Brasil Amanhã - encontros virtuais em tempos de pandemia

Temporada 05 - Último vídeo publicado em 08/12/2020

Em tempos de pandemia, com o país em quarentena, é da maior importância abrir canais de interlocução permanente com a sociedade brasileira e, em especial, com o Conselho Diretor e os associados do Clube de Engenharia. Essa é a proposta do Brasil Amanhã, que todas as terças-feiras e sextas-feiras, às 18h, estará no ar pelo YouTube e demais redes do Clube de Engenharia. Sem deixar de investir todos os nossos esforços na luta contra o coronavírus, queremos pensar o Brasil Amanhã, pós-pandemia.

Assista aos vídeos da série:

A política externa brasileira regrediu a olhos vistos nos últimos dois anos. É o que aponta o diplomata Adhemar Bahadian, convidado da websérie Brasil Amanhã #65. Nesse período deixamos de ter uma política centrada nos dispositivos constitucionais de 1988 e passamos a fazer uma política desorganizada, retrógrada, e que colocou o país em armadilhas diplomáticas com nossos principais aliados e parceiros comerciais, afirma. Nenhuma iniciativa relevante foi tomada no âmbito do desenvolvimento econômico, e o alinhamento submisso aos EUA não trouxe contrapartidas.

Para Bahadian, trata-se de um novo direcionamento que tem ligações diretas com a Emenda Constitucional do Teto dos Gastos, aprovada em 2016. Isso porque, apesar da propaganda de ser um mero ajuste fiscal, na prática a emenda significou o rompimento com os direitos sociais da Constituição de 1988, arrastando o Brasil novamente para uma posição neoliberalista e submissa.

Sem soberania interna, que significaria a promoção dos direitos sociais, não é possível uma posição soberana junto aos demais países. Com a pandemia, a insustentabilidade desse modelo ficou explícita: não só as desigualdades foram escancaradas, mas também a necessidade de investimento público tem sido apontada por economistas de todo o espectro político.

Adhemar Bahadian é diplomata aposentado, tendo atuado no Itamaraty por 45 anos. Foi embaixador do Brasil em Roma e representante do país junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Atualmente escreve aos domingos no Jornal do Brasil.

Publicado em 08/12.

Nenhuma revolução tecnológica foi tão profunda quanto a trazida com a Internet e as tecnologias digitais. Para Jorge Bittar, ex-presidente da Telebras e convidado da websérie Brasil Amanhã #64, a iminência do 5G no Brasil traz importantes desafios que reforçam a necessidade de se pautar desenvolvimento tecnológico estratégico. Isso porque o 5G não é apenas uma evolução incremental, mas uma infraestrutura sobre a qual novos serviços poderão florescer, como a Internet das Coisas, Inteligência Artificial e computação avançada em nuvem. Os EUA estão perdendo a corrida tecnológica para a China — inclusive no 5G — e, por isso, estão se movimentando geopoliticamente através da guerra comercial, que já envolve o Brasil. Se o País não se posicionar, principalmente a partir de um Projeto Nacional de Desenvolvimento Tecnológico que nos faça passar de consumidores para criadores de novas tecnologias, estaremos vulneráveis não só diante das disputas entre países, como no que se refere à segurança cibernética e à soberania nacional.

Jorge Ricardo Bittar é engenheiro eletrônico, formado pelo Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA). É conselheiro vitalício do Clube de Engenharia e foi presidente da Telebras. Nos anos 90, foi vereador na cidade do Rio de Janeiro, e entre 1999 e 2015 foi eleito deputado federal em quatro ocasiões. Ocupou cargos no governo estadual como Secretário de Planejamento e na Prefeitura do Rio de Janeiro como Secretário de Planejamento e de Habitação. Bittar já atuou na Embratel, foi presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro e diretor da Federação Nacional dos Engenheiros.

Publicado em 04/12.

O apagão no Amapá ocorrido em novembro de 2020 trouxe à tona algumas das mais conhecidas falhas da privatização do setor elétrico no Brasil. Para Cecy Maria Martins Marimon, convidada da websérie Brasil Amanhã #63, trata-se de um claro caso de negligência, tanto da empresa privada responsável pela distribuição de energia no Estado, quanto da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), responsável pela fiscalização. Um exemplo é o fato de um transformador reserva, que poderia ter tornado o apagão menos calamitoso, estar em manutenção desde o final de 2019. E coube à Eletrobras, empresa pública criada nos anos 1950, o papel de apoiar e buscar soluções para a crise. Cecy lembra que a Eletrobras foi responsável por criar um sistema elétrico nacional integrado, robusto e seguro, baseado em uma matriz energética limpa. As empresas geradoras de energia que integram o sistema Eletrobras têm, por exemplo, a responsabilidade de gerenciar barragens nas maiores bacias hidrográficas do país, e atuam em todo o território nacional apoiando políticas públicas. Mas a fragmentação a partir das privatizações coloca em risco a segurança energética do País e, principalmente, coloca em risco o bem-estar, a saúde e a economia em estados mais afastados do centro-sul, como é o caso do Amapá.

