Solo reforçado e solo grampeado: novas normas entram em discussão

Cristina Schmidt apresentou os principais pontos da nova norma para solo reforçado em aterro. Foto: Jhonattas Santos.

O acesso a boas práticas e normas vigentes é fundamental para a execução de obras de qualidade. A norma NBR 19286, de 2016, referente a muros em solos mecanicamente estabilizados, entrou em revisão no mesmo ano em que foi lançada, mobilizando a comunidade de engenheiros, geotécnicos e outros profissionais do país até setembro de 2019. Para apresentar a principais novidades da norma, o Clube de Engenharia e o Núcleo Regional Rio de Janeiro da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS-NRRJ) promoveram o evento "Aspectos das novas normas ABNT de muros e taludes em solo reforçado em aterros e solo grampeado", no dia 24 de outubro. O evento também teve promoção da Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) do Clube, Divisão Técnica de Geotecnia (DTG) e Comissão Técnica de Taludes da ABMS (CTT-ABMS).

Duas novas normas, um longo caminho

A engenheira Cristina Schmidt, representante da HUESKER e da ABMS, apresentou todo o processo pelo qual os profissionais envolvidos passaram para chegar à nova norma, que na verdade são duas. Começou em junho de 2016, com reuniões informais de membros da comunidade geotécnica insatisfeitos com a NBR 19286 lançada no mês de abril do mesmo ano. Somente em 2017 nasceu uma comissão para tratar de Muros e Taludes em Solos Reforçado, mas com a dedicação, no ano de 2018, ao assunto de solos grampeados, decidiu-se dividir a norma em duas partes. A primeira, tratando de solos reforçados em aterros, e a segunda sobre solos grampeados. Em setembro de 2019, depois de 44 reuniões reconhecidas pela ABNT, com 120 participantes presenciais e 30 via e-mail, finalmente foi enviado o texto final das normas para a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Schmidt enfatizou que se tratam de normas genéricas com diretrizes, que não podem ser consideradas como um manual de dimensionamento, um documento rígido. Ela explicou, ainda, que quando forem lançadas, vão cancelar a norma de Terra Armada original.

Solos reforçados em aterros

No que compete aos solos reforçados em aterros, a parte 1 da norma, foram feitas algumas definições, tais como os tipos de reforços que podem ser utilizados; a possibilidade de se usar materiais reciclados, como resíduos de construção, para o aterro; os elementos de reforços, sejam metálicos, em malha metálica ou geossintéticos; os ensaios que devem ser feitos em malhas metálicas e geossintéticos; os fatores de segurança dos tipos global e parcial, adaptados aos tipos de obras. A norma ainda recomenda ensaios mínimos obrigatórios no material a ser utilizado no aterro, e recomenda alguns ensaios não obrigatórios, tais como expansão e resistência ao cisalhamento. Também faz orientação de investigações geológico-geotécnicas, algumas obrigatórias, outras recomendadas. A mensuração de deslocamentos e deformações toleráveis também está definida no documento, assim como os sistemas de drenagem interna, externa e provisória. A parte 1 da NBR ainda definiu valores referentes a compactação e teor de umidade para os diferentes solos a serem trabalhados, o que gerou discordâncias e debates no evento.

Solos grampeados: orientações inéditas

A parte 2 da norma, referente a solos grampeados, foi apresentada por Eugenio da Cunha, engenheiro da INTERACT Engenharia, que explicou não ser uma revisão, mas uma nova norma. Desse modo, a equipe que se empenhou na elaboração do texto começou pela busca de referências, como normas internacionais e manuais já utilizados no Brasil, como o Manual da GeoRio. Teve como principais objetivos refletir a experiência nacional e propor um texto o mais abrangente possível, sem impor métodos e procedimentos específicos. Assim, a norma define os três tipos de grampos que podem ser utilizados: perfurados e preenchidos com material ligante, auto-perfurantes e cravados. Também trata de injeção e reinjeção de grampos perfurados, mas Eugenio explicou que a necessidade do procedimento deve ser definida em cada projeto, e o executor da obra pode propor uma metodologia alternativa, desde que aprovada pelo projetista. O engenheiro ainda colocou detalhes sobre o método construtivo, como investigações geológico-geotécnicas que podem ser executadas, investigação mínima obrigatória, e como executar os grampos nas escavações. Para além das orientações da norma, todo o método do solo grampeado de cada obra deve estar detalhado no projeto, de um modo que a obra apresente condições de estabilidade adequada durante a fases executiva e final. A resistência da interface solo-grampo e os sistemas de proteção contra corrosão da armação de aço também foram detalhados em norma e foram objeto de debate no evento.

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