixeira Churro, dentre outros. Concluímos o trabalho em pouco mais de um mês, quando foi lançado, em 22/11/2011, o Manifesto em Defesa da Empresa Brasileira de Capital Nacional. Foi um trabalho no qual era preponderante o papel político, mas não partidário, de formular, debater, discutir, incorporar e conciliar posições divergentes, sobre o tema. Em 2014, trabalhamos intensamente na Carta aos Presidenciáveis, que foi encaminhada para os cinco candidatos à época mais bem posicionados no pleito, e que fez parte de livro publicado pelo Clube, referente a gestão do Presidente Francis Bogossian.

Participei, em 2015, como candidato a 1º Vice-Presidente, da Chapa Unidade presidida pelo Pedro Celestino Pereira. Com a vitória, o primeiro passo da nossa Diretoria, juntamente com o Conselho Diretor, foi o lançamento de um manifesto em Defesa da Petrobras, em momento crucial da empresa e do país. Em 2018, o Clube de Engenharia e o Comitê Fluminense do Projeto Brasil Nação organizaram um ciclo de debates com uma série de quatro painéis sobre um Projeto Nacional. Com convergências e divergências, o objetivo foi encontrar caminhos comuns para estancar o desmonte e o retrocesso que o país sofreu nos últimos anos, e para construir a grande Nação Brasileira, protagonista do Século XXI.

Estamos em nosso segundo mandato da Diretoria e os debates sobre Brasil: Nação Protagonista continuam. Já no início de 2019 o Clube de Engenharia convidou, como palestrantes os novos governadores do Maranhão, Flávio Dino, que realizou palestra em 28 de março; de Mato Grosso Mauro Mendes; de São Paulo João Doria; do Rio de Janeiro Wilson Witzel e Rui Costa da Bahia, dos quais aguardamos confirmação. Também estão pautados debates, ainda no primeiro semestre, sobre Reforma da Previdência, Geopolítica e Soberania Nacional.

Não é uma construção que se possa fazer sozinho. Sou otimista porque, como já vivi muito, e por mais que hoje o cenário esteja ruim, ainda é melhor do que em 1940, é melhor do que em 1950, e muito melhor do que em 1960. O desenvolvimento não é uma linha reta. O Brasil tem uma democracia muito jovem. Embora sejam quinhentos anos desde a descoberta, passamos trezentos anos como colônia portuguesa e cem anos de império independente, mas subordinado incondicionalmente ao Império Britânico. A partir de 1889, como um regime republicano, avançamos mais ainda de maneira insuficiente. Somente a partir de Getúlio Vargas – com a Constituição 1934 – demos os primeiros passos na construção de uma nação soberana e democrática. Seguiram-se várias décadas de avanços e retrocessos especialmente, neste último caso, de vinte anos de uma cruel ditadura militar! O processo constituinte de 1988 foi um avanço significativo, mas ainda não temos uma democracia madura: dos quinhentos anos de existência desde a descoberta, temos apenas trinta anos de uma Constituição Cidadã.

Tornei-me vitalício, mas continuo extremamente otimista. Vamos construir uma grande Nação. No documento aos presidenciáveis, em 2018, já avaliávamos que o Brasil do século XXI tem a possibilidade de se tornar um grande País. Na ocasião nós já dizíamos que na segunda metade do século XXI esse País vai ser protagonista. E, nos debates que estamos organizando neste ano de 2019 já consolidamos o tema: “Brasil: Nação Protagonista”.

 

Sergio Medina Quintella

Entrei para o Clube em 1960, como sócio aspirante, no 4º ano da Faculdade. São, portanto, 59 anos de história. Em meus mandatos no Conselho Diretor do Clube de Engenharia o que mais me impactou foi a forma como o Clube sempre agiu em relação à defesa da classe e da Engenharia.

Entre as minhas contribuições mais significativas para o Clube de Engenharia destaco a participação em comissões, como a reforma do Regimento Interno; o Grupo de Trabalho para a formulação de um Convênio com o Ministério Público e a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], assim como a participação, como conselheiro, no Conselho Editorial.

Como Conselheiro Vitalício sinto-me surpreso e envaidecido por ter alcançado tal honraria. Agradeço a oportunidade e faço questão de reafirmar a coerência em todos esses anos do comportamento dos vários presidentes para com a classe dos engenheiros e arquitetos, e os efeitos que geram até hoje no bom conceito e no respeito que marca a imagem do Clube na sociedade.

