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notícia 10/07/2017

A contribuição francesa para a vida pessoal e profissional de Francis Bogossian

Francis Bogossian trouxe para o Brasil muitos aprendizados para a atuação como engenheiro e professor. Foto: Fernando Alvim
Francis Bogossian trouxe para o Brasil muitos aprendizados para a atuação como engenheiro e professor.
Foto: Fernando Alvim

Na década de 60, as tecnologias de mecânica dos solos e engenharia geotécnica começavam a se desenvolver com aplicação em grandes obras. Um dos precursores no Brasil foi Antonio José da Costa Nunes, que fundou sua empresa em 1957 contando em sua equipe com Francis Bogossian, um dedicado aprendiz, atualmente presidente da Academia Nacional de Engenharia (ANE) e ex-presidente do Clube de Engenharia. A convivência proporcionou ao jovem engenheiro, então com 26 anos, a oportunidade de realizar, em 1969, estágio na França agregando muito ao seu conhecimento de Geotecnia, que trouxe para o Brasil como profissional e também como professor universitário.

Essa história foi contada por Bogossian no Clube de Engenharia em 29 de junho. O evento "Minha experiência de formação na França e como este fato foi importante na minha vida" foi promovido pela Academia Nacional de Engenharia (ANE), Clube de Engenharia e Associação Brasileira de Profissionais Especializados na França (ABPEF), com apoio da Diretoria de Atividades Culturais.

Docência precoce e oportunidades
Francis Bogossian formou-se em Engenharia Civil na antiga Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e considera um acerto ter se dedicado à Geotecnia, que na época era uma grande novidade. Após três anos de formado já era professor da área de Mecânica dos Solos, Fundações e Obras de Terra. Foi convidado para lecionar em Portugal, em função do convênio de cooperação técnica da UFRJ com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa (LNEC), mas a universidade só poderia pagar a ida ou a volta. Em busca de verba para a passagem de volta no departamento cultural da Embaixada da França no Brasil, descobriu a possibilidade de cursar especialização em Mecânica dos Solos, das Rochas e Barragens, com foco em aproveitamentos hidrelétricos. Participou de processo seletivo e conquistou a vaga, adiando as atividades em Lisboa. O curso escolhido não tinha equivalência a mestrado ou doutorado, mas o importante para ele era o conteúdo. "O professor Costa Nunes e eu valorizamos a oportunidade que me foi dada de aprender, de ensinar, de trocar experiência com engenheiros e professores do mundo inteiro, como o único brasileiro na minha área, de Geotecnia", comemorou.

Soberania nacional e familiar
A experiência do curso, além da oportunidade de se aprofundar na engenharia geotécnica, permitiu a convivência com líderes técnicos de entidades profissionais, dentre elas a Électricité de France (EdF), produtora e distribuidora de energia da França. As atividades incluíam aulas, estágios e visitas a obras prontas, como hidrelétricas. Os registros de muitas aulas contribuíram para enriquecer seu exercício profissional como docente no Brasil. "Essa experiência para mim vale muito mais do que um pedaço de papel dizendo que você é mestre ou doutor", registrou.

Designado para ser monitor de uma disciplina, em inglês, fez a divulgação de realizações brasileiras na engenharia geotécnica, como as do professor Costa Nunes em estabilização de encostas. "Foi marcante para o meu país mostrar onde estávamos".

Na Europa, o engenheiro ainda teve a oportunidade de conhecer outros países do continente e pôde encontrar membros de sua família materna, de origem armênia, que haviam emigrado da Armênia para a França fugindo do genocídio dos armênios católicos praticado pelos otomanos turcos no início do século. O contato perdido há décadas foi retomado através de Francis. "O meu espírito familiar e nacionalista fizeram brotar em mim a soberania nacional e a soberania familiar", concluiu.

Renovação da ABPEF
O evento foi uma iniciativa da Associação Brasileira de Profissionais Especializados na França (ABPEF) com o objetivo de trazer a público a experiência de cada um de seus associados em sua especialização no país. Segundo Agilberto Calaça Neves,  presidente da ABPEF, apesar da conjuntura política e econômica internacional desfavorável para o Brasil e para a França, a diretoria atual da associação tenta renovar seu corpo de sócios. A perspectiva é levar, cada vez mais, os jovens a participarem e se interessarem pela cultura francesa.