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notícia 15/12/2014

Crise da água: Dessalinização da água do mar x Rio Paraíba do Sul

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa

A falta d’água que estados de São Paulo e Rio de Janeiro estão enfrentando nos últimos meses, com o nível do Rio Paraíba do Sul abaixo de 4%, desencadeou uma avalanche de debates em busca de soluções viáveis para a crise da água. Ciente do seu papel dentro da sociedade, o Clube de Engenharia apresentou nesta terça-feira, 4 de dezembro, a palestra “Crise da água: Dessalinização da água do mar x Rio Paraíba do Sul”, com o intuito de ouvir profissionais e esclarecer sobre a viabilidade de propostas como a da dessalinização, já usada no semiárido brasileiro e em outros 150 países.

A mesa de debates contou com a participação do presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, do Professor Roberto Bentes, diretor da PAM Membranas Seletivas; do Engenheiro civil José Edson Falcão, representante da diretoria de Gestão das Águas do Instituto Estadual do Ambiente (Inea); do Professor Jorge Rios, diretor da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) e chefe da Divisão Técnica de Recursos Hídricos (DRHS), e Paulo Murat, chefe da Divisão Técnica de Engenharia Química (DTEQ).

O presidente Francis Bogossian, ressaltou a relevância desse debate, tendo em vista a dimensão que o tema vem tomando ano após ano. “Não temos que esperar faltar água para discutir esse assunto. Temos que estudar o assunto. Então, a dessalinização tem que ser estudada e posta em prática hoje, amanhã ou depois de amanhã. Ou não.”

De acordo com Paulo Murat a questão do abastecimento e recursos hídricos é vital para a sobrevivência das próximas gerações. O professor Jorge Rios, lembrou que em 1988 já havia alertado sobre a possibilidade de falta d’água por volta de 2010/2020. E mais do que uma crise da água, considera uma crise de planejamento e crise política o que ocorre hoje. Rios também criticou alguns movimentos ambientalistas, apontados por ele como equivocados, que estão contra obras de infraestrutura. Na avaliação das possíveis soluções, considera muito difícil uma reversão da situação sem a construção, por exemplo, de reservatórios.

Um dos destaques da palestra do professor Bentes foi a respeito das tecnologias de dessalinização com foco principal na osmose inversa e que, pela qualidade final da água, é a mais usada em 99% das plantas de dessalinização no mundo. Tendo também o menor custo quando comparada com outros sistemas de dessalinização, como a eletrodiálise, por exemplo. No entanto, de acordo com Bentes, a qualidade da água é que vai definir qual a tecnologia de tratamento a ser usada. Considerou a falta de investimento na área e o fato de os tratamentos estarem presos a processos clássicos de separação, apesar de já existirem tecnologias seguras a preços viáveis no tratamento de água, serem um grande obstáculo e sofrerem ainda bastante resistência das administrações públicas.

O representante do Inea, Edson Falcão, abordou o Plano Estadual de Recursos Hídricos dando destaque às fragilidades e ênfase à atenção que deve ser dada ao problema do desabastecimento.  No campo da fragilidade apontou dois pontos principais no Rio de Janeiro: o déficit hídrico existente no sistema Imunana Laranjal e a segurança hídrica, no lado esquerdo da Baía de Guanabara, que inclui a região metropolitana do Rio de Janeiro.

A Bacia do Paraíba do Sul é responsável pelo abastecimento de 66 municípios, ou seja, 75% da população do estado do Rio de Janeiro dependem da bacia, sendo a única reserva de água futura para a região metropolitana, levando a segurança hídrica a ser o foco principal no Rio de Janeiro.