 

Telma Salesa Santana da Silva

Sou formada em Física e Engenharia, com mestrado em Meio Ambiente, Administração e Economia. Já atuei como professora de ensino médio e universitário e fui especialista ambiental em trabalhos realizados na Bolívia. Para além de meus conhecimentos técnicos escolhi, em 1982, o Clube de Engenharia para compartilhar meus conhecimentos profissionais e de vida. Foram cinco mandatos (1997, 2000, 2005, 2008, 2011) e uma longa história de construção de inúmeros projetos, grandes amigos e muitas ações, com destaque para a participação nas Divisões Técnicas Especializadas, em palestras, e na formulação de propostas para obter Bolsas de Estudo e Bolsas de Emprego para jovens engenheiros. Depois de 37 anos como associada, já sócia remida, ex-conselheira, tomei posse em 28 de janeiro de 2019, como Conselheira Vitalícia.

Vim do Rio Grande do Norte e me formei em Engenheira Civil na Universidade Veiga de Almeida (UVA), com Licenciatura e Bacharelado em Física na Fundação Técnico Educacional Souza Marques (FTESM). Tenho o Curso de Especialização e Mestrado em Saneamento e Meio ambiente e Economia Industrial. Entre muitas outras atividades na área de Engenharia, fui representante do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia em 1987, 1990 e 1993; representante do Crea-RJ na Rio 92 e professora de Estrutura Ambiental na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Em 28 de março de 2019 lancei, na galeria do 22º andar do Clube de Engenharia, cinco obras pela editora Autografia, todas elas com títulos que falam de Vida e Sociedade, entre elas, “Vida e sociedade nos Andes Bolivianos” e “Vida e sociedade pós Lei Áurea”.

“Vida e Sociedade pós Lei Áurea” é dedicado a meu padrinho, nascido em 1886, que viveu os últimos anos da escravidão no Brasil e também o período pós-abolição e me contou inúmeras histórias sobre a vida da época no sertão sergipano. Minha experiência profissional e pessoal na Bolívia, entre 2006 e 2008, gerou o livro “Vida e Sociedade nos Andes Bolivianos”. Lá, trabalhei com estradas de rodagem, pesquisando a satisfação dos moradores do local, e também pude conhecer as paisagens e povos dos Andes bolivianos. O hábito de escrever vem de muito tempo, mais precisamente desde os 12 anos, com a autoria de mais de 150 poemas, alguns já publicados.

 

Wagner Granja Victer

Foram seis mandatos como conselheiro, mas na realidade o que mais me impactou foi minha vida no Clube de Engenharia. Entrei aqui quando era estudante, e sempre militei pelo Clube, sempre participei de debates. Isso foi fundamental para a minha formação. Fui duas vezes chefe da DTE de Engenharia Econômica, duas vezes da DTE de Energia. O Clube está diretamente ligado à minha formação profissional, minha formação intelectual e minha formação como engenheiro.

Tomei essa decisão quando era estudante de engenharia. Um dia, em uma palestra na faculdade, me falaram que existia o Clube de Engenharia, e me interessei. Vim, visitei, conheci as instalações. Se não me engano foi em 1981, portanto, 37 anos atrás. Era formado como técnico, mas estudante de engenharia, e comecei a participar de palestras e debates, e me interessar muito por tudo.

Organizei dezenas de palestras aqui no Clube de Engenharia. É até difícil lembrar, destacar algumas. É bacana lembrar as minhas participações como chefe das divisões técnicas de Engenharia Econômica e de Energia. Participávamos de palestras importantes, em defesa da Petrobras, contra a privatização do setor de gás natural, pelo desenvolvimento. Realizamos palestras muito interessantes com Batista Vidal, com Barbosa Lima Sobrinho… O Clube sempre foi um fórum para discutir assuntos do interesse do Brasil, da Engenharia, e em defesa do estado do Rio de Janeiro.

É verdade que aquele que entra como estudante não se projeta um dia como conselheiro vitalício do Clube de Engenharia. E, simbolicamente, no mesmo dia em que eu viro Conselheiro Vitalício, o meu filho veio receber a carteira de sócio aspirante, começando um processo semelhante ao que eu conheci. Então é uma maneira de estar pensando o Clube de Engenharia não só no seu passado, mas olhando para o futuro. Uma casa que tem tradição, que traz a história de pessoas que passaram por esta casa e foram marcos da Engenharia. Isso para mim é muito importante. É uma emoção muito especial.

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