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notícia 03/05/2016

Desenvolvimento nacional aposta na Internet das Coisas

Carro da Google circula sem motorista e frota já percorreu quase 2,5 milhões de quilômetros. Foto: site da Carta Capital
Carro da Google circula sem motorista e frota já percorreu quase 2,5 milhões de quilômetros.
Foto: site da Carta Capital

Lâmpadas que acendem e apagam em horários programados ou quando o dono ativa pelo smartphone, fechaduras que abrem e fecham portas remotamente, tomadas que ligam e desligam por comando de smartphone, sem deixar os aparelhos em standby. São produtos que já existem no Brasil e fazem parte da internet das coisas (Internet of  Things ou IoT, em inglês).

De acordo com levantamento da Schneider Electric, a internet das coisas está presente em 53% das companhias brasileiras, deixando o país no mesmo patamar de países desenvolvidos, como Estados Unidos, Rússia e China. A rápida expansão para a internet das coisas é prevista com base no que aconteceu com os eletrônicos que se conectam à internet: há pouco mais de dez anos havia cerca de 200 milhões de aparelhos conectados. Hoje, com os diversos tipos de dispositivos móveis, já são mais de 10 bilhões de aparelhos. A consultoria International Data Corporation (IDC) prevê que, até 2020, o número de coisas conectadas no Brasil, no conceito da internet das coisas, vá dos atuais 140 milhões para 400 milhões. No mesmo ano, a internet das coisas deve movimentar sete bilhões de dólares no país.

“Internet das coisas” é o conceito utilizado para objetos e serviços que se otimizam com o uso da internet. Com o plano de elaborar políticas públicas para alavancar e diagnosticar as possibilidades e demandas no setor, o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) recebe, até o dia 09 de maio, propostas de estudos técnicos com plano de ação a respeito.

A empresa contratada deve começar o estudo em agosto, e o plano de ação deve ser executado em cinco anos (de 2017 a 2022). Serão utilizados recursos do Fundo de Estruturação de Projetos (FEP), mas o valor deve se adequar à proposta selecionada. "No caso da internet das coisas, o propósito é a criação de políticas nos diferentes segmentos da tecnologia, desde políticas de financiamento até leis", afirmou Maria Luiza Carneiro da Cunha, do Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação (Defic) do banco, em entrevista ao Jornal do Commercio. Aprovado, o estudo será desenvolvido em parceria com os ministérios das Comunicações, da Ciência, Tecnologia e Inovação e de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além de entidades privadas do setor de tecnologia da informação e comunicação.

Como funciona

Algumas iniciativas têm benefícios mais individuais, como o carro inteligente, que dispensa motorista, e a casa inteligente (com recursos e objetos conectados). Outras podem atingir um número maior de pessoas, como as ferramentas para fábricas e para gestão municipal (cidade inteligente). Para isso é preciso contar com softwares instalados nos objetos e conexão de internet e também tecnologias não tão novas, como os sensores (de presença, GPS, etc). A previsão é de que o principal benefício social da internet das coisas seja o melhor uso de recursos, principalmente naturais. A conexão entre as coisas, numa fábrica, por exemplo, pode gerar um maior consumo de energia, mas se a implementação servir para melhorar a produtividade, isso pode significar uma gestão mais eficiente da eletricidade consumida.

O que preocupa na implementação da internet das coisas é a segurança: há menos de dois anos um estudo da empresa HP revelou que 70% das coisas conectadas são vulneráveis a ataques. Também é necessário pensar na infraestrutura necessária para tamanha transferência de dados. Mas, de acordo com a Intel, as cidades gastarão 41 trilhões de dólares nos próximos 20 anos em melhorias de infraestrutura para a internet das coisas.

Atualidade e perspectivas

Existe um projeto do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) que obrigará a instalação de chips em toda a frota do país. Trata-se do Sistema Nacional de Identificação de Veículos. O objetivo é usar dados gerados pelos sensores para gerenciar o tráfego, fiscalizar irregularidades e identificar carros roubados.

Numa perspectiva mais global, indica-se que a indústria automobilística, com o uso da internet das coisas, pode causar a economia de bilhões de dólares em virtude da redução de acidentes. As soluções de transporte inteligente também podem acelerar fluxos de tráfego, reduzir consumo de combustível e priorizar cronogramas de reparo de veículos. Em fábricas, sensores de monitoramento de máquinas prevêem e diagnosticam problemas de manutenção e falta de estoque parcial. Serviços como monitoramento remoto de saúde possibilitam melhor qualidade e economia no tratamento de pacientes. Em casas, redes de energia conectadas permitirão o uso de aparelhos em horários mais convenientes aos consumidores.

Com a implementação da rede 5G, prevista para 2020 nos Estados Unidos e na Ásia, estará ainda mais próxima a possibilidade de oferecer conectividade aos objetos. Isso poderá ser usado pelas concessionárias de serviços públicos de energia e de telecomunicações, que podem prover soluções e agregar novos serviços. Outra área que pode ser fortalecida é a de criação de aplicativos, uma vez que com objetos conectados as possibilidades se expandem.

Fontes: Jornal do Commercio, Carta Capital, site do SAS e Ideia Labs