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notícia 16/06/2016

Engenheiros agrônomos iluminam as vantagens das leguminosas

Legenda: Feijão preto é uma das leguminosas mais conhecidas pelos brasileiros. Fonte: Agência Brasil
Legenda: Feijão preto é uma das leguminosas mais conhecidas pelos brasileiros. Fonte: Agência Brasil

No Ano Internacional das Leguminosas, eleito pela Organização das Nações Unidas (ONU), engenheiros agrônomos realizaram no Clube de Engenharia palestras que permitiram, de maneira significativa, a ampliação dos conhecimentos sobre os mais diversos aspectos das leguminosas, desde o valor nutricional até a posição do Brasil no cenário internacional. "Há 40 anos, com a criação da Embrapa, nós iniciamos uma revolução nesse país, e nos tornamos uma potência agrícola, um celeiro do planeta”, afirmou Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia.

Promovido, em 09 de junho, pela Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) e pela Divisão Técnica de Engenharia do Ambiente (DEA), com o apoio das Divisões Técnicas de Recursos Hídricos e Saneamento (DHRS) e de Recursos Naturais Renováveis (DRNR), foram palestrantes os engenheiros agrônomos José Leonel Rocha Lima, Enio Fraga e Pedro Freitas.

Pioneirismo brasileiro
José Leonel Rocha Lima, secretário da Divisão Técnica de Engenharia do Ambiente (DEA) e presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro (AEARJ), dirigiu os refletores às vantagens e variedades da produção de leguminosas, especialmente no Brasil. Conforme explicou, as leguminosas são grãos produzidos em vagens colhidas exclusivamente da semente seca. Existem 730 gêneros, abundantes em regiões tropicais, subtropicais e temperadas. No Brasil elas podem ser encontradas em grandes árvores da Amazônia, árvores arbustivas, de raízes tabulares, de mangues, de cerrado, aquáticas e até plantas ornamentais. Estão em todos os biomas e em todas as situações hídricas e de vegetação. Só no cerrado, são 1158 diferentes espécies, e o bioma com menos variedade é o pantanal, somando 77 espécies.

O engenheiro lembrou a enorme contribuição de Johanna Döbereiner, agrônoma da Tchecoslováquia naturalizada brasileira que, nos anos 50, descobriu bactérias fixadoras de nitrogênio em leguminosas, causando o crescimento da planta sem necessidade de adubação - descoberta que lhe rendeu indicações para o Prêmio Nobel de Química. Esse processo gera uma enorme economia para o país porque não é necessário o uso do adubo químico na produção brasileira de soja, atualmente um dos gêneros mais exportados pelo Brasil. Anualmente, são sete bilhões de dólares os recursos economizados.

Enio Fraga, pesquisador da Embrapa Solos, destacou os aspectos positivos das leguminosas na segurança alimentar: ricas em nutrientes e acessíveis economicamente, fomentam a agricultura sustentável e promovem a biodiversidade. Baseados nesses fatos, entre os objetivos do Ano Internacional das Leguminosas estão o fomento a vínculos para aumentar a produção mundial de grãos e a promoção da  melhoria na área de pesquisa.

Diversidade
Vale registrar que as leguminosas mais conhecidas pelos brasileiros são lentilha, soja e feijão, que é um dos grãos mais consumidos no Brasil e no Rio de Janeiro, embora a produção estadual seja pequena. No Brasil, a produção média, anualmente, é de quase quatro milhões de toneladas.  A soja, apesar de ser um alimento produzido em larga escala no Brasil, é originária da região da Manchúria, hoje uma parte da China, e a que chegou ao Brasil tem origem nos Estados Unidos e no Japão. Cultivada há mais de cinco mil anos é, atualmente, a leguminosa que produz mais proteína por área e em menos tempo, sem necessitar de adubação nitrogenada. Cada hectare de terra produz cerca de quatro toneladas de soja. Tem alto valor nutricional e contribui para a redução de riscos de doenças crônico-degenerativas não transmissíveis.

Esse grão concentra de 35 a 40% de proteínas, e entre 18 e 21% de óleos, contendo carboidratos, fibras e muitos minerais. No entanto, o consumo dessa soja ainda é pequeno nas casas brasileiras, fruto da falta de hábito e do desconhecimento de técnicas adequadas para preparo. A alta produção brasileira explica-se no uso para alimentação de bovinos, servindo assim à pecuária, biocombustíveis e na composição de outros alimentos. O Brasil é o segundo maior produtor desse bem, ficando atrás somente dos Estados Unidos. Quase metade da área produtiva do país hoje é ocupada por soja.

Produtividade
Além da economia e alto valor nutricional,  a produtividade da soja também é um fator muito positivo no país. Enquanto a produção cresce em níveis muito altos, a quantidade de área necessária cresce modestamente. Isso foi possível pelo investimento em ciência e tecnologia, dirigido atualmente ao agronegócio. Quase metade da produção é exportada, e a outra metade, processada, torna-se farelo de soja ou óleo de soja. Já a soja orgânica, produzida em menor escala, é viável para pequenas e médias propriedades, participando de rotação de culturas e adubação orgânica.

Pedro Freitas, pesquisador da Embrapa Agrobiologia, trouxe seus conhecimentos sobre sustentabilidade e solos. Mostrou que o início da agricultura no Brasil, com as práticas européias que ignoravam fatores locais como a ocorrência de chuvas, gerou muita erosão e assoreamento. Mas com o melhor desenvolvimento da prática no país aprendeu-se o tripé da sustentabilidade: mínimo revolvimento do solo; biodiversidade a base de rotação de culturas e integração lavoura-pecuária ou lavoura-pecuária-floresta; e cobertura permanente do solo, com cultura viva ou palhada. As leguminosas, geralmente, estão presentes na rotação de culturas.
Paulo Murat, chefe da Divisão Técnica de Engenharia do Ambiente, deu ênfase à saúde e destacou: “Um dos principais fatores de desenvolvimento do câncer é a alimentação, junto com o sedentarismo”, afirmou.

Rede Agronomia e o Congresso Brasileiro de Agronomia
Os palestrantes apresentaram a Rede Agronomia, um portal com mais de 7200 membros, engenheiros e engenheiras agrônomas, 135 grupos de discussão temática e mais de 1800 páginas de blogs. Recebe 20 mil visitas por mês e, além das discussões, tem uma biblioteca virtual, com palestras a serem acessadas. Segundo José Leonel Rocha Lima, “É um espaço de encontro, reflexão, compartilhamento e  articulação política, social e profissional dos engenheiros agrônomos". Ele também falou do Congresso Brasileiro de Agronomia, previsto para acontecer em 2019 no Rio de Janeiro.

Confira a palestra na íntegra:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

Parte 7