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notícia 14/03/2017

Em debate: estabilização de encostas e taludes

Mais de cem pessoas assistiram à palestra do professor. Foto: Fernando Alvim
Mais de cem pessoas assistiram à palestra do professor.
Foto: Fernando Alvim

O professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), engenheiro civil Luis Edmundo Campos, apresentou a uma plateia de mais de cem pessoas numerosos casos de uso de técnicas e equipamentos para contenção de encostas e taludes, preventivamente ou para fins de correção de problemas. Com décadas de experiência em mecânica dos solos em Salvador, uma cidade com muitas edificações em terrenos inclinados, o professor falou sobre “Encostas e taludes: problemas de estabilidade e formas de contenções”, em 09 de março no Clube de Engenharia. Luis Edmundo é presidente do Núcleo Bahia da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS), entidade que promoveu o evento, junto à Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) e à Divisão Técnica de Geotecnia (DTG) do Clube de Engenharia.

Prevenção e correção
Diversas causas de escorregamentos, tombamentos de muros e outros incidentes ocorridos em Salvador, principalmente, mas também em outras cidades, foram relatados. A cidade tem muitos terrenos inclinados com ocupação desordenada, e em muitos casos os responsáveis pelas obras simplesmente cortam o terreno e jogam a terra nos arredores, prejudicando, mesmo que em longo prazo, os vizinhos. O mesmo se faz com lixo. Outro problema frequente é o rompimento de tubulações dentro da terra que desembocam água no próprio talude. Aterro, edificações, lixo e contenções são algumas das causas mais frequentes dos problemas.

Segundo afirmou, o principal ponto para se pensar num projeto em terreno inclinado é a drenagem, fundamental para evitar os deslizamentos. Formas de estabilização foram citadas, como rebaixamento do nível de água, proteção superficial por drenagem, formação geométrica e contenções. Nesse sentido, o professor apresentou numerosos casos de contenção de taludes, com diferentes técnicas e materiais, assim como suas vantagens e desvantagens.

Em Salvador o poder público está preparando um processo de treinamento da população que vive em área de risco para que tenham mais segurança, inclusive com o desenvolvimento de um sistema de rastreamento automático das ligações para o telefone da Defesa Civil local. Também trabalham em um estudo da correlação da ocorrência de chuvas com o deslizamento de terra, para implantação de alarmes, semelhantes aos que existem no Rio de Janeiro.

O diretor de Atividades Ténicas, Fernando Tourinho, agradeceu a presença e encerrou o evento. Ao seu lado, da esquerda para a direita: o palestrante Luis Edmundo Campos; o conselheiro Manuel Martins; e a presidente do Núcleo Rio de Janeiro da ABMS Ana Cristina Sieira.
O diretor de Atividades Ténicas, Fernando Tourinho, agradeceu a presença e encerrou o evento. Ao seu lado, da esquerda para a direita: o palestrante Luis Edmundo Campos; o conselheiro Manuel Martins; e a presidente do Núcleo Rio de Janeiro da ABMS Ana Cristina Sieira.


Orientações valiosas
O debate contou com a participação de nomes de destaque da geotecnia no país, como Manuel Martins, chefe da Divisão Técnica de Geotecnia (DTG) do Clube de Engenharia; o geólogo Claudio Amaral, conselheiro fiscal da Associação Profissional dos Geólogos do Estado do Rio de Janeiro (APG); e Ian Schumann M. Martins, engenheiro civil e professor da Coppe/UFRJ.

Com o auditório lotado, inclusive de muitos jovens, o professor aproveitou para comentar o mau hábito de se abandonar conceitos básicos e as investigações de solo para confiar nos softwares, ao projetar uma obra. "Nós temos dado muito valor aos cálculos numéricos e métodos de análise, e deixado de dar valor a medir propriedade dos solos. Usa-se uma ferramenta riquíssima, mas de modo impróprio. Isso está acontecendo muito com os projetistas atualmente, que só jogam no programa as informações e acham que o solo vai se comportar daquele jeito, deformar daquele jeito". Ele também direcionou as críticas aos profissionais que se baseiam em característica de solos de outros locais para projetar uma obra. O solo de Salvador, por exemplo, é mais espesso, segundo ele, e isso deve ser levado em consideração. Luis Edmundo foi complementado por Ian Schumann:  "As pessoas estão fazendo geotecnia do escritório. É preciso ir à obra. Eu não tenho crítica aos softwares, mas aos usos que fazem deles. Estão deixando conceitos básicos na gaveta".

O professor da Coppe também deixou um recado aos estudantes e profissionais iniciantes: que não se deixem levar pela pressão da urgência de obras. "Há casos abundantes em que se quer que faça um determinado projeto em um prazo inexequível para um projeto de qualidade", afirmou.