Internet das Coisas como ferramenta de monitoramento para a Engenharia

Delfim Corrêa apresentou aplicações da Internet das Coisas em áreas como saneamento e barragens. Foto: Fernando Alvim

A Internet tem transformado os setores produtivos em todo o mundo. A criação de  novas ferramentas pode otimizar e baratear processos produtivos, e uma delas é a chamada Internet das Coisas, que ganha relevância com a promessa de permitir o monitoramento de dados de forma mais rápida, barata e segura. Para exemplificar a crescente aplicabilidade dessa tecnologia nas diferentes áreas da Engenharia, o Clube de Engenharia recebeu, no dia 27 de março, o engenheiro civil Delfim J. T. Corrêa, para a palestra “Novas tecnologias de monitoramento e sensoriamento e suas aplicações em Engenharia”.

Pós-graduado em Administração de Empresas, com experiência em Tecnologia de Informação e Telecomunicações, Corrêa explicou os fundamentos e aplicações da Internet das Coisas. Segundo ele, trata-se de uma tecnologia baseada em eventos, diferente da Internet convencional, e representa uma nova possibilidade de uso da rede. Isso significa que ferramentas de monitoramento e sensoriamento podem ser utilizadas para, de forma programada, coletar dados específicos, em tempo específico, de forma a permitir uma visão mais controlada de um determinado contexto.

É um uso relativamente novo e crescente da Internet. “A estimativa é que por volta de 2021 existam sete sensores por pessoa na face da Terra. É uma indústria de bilhões e bilhões de dólares”, disse ele, lembrando que outras tecnologias recentes, como Inteligência Artificial (automatização e aprendizado de máquina) podem se integrar à Internet das Coisas.

Eficiência na transmissão de dados

A inovação trazida pela Internet das Coisas, segundo Delfim Corrêa, é a possibilidade de transmissão de dados a partir de protocolos técnicos específicos, que não usam as redes tradicionais de telecomunicações e que utilizam baixa quantidade de energia para transmissão de dados a longas distâncias. Um ponto crucial, segundo ele, é que sejam também utilizadas ferramentas para garantir a segurança da informação, como criptografia.

“Quando falamos em aplicação Bluetooth, como de impressoras de escritório, estamos falando em um metro, um metro e meio [de raio de alcance]. Quando falamos em wi-fi, cerca de 150 metros. Quando falamos em ligação via celular, estamos numa faixa de três quilômetros de raio. Quando falamos em aplicação de Internet das Coisas, a faixa é de até 16 quilômetros. Para cobrir [o monitoramento] de uma barragem, é um raio muito confortável”, exemplificou Corrêa.

Aplicação profissional

O palestrante destacou que o uso de Internet das Coisas deve ser alinhado ao contexto de cada empreendimento, integrando-se às ferramentas de monitoramento já existentes. “Não estamos falando de aplicação doméstica, mas profissional. De uma forma geral, as principais áreas hoje no mercado [que usam Internet das Coisas] são industrial, infraestrutura, varejo, serviços financeiros e saúde”, disse ele.

“O mesmo tipo de tecnologia, aplicada em um contexto mais sério e produtivo, pode trazer vantagens muito grandes. Estritamente do ponto de vista da aplicação, é possível controlar a quantidade de ovos na geladeira ou tomar a medida do piezômetro dentro de uma barragem para evitar vazamento ou rompimento”, exemplificou o engenheiro, que respondeu a uma pergunta sobre o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, no início deste ano, afirmando que a Internet das Coisas pode ser uma aliada para trazer mais segurança a esse tipo de empreendimento.

Na Engenharia, Corrêa afirmou que áreas como saneamento, barragens, tráfego e sistemas elétricos podem se beneficiar da tecnologia. “Na Engenharia, a palavra talvez mais importante é monitoramento, que é basicamente controlar o processo, racionalizar o consumo, ter um processo de otimização contínua”, esclareceu. “Por exemplo, numa estação de tratamento de água, fazer a produção e armazenamento em função da estimativa populacional, significa usar a energia de forma mais racional possível, energia que é o principal insumo dentro do processo de tratamento de água”, disse ele.

“Uma tecnologia como essa muda a forma de pensar. Possibilidades que até então eram inviáveis, hoje são perfeitamente exequíveis em curto prazo”, concluiu Corrêa.

A palestra foi promovida pela Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) e pelas Divisões Técnicas de Recursos Hídricos e Saneamento (DRHS), Energia (DEN) e Geotecnia (DTG).

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