Rios destacou o papel dos reservatórios na reserva de energia do país. Foto: arquivo pessoal.

Nos últimos 40 anos, a população brasileira cresceu 81% e o consumo de energia, 646%. Caminhos possíveis para evitar grandes problemas com escassez de energia, assim como de água, foram abordados na palestra "Soluções para a crise da água e de energia", com o conselheiro Jorge Rios, no dia 02 de outubro. Jorge Rios é ex-professor do CEFET, Instituto Militar de Engenharia (IME), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), entre outras instituições, além de ex-superintendente de Recursos Hídricos do Estado do Rio de Janeiro.

Para Jorge Rios, nenhuma decisão nessa área deve ser tomada precipitadamente: é preciso planejamento. E o planejamento pode fazer com que tanto a água quanto a energia sejam recursos sobre os quais o Brasil tenha mais garantias. Por exemplo, levando-se em conta que hoje no país a energia de geração mais barata é a gerada por hidrelétrica de grande porte, na sua opinião, esta pode ser a melhor aposta. As hidrelétricas de médio e pequeno porte estão em terceiro e quarto lugares, atrás da energia eólica.

Rios defende as hidrelétricas com grandes reservatórios, e lamenta que elas estejam hoje "criminalizadas" por organizações ambientais, o que vem levando o país a construir apenas usinas a fio d'água, como é o caso de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte. Esses três empreendimentos, se tivessem reservatórios, poderiam ter mais 2.400 MW médios. A restrição ainda inibe os múltiplos usos dos reservatórios, como navegação, lazer e irrigação, além de outras finalidades como regularização de vazões dos rios, controlando as cheias, afirma o chefe as Divisão Técnica de Recursos Hídricos e Saneamento (DRHS).

Crescimento desordenado e recursos naturais

Esgoto e água são só alguns dos problemas relacionados ao crescimento desordenado das cidades, o que pressiona a demanda por saneamento. É preciso haver uma ampliação dos sistemas de abastecimento de água, mas isso deve ser feito conforme recomendado na engenharia: com planos, projetos básicos, projetos executivos e as obras. Para Jorge Rios, o que vem sendo feito até agora não resolve problemas como a seca no Nordeste, enchentes no Sudeste e no Norte, e risco de falta de energia no país. Alternativas existentes, como dessalinização e transposição de rios devem ser pensadas caso a caso.

O conselheiro defende, para o Estado do Rio de Janeiro, o projeto do sistema Taquaril: um túnel subterrâneo com cerca de 47 quilômetros que levaria água do rio Paraíba do Sul para as cidades da Grande Niterói. Quanto à oferta de energia, Jorge Rios destacou que o Brasil não está entre os que consomem mais energia do mundo, mas precisamos garantir a eficácia do sistema elétrico. Uma vantagem já conquistada é o Sistema Interligado Nacional, que conta com grande participação das hidrelétricas, e garante que a energia produzida no país seja distribuída conforme a demanda, de modo que quando há seca no Sul, por exemplo, as chuvas do Norte otimizam as turbinas, cuja energia chega no Sul. Para Rios, o caminho para que não falte energia é investir nas hidrelétricas de grande porte. A outra alternativa é a usina térmica, que tem custo muito mais alto para o consumidor.

O evento foi promovido pelo Clube de Engenharia, Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) e Divisão Técnica de Recursos Hídricos e Saneamento (DRHS). Teve apoio das divisões técnicas de Engenharia do Ambiente (DEA) e Recursos Naturais Renováveis (DRNR), além da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) e Associação Brasileira de Profissionais Especializados na França (ABPEF).

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