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notícia 05/03/2018

Homenagem a Itamar Franco, presidente nacionalista

“Além da defesa intransigente das empresas estatais, a ética foi marca inquestionável na história política e pessoal do ex-presidente” (Djalma Morais, que presidiu a Cemig por 16 anos).
“Além da defesa intransigente das empresas estatais, a ética foi marca inquestionável na história política e pessoal do ex-presidente” (Djalma Morais, que presidiu a Cemig por 16 anos).

O Instituto Itamar Augusto Franco – IIAF, guardião da memória do engenheiro que presidiu o país entre 1992 e 1995 e deixou um legado de cidadania ao longo de sua vida pública, foi a instituição homenageada no almoço realizado em 1º de março. A homenagem ocorre em momento que, se estivesse vivo, certamente Itamar estaria cerrando fileiras com o Clube de Engenharia e demais segmentos da sociedade contra a privatização do Sistema Elétrico Brasileiro (SEB). O fato de em 1999, recém-empossado governador de Minas, Itamar ter se posicionado corajosamente contra a privatização de Furnas foi lembrado com admiração por todos.

A postura irredutível contra a privatização do setor, segundo o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, “credencia o presidente Itamar a ser símbolo da resistência do Clube em benefício do interesse nacional, social e de nossa soberania”. “O Clube persistirá na resistência a essa privatização indesejável que destruirá um sistema interligado, único no mundo”.

Pedro Celestino resgatou parte da história de um importante período da vida política do país ao informar que o Sistema Interligado Nacional, agora ameaçado, foi construído com a competência e o sacrifício de gerações de brasileiros desde a década de 1950, a partir da constituição da Cemig. “Juscelino Kubitschek era governador de Minas e São Paulo tinha como governador um grande engenheiro especialista em hidráulica, Lucas Nogueira Garcez, que deu início ao aproveitamento da Bacia Tietê-Paraná. O Rio, então capital da República, saiu da condição de prisioneiro de constantes apagões”, relatou.

Celestino também fez referência ao desmonte desse sistema, nos anos 90, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. “O sistema teve o seu funcionamento muito piorado nas reformas de 2004 e 2012, nos levando a indesejável situação atual, em que nos tornamos prisioneiros da mercantilização e financeirização da energia, que deixa de ser insumo indispensável ao funcionamento da indústria e das atividades produtivas e da sociedade e passa a ser uma mercadoria com preço que flutua ao sabor dos humores do mercado”.

Djalma Morais, que presidiu a Cemig por 16 anos e representou Marcelo Lignani Siqueira, presidente do Instituto Itamar Augusto Franco, destacou que sobre o viés nacionalista do homenageado não havia mais o que falar porque entendia que tudo foi dito no perfil traçado por Pedro Celestino na apresentação, mas que se sentia extremamente honrado em poder dar o seu testemunho sobre a posicionamento do homem público com quem conviveu por décadas. “Além da defesa intransigente das empresas estatais, a ética foi marca inquestionável na história política e pessoal do ex-presidente”, afirmou.

Luiz Pinguelli Rosa, da diretoria da COPPE/UFRJ, que presidiu a Eletrobras no primeiro governo Lula, fez questão de deixar claro que não vê argumento técnico para a privatização da empresa. "Para angariar recursos para o governo, em comparação com a dívida interna existente, o valor que seria arrecadado pela venda do sistema Eletrobras é irrisório. Nossa melhor homenagem ao Itamar é sermos contra e resistirmos a essa privatização hoje e sempre”, defende o professor.

Compuseram a mesa, além de Pedro Celestino, Djalma Morais, e do professor Pinguelli Rosa, o ex-presidente Raymundo de Oliveira, o 1º vice-presidente Sebastião Soares, o presidente da Associação de Empregados de Furnas (ASEF) Victor Costa e o diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina) Roberto Pereira D’Araujo.

O evento foi ainda um espaço de confraternização dos aniversariantes de fevereiro associados do Clube de Engenharia: Abílio Tozini, Guaraci Corrêa Porto, Henrique Amigo, Margarida Lima, Miguel Angelo Rabelo, Oswaldo Machado Tavares, Roberto Taveiros Darski e Sergio da Costa Velho.