Cecy Maria Martins Marimon é licenciada em Ciências e Matemática e em Pedagogia. Especialista em Psicopedagogia Social e mestre em Educação. Atuou como professora e gestora na educação básica e no ensino superior, com ênfase na formação de professores. Desde 2010 exerce cargo de pedagoga na Educação Corporativa, na CGTEletrosul, em Florianópolis, trabalhando na implantação do ambiente virtual de aprendizagem e na capacitação dos empregados educadores visando a gestão do conhecimento. Diretora de Formação do Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis e Região representa a Intersindical dos Eletricitários do Sul do país no Coletivo Nacional dos Eletricitários.

Publicado em 24/11.

A tríade pesquisa, ensino e extensão nas universidades públicas brasileiras é um desafio diário de construção de conhecimento com impacto social. A estudante de engenharia Karina Karim, convidada da websérie Brasil Amanhã #62, compartilha alguns dos sucessos de sua trajetória em projetos que alinham o ensino de engenharia à arte, à matemática e até à agricultura. Para ela, incluir uma lente antirracista, feminista e periférica na engenharia é um caminho para o desenvolvimento de tecnologias que sejam inovadoras em todos os aspectos, inclusive na transformação da sociedade. De competições internacionais de veículos de exploração espacial ao ensino de matemática e ciências na educação fundamental, passando até ao desenvolvimento de tecnologias sociais como CubeSats para hortas comunitárias, Karina é exemplo dos muitos esforços realizados para que as engenharias sejam mais diversas e, principalmente, inclusivas para mulheres em geral e mulheres negras, em particular.

Karina Karim é estudante de Engenharia Mecânica da Universidade Federal Fluminense (UFF), integrante da Frente UFF e desenvolvedora de tecnologias sociais no programa SACI-E do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e na Oficina de Inovação e Ancestralidade (OIA PETMEC UFF).

Publicado em 10/11.

A história do Brasil é marcada por uma disputa de projetos políticos distintos: de um lado, aqueles que lutam por um país soberano, independente, e que veem o papel essencial da ação estatal na realização desta tarefa; o segundo grupo envolve aqueles para o qual o alinhamento às potências mundiais e seus modelos econômicos determinam o rumo do desenvolvimento, e é imperativo a saída do Estado como ator econômico. O geólogo Ricardo Latgé, convidado da websérie Brasil Amanhã #61, resgata esta contradição analisando os setores mineral e de petróleo no Brasil. Mostra que a mineração foi essencialmente conduzida pelo setor privado, atuando o Estado como um ator basicamente autorizador e arrecadador de tributos.

A história do petróleo no Brasil também seguiu um rumo similar, mantendo-se facultado à iniciativa privada por cerca de cem anos, com resultados pífios. Só com a intervenção direta do Estado, com a criação por Getúlio Vargas da Petrobras, em 1953, este quadro mudou. Organizado sob a égide do monopólio estatal, obteve resultados empresariais espetaculares, tornando-se uma referência neste setor. Por fim, Latgé mostrou que ofuturo ainda reserva um papel relevante para o petróleo, mesmo com a transformação das matrizes energéticas em direção a combustíveis renováveis. O protagonismo da Petrobras, estatal, é, portanto, essencial para uma Engenharia nacional forte, a expansão do mercado de trabalho, o desenvolvimento do Brasil e a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros.

Ricardo Latgé Milward de Azevedo é Geólogo, formado em 1978 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trabalhou na Petrobras de 1979 a novembro de 2014, desempenhando tanto atividades técnicas como de gestão, com destaque para a função de Assessor da Diretoria de Exploração e Produção, de 2003 a 2012. Foi presidente da Federação Brasileira de Geólogos e da Associação Profissional dos Geólogos do Estado do Rio de Janeiro. Acumula cargos de conselheiro do Clube de Engenharia e do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro. Participou da diretoria da Associação dos Engenheiros da Petrobras.

Publicado em 06/11.


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Convidados: Pedro Celestino, Claudia Morgado, Lucas Getirana, Marcio Patusco, Luiz Alfredo Salomão, Luiz Martins Melo, Ligia Bahia, Clemente Ganz Lúcio, Ricardo Bielchowsky, José Roberto Afonso, Luiz Gonzaga Belluzzo, Maria Lúcia Werneck Vianna, Paulo Metri, Reinaldo Guimarães e Cesar Duarte.

Convidados: Ildeu Moreira, Carlos Aguiar de Medeiros, Felipe Coutinho, José Eduardo Pessoa, Raymundo de Oliveira, Fátima Sobral Fernandes, Alan Paes Arthou, Vicente Loureiro, Márcio Fortes, Ricardo Maranhão, Ennio Candotti, Celso Amorim, Luiz Bevilacqua, Otávio Velho e Denise Carvalho.

3º temporada
Convidados:

4ª temporada
Convidados:

 

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