O Clube de Engenharia foi representado por seu ex-presidente, Francis Bogossian, no Seminário "Perspectivas e desafios para a infraestrutura brasileira", no dia 25 de novembro, no Centro Cultural da Fundação Getulio Vargas. O evento contou com a participação, na abertura, de Carlos Simonsen, presidente da Fundação Getulio Vargas (FGV); Benjamin Zymler, ministro do Tribunal de Contas da União; Almirante-de-Esquadra Bento de Albuquerque, ministro de Minas e Energia; Wagner de Campos Rosário, ministro da Transparência e Controladoria Geral da União; Marcos Rogério da Silva Brito, presidente da Comissão de Serviços de Infraestrutura; e Marcelo Sampaio Cunha Filho, Secretário-executivo do Ministério da Infraestrutura.

Francis Boggosian participou do terceiro painel, “Conservação e manutenção da infraestrutura existente”, junto a Antônio Leite dos Santos Filho, Diretor-Geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT); General de Brigada Paulo Roberto Viana Rabelo, Diretor de Obras de Cooperação do Exército Brasileiro; e Vitor Aly, Secretário de Infraestrutura Urbana e Obras do Município de São Paulo, além do moderador Weder de Oliveira, Ministro-Substituto do Tribunal de Contas da União.

Da esquerda para a direita: Vitor Aly, Antônio dos Santos Filhos, o moderador Weder de Oliveira, General de Brigada Paulo Rabelo, e Francis Bogossian. Foto: Reprodução.

Boas práticas nas obras de engenharia

Participando do último painel, o vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), presidente da Academia Nacional de Engenharia (ANE) e ex-presidente do Clube Francis Bogossian levou a visão técnica da engenharia a respeito da precariedade de obras e projetos atualmente. Segundo o engenheiro, os problemas passam por pouca disponibilidade de recursos; prazo curto para execução de obras; priorização do menor preço; falta de responsabilidade do cliente em exigir projetos e do projetista em realizar ou demandar estudos detalhados; e até mesmo gestão deficiente. Bogossian lamentou a falta da priorização da qualidade nas obras públicas: “Em uma obra de engenharia, além dos aspectos técnicos, a questão econômica é determinante na escolha da melhor solução.  Em um quadro de escassez de recursos federais, estaduais e municipais, a correta aplicação das verbas disponíveis precisaria ser um objetivo constante dos órgãos públicos, o que não vem acontecendo. Os riscos econômicos e humanos ao se adotar uma solução que, devido ao baixo custo, deixe a desejar tecnicamente, são muito altos”.

Trata-se de uma série de deficiências - tanto de recurso quanto de gestão - que geram como consequências obras abandonadas, acidentes, custos elevados de manutenção futura e insatisfação do cliente e da sociedade em geral. Para o presidente da ANE, deveriam ser premissas nas contratações de obras os custos e prazos serem coerentes com a realidade; a licitação acontecer pelo melhor e não o menor preço; e a responsabilização do gestor público no caso de paralisação da obra. Ele ainda enfatizou a importância da manutenção, que quando realizada adequadamente evita acidentes e reparações custosas. “É fundamental que se mude no Brasil a cultura da reparação pela prevenção, para a qual a manutenção é um dos principais pilares”, afirmou.

A manutenção em primeiro lugar

Manutenção também foi o foco na fala de Antônio Santos Filho, Diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O gestor explicou que, diante de expressiva redução de orçamento do Departamento nos últimos cinco anos - de 18 bilhões para 5 bilhões de reais anuais - a manutenção das vias terrestres e aquáticas é a prioridade máxima. As demais atividades envolvem realizar obras em corredores logísticos, por serem estratégicos, e dar continuidade a obras próximas da conclusão. Assim, o DNIT evita começar novas obras no país e busca melhorar a fiscalização das que se encontram em execução, em prol de otimizar a gestão. Outra experiência com obras públicas foi relatada pelo General de Brigada Paulo Rabelo, Diretor de Obras de Cooperação do Exército Brasileiro. Rabelo apresentou a colaboração do exército na construção e manutenção de rodovias, como a BR-163, no Pará, e a BR-116, no Rio Grande do Sul, realizando respectivamente pavimentação e duplicação. Segundo o general, as ações de engenharia do Exército seguem os pilares de confiabilidade, qualidade técnica, auditoria e controle.

Por fim, a experiência na gestão de pontes e viadutos em grandes cidades, neste caso a maior cidade do país, foi exposta por Vitor Aly, Secretário de Infraestrutura Urbana e Obras do Município de São Paulo. Aly detalhou a ação da prefeitura, desde o início de 2019, na busca por uma empresa que pudesse fazer a vistoria emergencial das obras de arte do município, que acabaram por se revelar um total de 220 pontes e viadutos. Passando por problemas como os detalhes da licitação e a pequena quantidade de empresas de fato habilitadas, a secretaria hoje viabiliza três processos licitatórios, para a vistoria de 125 obras. "Nós estamos trabalhando com uma cultura de manutenção permanente ", afirmou.

Todo o seminário "Perspectivas e desafios para a infraestrutura brasileira" pode ser conferido no canal da FGV no Youtube, tanto os painéis da manhã quanto os painéis da tarde, incluindo "Conservação e manutenção da infraestrutura existente".

(Com informações da Academia Nacional de Engenharia - ANE)

 

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