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notícia 08/11/2017

Usinas precisam de mais atenção

A gravíssima crise do sistema elétrico brasileiro se agrava ainda mais com a paralisação das obras de Angra 3. Foto: Eletronuclear
A gravíssima crise do sistema elétrico brasileiro se agrava ainda mais com a paralisação das obras de Angra 3.
Foto: Eletronuclear

Por Sérgio Malta*
Publicado em O Dia (08/11/2017)

 

A interrupção das obras de Angra 3 agrava ainda mais a crise dos sistema elétrico nacional. Sem falar nos prejuízos para as prefeituras de Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro, com a redução na oferta de empregos, a interrupção dos investimentos e a diminuição no nível de arrecadação de impostos e encargos. A oferta adicional de energia que a usina proporcionaria aliviaria a sobrecarga do sistema afetado pelo baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas e acionamento das usinas térmicas.

A situação financeira que para a Eletronuclear, responsável pelas usinas, se agravou com a não renovação do parcelamento da dívida da empresa com o BNDES para a construção de Angra 3. Com isso, as despesas mensais da Eletronuclear vão aumentar em cerca de R$30 milhões, provocando déficit em seu fluxo de caixa que comprometerá pagamentos a fornecedores, especialmente à Indústria Nucleares do Brasil (INB), responsável pelo fornecimento do combustível nuclear às usinas Angra 1 e Angra 2.

Para piorar, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA), em tramitação no Congresso, contingencia o orçamento para o exercício 2018 da INB. Somado os dois fatos, atraso do pagamento da Eletronuclear e contenção do orçamento, a IBN terá dificuldades para fornecer, no ano que vem, combustível às duas usinas nucleares em operação, o que pode levar à interrupção de Angra 1 e 2 com reflexos diretos no fornecimento de energia ao Sistema Interligado Nacional. E isso em 2018 que, segundo os prognósticos dos órgãos especializados em clima, será marcado pela falta de chuvas.

Diante desse cenário, é importante o apoio da Eletrobrás, dos ministérios de Minas e Energia e do Planejamento, do BNDES e do Congresso em propor medidas e apresentar sugestões que evitem crise maior ao sistema elétrico no próximo ano. E assegurem a continuidade operacional da indústria nuclear, estabelecida ao longo das últimas décadas e motivo de projeção do país no cenário tecnológico mundial.

*Sérgio Malta é presidente do Conselho de Energia da Firjan