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artigo 11/12/2013

Dia do engenheiro: hora de avançar na disputa do Estado brasileiro

Por Ubiratan Félix*

No dia 11 de dezembro, comemoramos o dia do engenheiro e da engenheira. Neste dia, no longínquo ano de 1937, o Presidente Getúlio Vargas assinou o decreto regulamentando o exercício profissional da Engenharia e Arquitetura.

A Engenharia faz parte do nosso dia a dia: quando acordamos, nos alimentamos, nos deslocamos, nos comunicamos, nos divertimos e etc, com certeza estaremos usufruindo de um projeto, um produto, uma obra que teve a participação de Engenheiros nas suas diferentes modalidades. A engenharia cumpre sua função social diariamente na cidade e no campo, ajudando a construir um País mais justo, desenvolvido e sustentável.

Os engenheiros e as empresas de engenharia brasileira nada devem em tecnologia, conhecimento e inovação às empresas e profissionais estrangeiros, apesar de que em  um passado recente (década de 90), os profissionais de engenharia enfrentaram um  período histórico que se  notabilizou pelo desmonte do Estado brasileiro, desregulamentação, desindustrialização e a ofensiva neoliberal, que teve como consequência o fechamento de empresas de engenharia consultiva e de construção, muitos profissionais foram demitidos, e outros migraram para outros ramos de atuação.

A partir de 2005, o cenário mudou. Principalmente com o fortalecimento do mercado interno, a retomada dos investimentos públicos em infraestrutura e a implantação do programa Minha Casa e Minha Vida que provocou o ciclo virtuoso de crescimento em toda cadeia da construção civil: na indústria, no comércio e na construção.

A tendência em médio prazo do mercado de Engenharia é que o Governo Federal consiga finalizar as obras do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento) cuja previsão de término era  dezembro de 2014 e com previsão de investimentos  na ordem de R$ 448,1 bilhões. Além disto, existe a expectativa que finalmente o governo federal consiga destravar os investimentos em logística (ferrovia, rodovia, portos e aeroportos). Esta possibilidade é reforçada com a recente aprovação do marco regulatório do sistema portuário e da definição do modelo de concessão das ferrovias brasileiras, este programa tem um potencial de investimento na ordem 750 bilhões de reais. Todo este investimento deverá contar com participação expressiva de profissionais de Engenharia, desafiando o Estado e a sociedade brasileira a priorização dos investimentos em educação, formação e capacitação de profissionais da área tecnológica que consigam atender aos seguintes pressupostos: Empreender, Inovar, Projetar, Executar e Gerenciar.

Em vista deste quadro é fundamental atrair jovens para carreira tecnológica, diminuir a evasão (em torno de 30 % nos dois primeiros anos dos cursos de Engenharia) e aproximar a Universidade das empresas pública e privada, tornando a formação e os cursos mais atuais e conectados com realidade social e econômica do Brasil. Apenas para exemplificar, na China, 33 % dos graduados são Engenheiros, na Coréia do Sul, 65%, e no Brasil apenas 9% dos concluintes do ensino médio ingressam nas engenharias.

É necessário que, neste dia festivo para nossa categoria, a sociedade e o poder público reflitam como é importante atuação deste profissional na construção do bem estar do ser humano. A luta das nossas entidades pela valorização profissional, pelo cumprimento do Salário Mínimo Profissional (SMP) e o reconhecimento da engenharia como carreira de Estado, como são os juízes e os promotores públicos, são medidas fundamentais para aumento da capacidade e da eficiência do Estado Brasileiro.

Nos próximos anos iremos contar com a realização de megaeventos, como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos e ainda temos muitos desafios pela frente, como a falta de saneamento, habitações precárias, estradas deficientes, e a crise da mobilidade urbana, motivo pelo qual milhares de brasileiros  foram às ruas em julho deste ano.

O Estado brasileiro está em disputa e cabe aos engenheiros exercer um papel estratégico na construção de uma sociedade mais justa, democrática e sustentável.

 

* Engenheiro Civil, presidente do Sindicato dos Engenheiros da Bahia (SENGE-BA) e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA)