Solução simples para corrosão em obras de concreto

Luiz Paulo Gomes esclareceu o processo que substitui as pilhas de corrosão para preservar o aço. Foto: Fernando Alvim.

Grande parte do Rio de Janeiro, cidade litorânea, foi construída em concreto armado, estrutura que tem, em seu interior, barras de aço. Para garantir a durabilidade dos empreendimentos, principalmente em um município tão exposto à combinação de água e sal, faz-se necessário evitar a corrosão das barras. “Corrosão e Proteção Catódica em Obras de Concreto” foi o tema abordado, em 10 de Julho, no Clube de Engenharia, pelos palestrantes Luiz Paulo Gomes, engenheiro civil, colunista técnico e autor do livro Sistemas de Proteção Catódica, e Luiz Eduardo Cardoso, engenheiro civil pós-graduado em Estruturas.

Ao abrir o encontro, o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, enfatizou o cuidado que se deve ter com as obras em concreto armado, principalmente nas grandes, como a Ponte Rio Niterói. Lembrou que esta tecnologia é empregada há menos de 100 anos e sua vida útil não é conhecida. Prescinde, portanto, de manutenção. “A iniciativa desta palestra, além da discussão teórica do problema, para nós que vivemos no Rio, tem um significado muito importante porque lidamos com esse problema e vamos lidar cada vez mais no cotidiano”, afirmou.

Corrosão fragiliza concreto
A corrosão, fenômeno comum, pode acontecer em qualquer estrutura de aço que não esteja devidamente protegida. É o caso de instalações de aço enterradas, como tanques de água, ou submersas, tais como as de exploração de petróleo offshore. Porém, o foco da palestra de Luiz Paulo Gomes foi nas instalações de aço embutidas em concreto. Neste caso, diferentemente das estruturas em contato direto com a água salgada, a proteção do aço deveria ser garantida pelo concreto. Segundo Luiz Paulo Gomes, o concreto íntegro, ou seja, com pH elevado e alta resistividade elétrica, não permite que o aço embutido se corroa. Fora dessas condições, com a entrada de umidade e cloreto, os poluentes abaixam o pH e a resistividade elétrica. O aço fica exposto. O que se forma é a chamada “pilha de corrosão”: a existência de dois materiais metálicos próximos, com presença também de água e sal, faz com que a diferença de potencial entre os dois materiais cause uma circulação de corrente elétrica. É esse fenômeno que corrói o aço na presença de ferro. Este risco, dentro do concreto, pode ser combatido de três formas, segundo Gomes: revestimento da peça de aço para isolá-la do eletrólito formado; adição de água doce no ambiente, que vai dificultar o funcionamento da pilha; e a inserção de um material metálico mais eletronegativo do que o aço que cause a inversão da corrosão. Neste método, a nova peça seria corroída e a de aço ficaria preservada.

É exatamente nisto que se baseia a proteção catódica: são instalados nas estruturas anodos catódicos que podem ser de zinco, alumínio ou magnésio. Eles irão formar outra pilha de corrosão e serão corroídos, mas o aço fica protegido. Trata-se de uma técnica muito utilizada em embarcações, que têm contato direto com a água do mar, mas também pode ser empregada na engenharia civil, tanto preventivamente, durante a construção, quanto para recuperação de concreto, esteja com ferragens aparentes ou não. Segundo o palestrante, os anodos podem ser facilmente instalados pela equipe responsável pela obra. Para checar se uma determinada estrutura de concreto está sofrendo corrosão nas ferragens internas, é preciso utilizar um medidor de potencial, aparelho que irá identificar corrosão ativa ou moderada, e a ausência de processo corrosivo. A contenção de corrosão ativa é importante para evitar não somente a intensificação do problema como também para garantir a integridade da estrutura como um todo. Como esclareceu Luiz Paulo Gomes, na corrosão a estrutura metálica pode se expandir, aumentando seu volume e rompendo o concreto.

Luiz Eduardo Cardoso enfatizou a importância de haver uma preocupação de todos com a corrosão. Foto: Fernando Alvim.

Risco em numerosas situações
Em sua apresentação, Luiz Eduardo Cardoso enfatizou a importância de haver uma preocupação comum em um projeto de nova obra ou recuperação, a respeito da proteção contra corrosão. Deve ser prioridade tanto para quem projeta quanto para quem executa. Além disso, a necessidade de proteção deve ser identificada dentro do contexto, pois mesmo as normas técnicas podem ter brechas que, em determinado ambiente, favoreçam a corrosão. Segundo demonstrou o engenheiro, existe uma grande diversidade de eventos que favorecem a ocorrência do processo corrosivo, desde uma pequena fissura, inclusive as que são causadas por concretagens em cima de concreto já existente ignorando as juntas. Com a entrada de umidade em um poro do concreto, ele perde seu pH alcalino e se fragiliza. Como Luiz Paulo Gomes, Cardoso destacou a importância de se executar a medição de potencial no concreto com certa frequência. “Se nós queremos segurança e durabilidade das estruturas, temos que rever os procedimentos e temos que rever a cultura, porque a cultura irá nos levar aos procedimentos adequados”, afirmou.

O evento foi promovido pelo Clube de Engenharia, Diretoria de Atividades Técnicas (DAT), Divisão Técnica de Estrutras (DES), com apoio da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE) e do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON).

Receba nossos informes!

Cadastre seu e-mail para receber nossos informes eletrônicos.

O Clube de Engenharia não envia mensagens não solicitadas.
Skip to content