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notícia 12/07/2016

Ferrovias e Logística abrem Ciclo de Palestras sobre Infraestrutura

Estação da Luz, em São Paulo / Foto: Governo de São Paulo
Estação da Luz, em São Paulo /
Foto: Governo de São Paulo

O ciclo de palestras sobre infraestrutura promovido pela Diretoria de Atividades Técnicas (DAT) teve início em junho. A primeira (21/06) – Ferrovias – contou com a presença, como palestrante, de Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer). O otimismo deu o tom do encontro com encomendas crescentes de transporte ferroviário para as indústrias, em período beneficiado pela exportação em grande escala de grãos e minérios de ferro.

Já a palestra (05/07) sobre Logística, com a apresentação de Edson Carillo, vice-presidente de Educação da Associação Brasileira de Logística (Abralog), desenhou um triste cenário. O bom funcionamento da logística depende diretamente do bom funcionamento da infraestrutura de transportes no país. Mesmo com destaque para o transporte rodoviário, o representante da Abralog registra que faltam novas rodovias no país e manutenção nas existentes. Apenas 12% delas estão pavimentadas. Já nas ferrovias, a logística passa por problemas relativos à proximidade com áreas urbanas, que reduz o ritmo de trabalho. Existe, ainda, um problema de má utilização: somente 41% da malha ferroviária existente estão em uso.

“A proposta do ciclo sobre infraestrutura é fazer com que o conhecimento amplo do contexto de Brasil  apresentado permita vislumbrar, além da possibilidade de projetos e expectativas de geração de emprego e desenvolvimento, a certeza de que existe um Brasil com grandes perspectivas e com muito a ser executado”, afirmou Fernando Tourinho, Diretor de Atividades Técnicas do Clube de Engenharia. 

Setor ferroviário em expansão 

A Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), com Vicente Abate à frente, oferece suporte técnico a concessionárias e usuários da indústria ferroviária. Reúne 65 empresas associadas, pequenas, médias, grandes, brasileiras e internacionais. Segundo informou Abate, o setor tem crescido bastante desde 2003, com a implantação do Plano de Revitalização das Ferrovias, que resultou em mais encomendas de transporte ferroviário para as indústrias. 

De modo geral, a indústria ferroviária tem investido em modernização e ampliação de instalações fabris existentes, novas fábricas, aplicação de novas tecnologias e treinamento de mão de obra. A produção brasileira atende tanto à demanda nacional quanto à exportação. Hoje são feitos no Brasil, anualmente, 12 mil vagões de carga, 250 locomotivas e 1200 carros de passageiros (metrô, VLT, trem, etc).

Com o investimento em pesquisa, o setor redefine padrões de produtividade, que não se restringem a aumento de produção: um dos planos é reformar cerca de 40 mil vagões de metrô antigos e ineficientes em São Paulo. O salto de qualidade resultará em 18 mil vagões modernos. Os vagões de carga são cada vez mais leves, aumentando a capacidade de carga e a velocidade. Novos modelos também são capazes de transportar contêineres empilhados. Outra face da eficiência é o combustível: as locomotivas hoje vêm, gradativamente, consumindo menos.

Além dos trens e metrôs, a indústria ferroviária também produz os VLTs, monotrilhos e aeromóveis. O aeromóvel é um projeto brasileiro, com propulsão a ar abaixo dos trilhos. Existem, ainda, trens regionais a diesel e elétricos e projetos para trens de alta velocidade. A inovação é acompanhada pela chegada de novos ferroviários. Existe uma boa quantidade de cursos voltados para o setor. Em todo o país cresce a oferta de cursos públicos e particulares, de engenharia ferroviária e metroferroviária e operador ferroviário, entre outros.

O setor ainda conta com um foco no próprio país: quase 100% dos vagões de carga em funcionamento são de produção nacional. As locomotivas, acima de 60% e os carros de passageiros, entre 60 e 80%. No total, Vicente Abate estima que 70% das empresas envolvidas em todo o setor sejam nacionais.

Confira a palestra de ferrovias na íntegra aqui.

