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notícia 14/03/2013

A multidisciplinaridade do Barão de Capanema

Debate mostrou o lado geólogo do cientista multifacetado

Presidente da APG-RJ, José de Ribamar Bezerra e chefe da DRM, Benedicto Rodrigues
Presidente da APG-RJ, José de Ribamar Bezerra e chefe da DRM, Benedicto Rodrigues

A Divisão Técnica de Recursos Minerais (DRM) do Clube de Engenharia realizou mais um evento da série Memória da Geologia do Brasil. Dessa vez o personagem principal foi o engenheiro Guilherme (Wilhelm) Schüch, conhecido como barão de Capanema. O chefe da (DRM) Benedicto Rodrigues lembrou a história do barão: nasceu em Minas Gerais, tinha nome alemão e estudou no Imperial Instituto Politécnico de Viena, na Áustria. Benedicto contou que Capanema circulou por importantes instituições científicas e técnicas, atuando de forma expressiva na implementação, ainda embrionária, de uma cultura científica no Brasil no século XIX.

O palestrante da noite foi presidente da Associação dos Profissionais Geólogos do Rio de Janeiro (APG-RJ), José de Ribamar Bezerra. O geólogo falou sobre as expedições científicas às quais Capanema se vinculou. Segundo Ribamar, Capanema catalogou os trabalhos de diversas expedições científicas e apontou que muitas eram coordenadas por estrangeiros que vinham ao Brasil pesquisar. Além de diversas outras atividades, Capanema também atuou no setor de mineração. Foi dono de minas e concessões de exploração e organizou a primeira expedição científica brasileira instalada no Ceará, em busca de metais preciosos, entre 1856 e 1861. Não se sabe até hoje os motivos que levaram à escolha deste estado. Como profissional versátil, Capanema foi também chefe do ‘Serviço dos Telégrafos Elétricos do Brasil’ e responsável pela expansão das linhas pelo Brasil.

Em 1849 Capanema ingressou no ‘Museu Nacional’ na Seção de Mineralogia, a qual se encarregava, principalmente, de análises químicas de substâncias minerais, além da classificação de fósseis. Sua atuação na geologia foi apontada por Benedicto Rodrigues. “Capanema fez trabalhos sobre as secas e penedos no nordeste brasileiro, fez parte da equipe que estabeleceu as fronteiras do Brasil com outros países da América Latina”, destacou Benedicto. O cientista participou da Comissão Científica do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, criada em 1856, onde foi diretor da Seção Geológica e Mineralógica. Foi, inclusive, um dos primeiros brasileiros a apresentar pesquisas geológicas de peso, publicando trabalhos e críticas na área em jornais da época. Capanema denunciava também a destruição de sambaquis, valiosa fonte de calcário para edificação de fortificações e residências, multiplicando assim suas caieiras na fabricação de cal para argamassa de construção.

A pluralidade de tarefas acumuladas pelo barão de Capanema merece destaque. “Capanema, entre outras tantas coisas, foi um inventor. Foi ele o responsável pela criação de um pesticida contra formigas que destruíram diversas plantações na época”, destacou Benedicto.