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notícia 20/04/2016

Opções para a mobilidade urbana no Rio de Janeiro

O engenheiro Ivan de La Rocque lançou ontem (19), no Clube de Engenharia, o livro O Rio de Janeiro do Terceiro Milênio, volume 2. Ivan propõe, a partir de estudos na área de planejamento urbano e transportes, três linhas de Veículo Leve sobre Trilho (VLT) e demonstra a possibilidade de a cidade ter centro e zona sul com menos trânsito, menos poluição, e pontos turísticos acessíveis.

As linhas propostas pelo engenheiro englobariam o Porto Maravilha, Centro da Cidade, Flamengo, Botafogo, Copacabana, Ipanema, Leblon, Gávea e Jardim Botânico. O livro traz detalhes de como seriam os trajetos dessas linhas, rua por rua, estações que seriam criadas, assim como novos binários, garagem, oficina de manutenção, galerias subterrâneas, novos túneis e ciclovias. Segundo o autor, o sistema, que funcionaria lado a lado com os carros, beneficiaria os bairros afetados, não só em termos de melhoria de qualidade de transportes, mas também em relação ao meio ambiente, visto que eliminaria fortes agentes de poluição. Devido ao trajeto, também seria muito útil ao turismo.

O sistema tornaria dispensável a circulação de ônibus nos bairros mais frequentados da Zona Sul, mas existiriam estações de transbordo possibilitando a integração entre ônibus, metrô e VLT. Bairros fora da zona de influência do VLT seriam conectados à troncal circular por meio de veículos de pequeno porte. Assim, também seriam servidos os bairros da Urca, Leme, Horto Florestal, Gávea e Vidigal. O plano ainda prevê micro alimentadores com integração física e tarifária. O livro ressalta a importância de terminais elevados, com arquitetura que os tornem práticos e funcionais para moradores da região e os que ali transitam.

O engenheiro propõe um esforço unido para a concretização do plano, envolvendo Rio-Ônibus, Clube de Engenharia, Associação Comercial, Prefeitura e Jockey Club. Segundo afirma, o novo sistema de transporte dará aos turistas acessos rápido e seguro ao Porto Maravilha, Praça Mauá, igrejas do centro da cidade, museus, praias e famosos pontos turísticos.

Planejamento urbano

 “O Rio de Janeiro precisa dar ao visitante a sensação e a convicção de que o Governo Municipal está realmente no comando das ações de planejamento urbano local”, afirma  Ivan de La Rocque na publicação. Foi exatamente sobre isso que se debateu durante o lançamento.

Para Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, não há como solucionar problemas para a cidade sem planejamento. Mas, segundo destacou, esta é uma atividade abandonada no Brasil há pelo menos 20 anos. “O Clube de engenharia está propondo a reintrodução do planejamento como uma atividade de estado. Não é uma atividade de governo. Os órgãos existentes no Rio de Janeiro se destinam ao controle de execução orçamentária e não pensam mais no ponto de vista sistêmico, ordenado, em relação aos nossos principais problemas”.

Recentemente, registrou, foi instalado no estado do Rio de Janeiro um conselho consultivo da região metropolitana  que se propõe a pensar a região metropolitana em todos os seus aspectos, inclusive o da mobilidade. Segundo Celestino, a solução de muitos dos problemas da cidade pede a participação conjunta dos governos federal, estadual e municipais. Mas “a pressa das administrações em realizar a obra e apresentar resultados é de tal ordem que hoje não se consegue sequer dialogar com as autoridades”, afirmou.