Logística: infraestrutura precária trava potencial

Na palestra de Logística, de Edson Carillo, vice-presidente de Educação da Associação Brasileira de Logística (Abralog), o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, destacou o sucesso brasileiro na exportação de bens agrícolas, contrastando com as más condições de transporte desses bens, o grande problema do setor: "Nós fizemos uma revolução no campo, triplicamos a nossa produção agrícola e nos tornamos um dos celeiros do mundo, mas temos problemas logísticos desde o armazenamento de grãos ao transporte, do local de produção ao porto".

Edson Carillo iniciou sua palestra expondo o caráter fundamental da logística: é um suporte para o desenvolvimento de um negócio. Transporte e armazenagem são, simplesmente, etapas necessárias para que produtos cheguem aos clientes. No entanto, afirma, "temos um abismo entre a infraestrutura necessária e o que temos em execução e executado", afirmou Carillo.

Uma das dificuldades da área de logística é o investimento por parte da área comercial. "O grande varejista, por exemplo, tem um dilema entre investir num centro de distribuição ou numa nova loja", registra. O Brasil tem cerca de um milhão de empresas de transporte de carga, mas a grande maioria, 900 mil, tem até três veículos. Com a concorrência, o preço do frete acaba por ser baixo, o que implica em prejuízo para o empresário.

Fundamentais para a exportação e importação de produtos brasileiros, os portos também poderiam ser mais eficientes - dependendo do bom funcionamento de outros elementos, como as próprias rodovias. Com a extensão de costa que o Brasil tem, poderíamos ter mais portos. Outro recurso mal aproveitado são os rios, que poderiam formar boas hidrovias. 26% das hidrovias brasileiras são utilizadas atualmente. Na região centro-oeste, por exemplo, seriam muito úteis para transportar minério e grãos.

A baixa eficiência da logística no país faz com que, aqui, o seu custo operacional chegue a custar 40% a mais do que em países desenvolvidos, com maior impacto em produtos agrícolas. "Na hora de exportar, mata a nossa competitividade, porque não temos uma infraestrutura adequada. Toda a produtividade que se teve no campo acaba quando se coloca a produção no caminhão"

O engenheiro apresentou alguns planos de investimento na infraestrutura para logística, como o Plano Nacional de Logística e Transporte, Programa de Investimentos em Logística (PIL) e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltado para rodovias, ferrovias e hidrovias.

Carillo identificou alguns pontos necessários para atrair mais investimentos: estrutura de planejamento de longo prazo, tomando como exemplo outros países;  marco regulatório que ofereça segurança econômica e jurídica aos investidores; diversificação das fontes de financiamento; atração de capital privado; e investimento estrangeiro, com procedimentos de planejamento e licitatório aceitos internacionalmente.

Confira na íntegra a  palestra de Logística aqui.

Temas em pauta

Estão previstas palestras sobre Portos (13/07, às 18h, quarta-feira, no 22º andar do Clube de Engenharia) com Fernando José de Pádua Costa Fonseca, Diretor-Geral Substituto da Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ. A proposta é tratar do uso de portos para exportação no Brasil, capacidade atual, necessidades de modernização e, no cenário nacional, como tornar os portos mais eficientes e possibilitar sua automação.

O tema Rodovias (20/07 às 16h, quarta-feira, no 22º andar do Clube de Engenharia) ficará sob a responsabilidade de Flávio Freitas, Diretor de Desenvolvimento e Tecnologia da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), que abre o diálogo sobre a situação rodoviária em todo mo país, por estado. Além de abordar as possibilidades do mercado de trabalho para engenheiros nas áreas de construção, manutenção e administração das rodovias, a ABCR tratará da eficiência do transporte rodoviário para o desenvolvimento local do entorno de rodovias e para maior escoamento da produção.

Transportes Terrestres (27/07, às 16h, quarta-feira, no 22º andar do Clube de Engenharia), com Jorge Luiz Macedo Bastos, Diretor-Geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Como representante do governo a ANTT vai dar o seu parecer sobre ferrovias, logísticas, rodovias e demais especificidades do tema.