Saltar para o conteúdo
artigo 07/10/2017

Clube de Engenharia de Pernambuco em defesa da CHESF

Alexandre Santos*

Sobradinho, mais um bem público ameaçado
Sobradinho, mais um bem público ameaçado

No começo de julho de 2017, ainda no primeiro ano do mandato alcançado graças ao Impeachment da presidente Dilma Rousseff, confirmando suspeitas de que estaria a serviço de ideário compromissado com o desmonte da economia nacional, o governo Michel Temer anunciou o mais ambicioso programa de privatização já tentado no Brasil, reservando destacada posição à Eletrobrás e à CHESF no cardápio oferecido ao mercado.

De imediato, honrando o compromisso inarredável com a soberania nacional, com o desenvolvimento social e com o crescimento econômico, o Clube de Engenharia de Pernambuco manifestou repúdio à proposta e alertou seu caráter entreguista e, ainda - considerando que jamais fora discutida com a sociedade, compondo, inclusive, a plataforma derrotada nas últimas eleições presidenciais - seu cunho autoritário e anti-democrático.

Neste momento, mesmo inspirada nos princípios que regem a venda dos demais ativos estatais, das privatizações anunciadas pelo governo, a pretensa privatização da CHESF é a que desperta maior repulsa nos nordestinos, inclusive porque, embora minimize a questão, a proposta significa a venda das águas do Rio São Francisco - matéria prima essencial para a produção de energia pelas usina hidro-elétricas. Nesta perspetiva, a exemplo do sentimento despertado nas demais entidades e personalidades regionais, evocando os vínculos culturais e econômicos com o Nordeste, o Clube de Engenharia de Pernambuco também se insurge contra a anunciada privatização da CHESF.

Assim, ao tempo que participa de frentes e coletivos de defesa da CHESF e do Rio São Francisco e da resistência ao desmonte da economia e ao esfacelamento dos direitos sociais, além de rechaçar a argumentação pífia usada pelo governo federal para justificar e defender a medida, o Clube de Engenharia de Pernambuco a inclui entre os grandes crimes já cometidos contra o Nordeste e conclama a sociedade brasileira a proteger o patrimônio nacional contra a sanha daqueles cujo olhar não ultrapassa o próprio umbigo.

(*) Alexandre Santos é presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco