Novos paradigmas em negócios: estratégias de transformação digital

Octavio Pitaluga Neto, Fátima Sobral Fernandes e Elisabeth Gomes apresentaram diferentes estratégias de gestão para a adequação dos negócios à Indústria 4.0. Foto: Juliana Portella

Os desafios da Indústria 4.0, da inovação tecnológica e das mudanças no mercado de trabalho são hoje temas permanentes na programação de debates do Clube de Engenharia. No dia 4 de julho, a palestra “Transformação digital de negócios: gerencie talentos, stakeholders e conhecimento” trouxe importantes contribuições para a discussão. Os convidados foram Fátima Sobral Fernandes, conselheira vitalícia do Clube de Engenharia, sócia da Transcenderte Desenvolvimento Humano e Organizacional e Professora Associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Octavio Pitaluga Neto, criador do conceito CNO (Chief Networking Officer), e CNO da Taq Taq; e Elisabeth Gomes, engenheira, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e sócia da Dupla Consultoria.

Na abertura do evento, o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, destacou que o uso de tecnologias digitais há décadas vem transformando radicalmente os negócios, embora esse processo tenha cada vez mais se intensificado. “Quem não acompanhar a mudança vai ficar fora do jogo”, alertou.

4ª Revolução Industrial
Fátima Sobral Fernandes explicou que a transformação digital é um conceito que se relaciona a todo o universo dos negócios. “É a presença e integração de coisas, conectadas e inteligentes, com pessoas e negócios”, afirmou. “Cada vez mais inteligências, sensores e robôs objetivam melhorar o desempenho de processos e de equipamentos, reduzir necessidade de manutenção e, teoricamente, produzir mais bens e serviços a custos mais acessíveis para uma quantidade maior de pessoas”. Segundo ela, trata-se de um conceito atrelado à chamada 4ª Revolução Industrial, quando tecnologias digitais estão no cerne da produção de bens e serviços. “O Brasil já entrou atrasado na Revolução Industrial. Se não tivermos políticas de Ciência e Tecnologia vamos nos atrasar mais ainda e talvez percamos o bonde da história”, destacou a conselheira.

Gestão de talentos
“O desafio é definir uma estratégia, que deve ser desenvolvida por líderes digitais de topo, e aí entra a gestão de talentos”, explicou Fátima. Esse líder precisa ter algumas características, como visão sistêmica e global, conhecimento de gestão estratégica, de inovação e de mudanças, foco nas pessoas e mente aberta, entre outras coisas — além de uma preocupação genuína com os trabalhadores que não se adequam às mudanças atuais e que podem ficar desempregados. Fátima defendeu a importância de uma capacitação profissional flexível, adaptável e motivada, além de alto desenvolvimento de inteligência emocional e cognitiva. Uma gestão estratégica, segundo ela, deverá traçar um planejamento contínuo desse processo, identificando a complexidade das mudanças e criando fases de criação, realização e avaliação das ações empregadas. “O que fica para mim de lição é que é fundamental, para a empregabilidade e para a capacidade de empreender de cada um de nós, com emprego formal ou sem emprego formal, que a gente reconheça nosso potencial, que a gente se conheça 360º, identificando nosso propósito, missão e talentos”, afirmou a palestrante. “Precisamos retomar nossa humanidade. É o que vai nos ajudar a engendrar e a desenhar soluções que sejam coletivamente melhores”, salientou.

Gestão de partes interessadas
Octavio Pitaluga Neto apresentou o conceito de Chief Networking Officer (CNO), uma espécie de “diretor de relacionamentos”. Segundo ele, todas as empresas estão inseridas em uma rede de stakeholders (partes interessadas), que são clientes (atuais e potenciais), fornecedores, comunidade, academia, serviços profissionais, instituições financeiras, competidores, investidores, governo, mídia e parceiros, entre outros. “Ser um CNO, Chief Networking Officer é montar e expandir uma rede ideal, porque ela pode mudar a cada tempo”, explicou Octavio. Segundo ele, o CNO é comumente um profissional sênior, capaz de gerenciar as parcerias e estratégias e de atuar como um treinador (coach) dos trabalhadores. Esse profissional criará uma Gestão de Redes e Negócios (GRN) a partir de uma série de processos, incluindo a definição de metas, sucessos e riscos, avaliação e gerência da rede, e planos de ação. “O único stakeholder que você tem controle sobre é sua rede interna. 95% do restante você precisará negociar”, explicou Octavio. Os benefícios dessa negociação, segundo Octavio, são muitos, como o fortalecimento da equipe interna e da cultura da empresa, além de haver a oportunidade de expandir projetos e negócios.

Gestão de conhecimento
Para Elisabeth Gomes, a gestão conhecimento é uma estratégia primordial da transformação digital. Trata-se de entender quais conhecimentos precisam ser retidos e compartilhados à luz da digitalização, pensando nas pessoas e nos clientes. Isso porque um dos fatos da transformação digital é o impacto sobre os empregos, com empresas reduzindo a mão de obra devido à automação e contratando pessoal cada vez mais qualificado. A possível perda de conhecimento é uma realidade, portanto. “A gestão de conhecimento é uma arte que envolve processos, pessoas e tecnologia”, explicou Elisabeth, que lembrou, no entanto, que não se trata de algo novo. O que existe de novidade, segundo ela, é a urgência de se criar práticas eficientes, e a possibilidade de se utilizar tecnologias como processamento de grandes quantidades de dados (big data), redes sociais e a própria Internet para que isso seja feito com mais qualidade. Trata-se de uma estratégia que busca reter o conhecimento que é crítico à execução dos negócios.

O evento foi promovido pela Presidência e a Diretoria de Atividades Técnicas – DAT.

Clique aqui para ver a palestra na íntegra no canal do Youtube do Clube de Engenharia

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