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notícia 18/03/2015

A Crise da Água e do Planejamento

Em meio a inúmeras discussões sobre a crise hídrica pela qual passa o Brasil, a Divisão Técnica de Recursos Hídricos e Saneamento do Clube de Engenharia (DRHS), promoveu nesta terça-feira (17) mais uma palestra sobre o tema. A mesa de debates, contou com a presença de Edson Monteiro, chefe de gabinete da presidência do Clube de Engenharia e Ibá Santos Silva, chefe da Divisão de Engenharia do Ambiente (DEA).

O palestrante Jorge Rios, professor e diretor da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES-RIO) e chefe da Divisão de Recursos Hídricos e Saneamento do Clube, deu início a palestra sendo contundente: “A crise da água na verdade não existe, o que existe é uma crise de planejamento, aliada a uma crise política e de autoridade que alguns estados estão vivendo”.

Rios lembrou que desde sempre cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo enfrentam problemas com abastecimento, apontando o aumento da população com crescimento desordenado e a falta de planejamento urbano, como fatores  agravantes da crise, o que, segundo afirmou, “ nada tem a ver com aquecimento global, sendo essa apenas mais uma polêmica criada pela mídia”.

De acordo com o professor, nas últimas décadas surgiram organizações e grupos alarmistas declarando que obras de infraestrutura em geral, barragens e reservatórios, causam sérios e intoleráveis impactos ambientais. “Virou crime fazer barragem nesse país. Virou crime estocar água. Recebemos abaixo-assinados contra a transposição do rio São Francisco, Belo Monte, reservatório de acumulação em geral. Enquanto isso, vemos seca no nordeste, seca no sudeste e falta de energia no país”. 

O professor apresentou, ainda, um jornal do CREA, de 1988, veículo para o qual concedeu uma entrevista falando sobre a possibilidade de falta d’água por volta de 2010/2020. E lamentou o fato de, no país, existir o costume de pular etapas, quando o correto seria seguir um Plano Diretor, Projeto Básico, Projeto Executivo para depois partir para a obra.

A conclusão do professor é de que é necessário buscar alternativas levando em consideração cada caso, além de grandes investimentos, não apenas em obras de armazenamento, revitalização, mas principalmente no planejamento de longo prazo. Ele também considerou as propostas apresentadas ao país hoje como sendo apenas “gambiarras” que não vão resolver. “Não existe solução barata”, declarou.

 

  • Reservatório do Funil, em Itatiaia Foto:  Ernesto Carriço / Agência O Dia