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notícia 24/10/2014

Óleo de cozinha usado: coleta, reciclagem e benefícios para o Meio Ambiente

Inimigo Silencioso. Este é o alerta dado durante a palestra “Óleo de Cozinha Usado: coleta, reciclagem e seus benefícios para o meio ambiente”, que aconteceu nesta quinta-feira, 23 de outubro, no Clube de Engenharia. Ministrada pelo engenheiro eletricista Eduardo Caetano, coordenador do Programa de Reaproveitamento de Óleo Vegetal (PROVE), o evento foi promovido pela Divisão Técnica de Engenharia Química (DTEQ) e apresentado por Paulo Murat, chefe da DTEQ.

Segundo dados da Oil World, o Brasil é responsável pela produção de nove bilhões de litros de óleo vegetal por ano. Deste volume produzido, 30% são destinados a óleos comestíveis, mas apenas 1% desse montante é realmente coletado e reciclado.

Trabalhando desde 2009 no Programa de Reaproveitamento, Caetano lembrou que o PROVE atendia apenas à região metropolitana do Rio de Janeiro e hoje está inserido em todos os municípios do estado. A partir da inserção do Programa na lei do ICMS Verde, que incentiva as prefeituras que investem na preservação ambiental receber maior repasse do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), todos os municípios passaram a reivindicar o recolhimento do óleo na sua região de olho nos repasses que são proporcionais às metas alcançadas. Ou seja, quanto melhores os indicadores, mais recursos as prefeituras recebem, o que ele considera a maior vitória do PROVE desde a sua criação.

O engenheiro alertou para o impacto ambiental do descarte do óleo pelo ralo das residências e restaurantes, já que uma vez ali, além do entupimento das caixas de gordura, podem trazer grandes despesas para os condomínios. O material é considerado um dos maiores poluidores de águas doces e salgadas e diferentemente de outros “lixos”, como as garrafas pets, por exemplo, não podem ser retiradas com facilidade. Por conta disso, a Secretaria de Meio Ambiente percebeu que era mais interessante incentivar os programas de coleta e reciclagem do que fazer limpeza e dragagens da Baía de Guanabara, que será palco de alguns esportes aquáticos nas Olimpíadas de 2016 e é uma grande preocupação do estado.

Além do caráter ambiental, o programa visa o aspecto social, apoiando as cooperativas de catadores, patrocinando toda a parte logística, e o pilar industrial, já que o óleo reciclado transforma-se em sabão pastoso e biodiesel, criando também o benefício financeiro.

O surgimento da Lei dos Resíduos Sólidos impôs o fim de todos os lixões do Brasil. Nesta direção, a Secretaria do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro trabalhou para a redução de todos os lixões, tal como fez com o de Gramacho, que atrapalhava os voos no Galeão e comprometia também as Olimpíadas e a Copa do Mundo de Futebol. Com a criação dos aterros sanitários, onde paga-se para descartar o lixo, todas as prefeitura passaram também a se preocupar com a coleta seletiva. É a trajetória de consolidação do movimento em prol da reciclagem.