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notícia 15/12/2014

Queda do Viaduto de Belo Horizonte

Alça norte do Batalha dos Guararapes - Foto: Beto Magalhães/EM/D.A. Press
Alça norte do Batalha dos Guararapes -
Foto: Beto Magalhães/EM/D.A. Press

No dia 3 de julho de 2014, uma tragédia comoveu a cidade de Belo Horizonte, MG. Na queda do Viaduto Guararapes, duas pessoas morreram e 23 ficaram feridas.  Em palestra realiada dia 2 de dezembro, no Clube de Engenharia, o Engenheiro Civil Bruno Contarini, esclareceu onde, em sua opinião, estava o erro do projeto.

O encontro teve início com a apresentação do presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, e foi promovida pela Divisão de Atividades Técnicas (DAT), Divisão Técnica de Engenharia de Estruturas (DES), Divisão de Técnica de Engenharia Geotécnica (DTG), e a Divisão Técnica de Engenharia de Construção (DCO).

Com uma sequência de slides, e detalhes minuciosos, Contarini apresentou as plantas da obra, até chegar ao ponto crucial que acabou por derrubar o viaduto. Segundo ele, a falta de armação foi o vilão dessa tragédia. “O que derrubou foi falta de armação na proporção de 100/8, algo nessa ordem. Houve alguma falha na planta.”

Outra falha apontada foi com relação ao protendido, que segundo Contarini, não foi coberto de maneira correta. “Um bloco sem fissura, funciona sem problema nenhum, mas na hora que aparece a fissura, se não tiver o ferro ou não for suficiente, vai partir”.

Contarini mencionou a importância de um profissional que verifique o projeto. Relatou que no período em que trabalhou na França, Suíça e Argélia, todo projeto tinha obrigação de ser segurado. E a seguradora contrata um profissional pra verificar os detalhes do projeto, mas com o intuito de ajudar e não de apontar erros, o que é um diferencial, segundo ele.

“Engenharia para mim é projeto, execução, manutenção e recuperação. Derrubar uma obra se ela puder ser recuperada, como é o caso do Joá, eu acho criminoso”, referindo-se a matérias veiculadas na imprensa, com  especialistas sugerindo, como opção, a demolição do Elevado do Joá.

Ao fim da palestra, Maurício de Lana, representante da Consol, autora do projeto, trouxe um parecer do calculista e apontou algumas falhas, dentre elas, 42 janelas na estrutura do viaduto que não estavam previstas no projeto anterior.

Lana confirmou que não acompanhava a obra desde abril de 2013, quando terminou o contrato com Cowan, executora da construção. Apesar de admitir que houve erro de transcrição do cálculo para o desenho em um único ponto, afirmou que este não seria suficiente para o desabamento. A empresa alega, ainda, que a obra não foi executada conforme o projeto inicial.