Empreendedorismo: o engenheiro como protagonista de sua carreira

Leonardo Pereira levantou reflexões sobre ter atitude empreendedora independente de estar desempregado. Foto: Carolina Vaz

Com altos índices de desemprego, o mercado de trabalho em Engenharia tem se mostrado dramático, tanto para os novos na área quanto para os de maior experiência. A perspectiva de mudança e o caminho para que ela ocorra foi o tema da palestra do engenheiro mecânico, especializado em Petróleo e Energia, Leonardo Pereira: “Como o engenheiro pode se tornar protagonista em sua vida profissional como empreendedor”, realizada em 11 de Julho.

Para Pereira, alguns fatores podem contribuir para um novo comportamento dos engenheiros nesse contexto. Um deles é a crescente busca por inovação na engenharia, principalmente no Brasil, que não está entre os países mais inovadores do mundo. Segundo o índice de inovação da Bloomberg (Bloomberg Innovation Index) de 2019, o Brasil ocupa o 45º lugar. Está na quarta posição na região da América Latina, de acordo com o Global Innovation Index 2018. Outro fator a ser considerado é que além da estagnação de algumas áreas da Engenharia e da grande quantidade de desempregados, as demandas sociais do Brasil não diminuem. Assim, o objetivo da palestra foi mostrar que é possível atender às demandas de inovação que o país possui seguindo um caminho empreendedor.

Os desafios do engenheiro em 2019

De acordo com pesquisa conduzida pelo próprio palestrante, os maiores problemas que os engenheiros enfrentam hoje são frustração profissional e sensação de estagnação ou atraso na carreira. Muitos querem mudar e não sabem como. O desestímulo leva às principais dificuldades e desafios para começar a empreender, identificados na mesma pesquisa: falta de clareza sobre que atividade executar; dificuldades financeiras; falta de incentivo, oportunidade e apoio; e burocracia. No entanto, muitas vezes as soluções estão mais perto do que se imagina: a abertura de startups exige recursos, mas nem tanto, podendo começar com um programa de incubação. E a questão do apoio pode ser conquistada em universidades, editais de empresas em busca de inovação, de entidades governamentais, da sociedade civil, etc. “Você não tem que concorrer com a Petrobras, tem que buscar formas de atender às necessidades da Petrobras”, exemplificou o palestrante.

 Uma questão de atitude

Para Leonardo Pereira, falta na formação em engenharia no Brasil a criação de um espírito empreendedor: os profissionais são formados, majoritariamente, para o mercado de trabalho tradicional. Ele explicou que um profissional ter esse comportamento não significa necessariamente abrir um novo negócio, mas sim ter uma atitude empreendedora, por exemplo, dentro da empresa onde já atua. O ideal é que tanto a empresa esteja aberta a novas ideias quanto o profissional se sinta à vontade para sugeri-las. Segundo o engenheiro, é exatamente a demanda por inovação que tem levado muitas grandes empresas a “terceirizar” esta parte do trabalho, lançando edital para contratar startups com a finalidade de execução de projetos. Muitos profissionais sequer sabem deste tipo de oportunidade. Este foi, em parte, o percurso do próprio palestrante, que já participou de um programa de inovação de uma grande empresa petroleira e depois de uma incubação de empresas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A experiência o levou a criar o blog O Engenheiro Empreendedor.

É impossível empreender sozinho

Leonardo enumerou três aprendizados que teve como empreendedor: clareza sobre em que área atuar; necessidade de ter recurso financeiro para começar o negócio; e a impossibilidade de começar sozinho. Segundo ele, existe um senso comum de que o trabalho do engenheiro é muito individual, e até competitivo, mas a verdade é que só surgirão oportunidades se forem criadas conexões com outros engenheiros e possíveis empreendedores. “Se você não compartilhar sua ideia com ninguém, ela provavelmente nunca vai sair do papel”, afirmou.

O evento foi promovido pelo Clube de Engenharia, Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) e divisões técnicas de Exercício Profissional (DEP), Formação do Engenheiro (DFE), Construção (DCO), Ciência e Tecnologia (DCTEC), Eletrônica e Tecnologia da Informação (DETI), Manutenção (DMA) e Estruturas (DES).

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