Novo Livro de Edson Monteiro: a Engenharia no final do século XIX e início do XX

Edson Monteiro: “O Clube de Engenharia é protagonista fundamental no final do século XIX e início do século XX da soberania brasileira”.
Foto: Jhonattas Santos

“Não há crise na Engenharia que apague sua importância no País e que impeça a escrita de sua história.” A afirmação é do conselheiro Edson Monteiro no lançamento do livro “Trajetória Histórico-Social da Engenharia Brasileira: Tomo II do final do Século XIX ao final de 1929”, da Editora Letra Capital. Engenheiro mecânico, mestre em Ciências de Engenharia de Materiais e Metalurgia pela COPPE-UFRJ, o autor é professor do Instituto Universitário de Pesquisas da Universidade Cândido Mendes (IUPERJ).

A obra, lançada no Clube de Engenharia, em 08 de abril, é a continuação do Tomo I, de 2017: “Trajetória histórico-social da Engenharia Brasileira. Tomo I – Dos primórdios coloniais ao quase-final do Século XIX”. O segundo volume, apesar de representar um período mais curto comparado ao primeiro, é representativo de uma época de desenvolvimento mais intenso da engenharia no país. Segundo o autor, somente a partir da metade do século XIX é possível registrar iniciativas de engenharia reconhecidamente nacionais, o que faz com que, de certa forma, seja possível afirmar que a profissão é jovem.

Em sua apresentação, Edson Monteiro afirmou: “O Clube de Engenharia é o protagonista fundamental no final do século XIX e início do século XX da soberania brasileira”.

Rico em imagens históricas, fotos, gravuras, mapas, recortes de jornal e transcrição de documentos e cartas, o livro tem prefácio do presidente da Academia Nacional de Engenharia (ANE) e ex-presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, que destaca o espírito de conservação e respeito do autor pela cultura da Engenharia Nacional e recomenda a obra como registro histórico e social do país. “Trata-se de brilhante perspectiva histórica que certamente despertará o interesse não apenas dos engenheiros, mas de todos os que sabem o valor do passado como semente do porvir”.

O evento foi promovido pela Diretoria de Atividades Culturais, com apresentação do diretor Cesar Drucker, que deu ênfase à qualidade da obra, com grande quantidade de informações não somente sobre os acontecimentos que desenvolveram a engenharia do país como também sobre a história política e administrativa do Brasil.

Engenheiros e industriais, sem a visão do trabalhador

Dentre nomes importantes para a engenharia da época, Edson Monteiro citou o presidente Rodrigues Alves (1902-1906), em cujo governo foram realizadas grandes obras; engenheiro Paulo de Frontin, patrono da engenharia nacional; e o engenheiro André Rebouças, grande mentor abolicionista, que lutava corajosamente pela erradicação da escravatura e estava ligado ao Clube de Engenharia e à Escola Politécnica, tendo sido um aglutinador do exercício e do estudo de engenharia. O protagonismo de Rebouças aumentou os prestígios do Clube de Engenharia e da Escola Politécnica. Mesmo assim, a Casa da Engenharia já era, desde sua fundação, voltada para as grandes questões nacionais.

Edson Monteiro lembrou, ainda, o nome de Conrado Niemeyer, que fundou o Clube em 1880 e “teve o lampejo de dizer que não se resolveria o problema do Brasil e da sociedade brasileira se não se juntassem os grupos, então independentes, dos engenheiros e dos industriais.”

Na época, os industrialistas começavam a crescer em importância econômica, mas havia resistências: ainda não se dava tanta importância à indústria e à engenharia porque o Brasil era dominado pelos interesses dos cafeicultores. Neste ponto, Monteiro faz um paralelo com a crise que a engenharia vive nos dias atuais: “Hoje não estamos tendo muita importância na indústria porque os acontecimentos da Lava Jato afetaram as grandes empresas de engenharia. Assim como naquela época a indústria não era privilegiada, agora também não é, haja vista os índices da economia. Mas nós temos expectativa de que ela possa se reerguer, porque o desenvolvimento brasileiro depende da indústria”, afirmou.

Mesmo com obstáculos, no período abordado no Tomo II foram desenvolvidas grandes obras no País, como estradas e ferrovias, importantes para a conquista de autonomia territorial. Mas faltava a visão do homem trabalhador como principal fator de desenvolvimento.

Inspiração, pesquisas e trabalho

Segundo o autor, a motivação maior para dar início à nova obra foi a curiosidade de saber como a profissão que abraçou chegou ao que é hoje. E esclarece o caráter histórico-social presente no título: “Esse não é um livro de história. É um ensaio, uma análise crítica feita por um cidadão já idoso que teve em sua vida a oportunidade de apreciar certas atitudes e certos acontecimentos históricos. Mas como esses acontecimentos históricos tiveram influência na sociedade brasileira? E onde o engenheiro, profissional de todos os segmentos, contribuiu? Esse é o cerne do meu trabalho”.

Os livros de Edson Monteiro são frutos de intensa pesquisa do autor, com muita consulta em jornais antigos, Internet e pesquisas na biblioteca do Clube de Engenharia, que guarda relatos das grandes discussões da área. O esforço para gerar uma obra isenta faz com que Monteiro procure informações que contestem e complementem outros dados. “Meu trabalho é de profunda isenção. Não tem propaganda de nenhuma tendência, embora tenha consultado todas as tendências e opiniões”.

A produção de cada obra dura cerca de dois anos: o Tomo I, lançado em 2017, estava em produção desde 2015, e somente agora, em 2019, foi concluído o Tomo II. O autor deu uma prévia do que projeta para os próximos Tomos: “revoluções e quebras de paradigma”, revela. O volume III vai abordar de 1930 a 1945, período convencionalmente chamado de Era Vargas, com estudos que estão sendo realizados para que a obra não seja uma simples repetição de outros livros já escritos sobre o período. Já para o volume IV a expectativa é abordar a trajetória sócio-histórica da engenharia brasileira desde 1945, passando pelo período de intenso desenvolvimento, nos anos 40 e 50, incluindo os acontecimentos que levaram ao período militar, até 1988, com a assinatura da nova Constituição. A partir daí, Edson Monteiro entende que seria um livro externo à série em questão, por abordar questões específicas fora da engenharia.

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