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notícia 10/07/2012

As enchentes na região urbana do Rio de Janeiro

Editorial

 

Assim como sabemos, todos os construtores de obras de terraplanagem e pavimentação também sabem que, na região sudeste, o período de maio a setembro é extremamente propício para o avanço destas obras, pois não é a chamada temporada de chuvas, que incomodam o andamento dos trabalhos a partir de final de setembro. Estamos sentindo que a questão de se resolver, em definitivo, são os alagamentos que há décadas ocorrem nas partes urbanas das zonas Sul e Norte da cidade do Rio de Janeiro que perdeu, ao menos na mídia, o tratamento prioritário que merece. Aparentemente, poderíamos pensar: “não está alagando, então vamos deixar o assunto para depois, pois temos outras prioridades”. Não deve ser o caso.

Por isso, vamos relembrar o caos instalado na cidade do Rio de Janeiro, em abril do corrente ano, quando até um decreto informal do Prefeito foi divulgado, no momento em que ele pediu que não saíssemos das nossas casas. Foram dois dias improdutivos e de prejuízo, com engarrafamentos e veículos consumindo combustível, emitindo CO². Um grande impacto ambiental, sem nenhum proveito. As enchentes são tão recorrentes, que já é um fato folclórico, na zona Sul, pessoas andarem de barcos e de pranchas de surf, para aparecerem nas nossas casas, por meio dos noticiários das televisões e que, certamente, são divulgados no mundo inteiro.

Temos uma topografia peculiar: a Serra do Mar invade a orla marítima nesta cidade. Não temos, como em outras cidades famosas, grandes rios cruzando a cidade. O Tâmisa, o Sena, o Volga, o Potomac, o Amazonas, estão longe daqui. A situação no Rio de Janeiro é a seguinte: são rios curtos e de baixa vazão média, cujas nascentes estão na Serra do Mar; os deságues, nas lagoas, na Baía de Guanabara ou no Oceano Atlântico. Girando no sentido anti-horário, a partir da Zona Sul temos os rios: Rainha I e II, Macacos, Cabeças, Berquó, Banana Podre, Carioca, Papa-Couve, Comprido, Trapicheiros, Cachorros, Maracanã e Joana. Os outros rios além desta relação, como o Dom Carlos, Timbó, Faria, Catarino etc, não são objeto desta análise, cujo objetivo é tratar das enchentes nas regiões do Jardim Botânico, Tijuca e Praça de Bandeira.

Há muitos projetos em discussão, inúmeros argumentos positivos ou negativos, que viraram polêmica, mas que não resultaram em uma ação efetiva. O Clube de Engenharia já abordou com clareza este assunto em reunião de Conselho, que culminou com o envio de uma carta ao Exmo. Sr. Prefeito, recomendando o estudo de uma solução antiga, e que permanece bem atual, que é a da construção do túnel extravasor. A população não deve saber e, possivelmente, muitos engenheiros não têm notícia, que antes da década de 1970 o governo da época iniciou esta obra. Já foram construídos cerca de 1.500 metros de túnel, cujo objetivo é o de captar as águas que extravasem das calhas dos rios Rainha I e II, Macacos, Trapicheiros, Maracanã e Joana. O emboque deste túnel poderá ser visto no costão do Vidigal e o seu final, atual, está sob a rua Marquês de São Vicente.

É compreensível que, com o aumento da população, as regiões destas bacias hidrográficas ficaram mais impermeáveis e os coeficientes que determinam a infiltração das chuvas no solo, aumentaram muito. Mas sabemos também que as calhas continuam com as mesmas dimensões. Temos conhecimento dos projetos da Rio Águas para combater as enchentes dos rios Maracanã e Joana, que também são bons. Entretanto, não abrangem soluções para combater os desastres da Zona Sul.

O que o Clube de Engenharia busca, neste momento histórico da vida carioca, quando há uma grande sintonia entre os poderes Municipal e Estadual, é somente propiciar à população o conforto e a segurança de que não haverá mais sofrimento com as enchentes. Há tempo suficiente para implementar esta construção antes da Copa do Mundo. Nós, brasileiros, nem queremos imaginar o estádio do Maracanã interditado diante de uma enchente.

Outra grande vantagem desta solução, é o baixíssimo impacto ambiental durante a sua construção. A interferência de obras de túnel, com o público, é mínima. Todos perceberam isto, quando da construção dos segmentos do Metrô, desde a praça Cardeal Arcoverde até a praça General Osório.

Finalmente, é importante ressaltar que, paralelamente, os dois governos envolvidos, atuem com firmeza para eliminar os despejos de esgotos nos rios. Esta questão é atual, porquanto podemos enumerar: os rios Rainha I e II, têm o seu destino no canal da rua Visconde de Albuquerque. O rio Macacos, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Os rios Trapicheiros, Maracanã e Joana, na Baía de Guanabara. Em suma: o túnel extravasor, resolverá de uma vez por todas as enchentes destas regiões e servirá como agente impulsionador para uma ação eficaz de eliminação dos despejos de esgotos nestes rios.

A Diretoria

 

Jornal 500 – outubro de 2010 – página 2  - Enchentes no Rio

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