O Clube de Engenharia acaba de homenagear e comemorar os 55 anos de existência do BNDES (ver matéria na página3), instituição fundada por brasileiros intimamente comprometidos com os interesses nacionais. Inúmeros e destacados membros do corpo técnico dessa instituição, que tantos serviços tem prestado ao país, participam há décadas, sempre de forma profícua, das atividades do Clube de Engenharia.

Há anos o Clube de Engenharia luta pela elaboração de um projeto de nação capaz de transformar nossa sociedade agrário-industrial em uma sociedade do conhecimento. Em parte por não termos um projeto desse tipo arraigado na consciência de nosso povo é que amargamos, há quase um quarto de século, o desmantelamento da estrutura produtiva interna, agravada ainda mais pela inflação e pela voracidade da especulação financeira, com o conseqüente quadro de desemprego e desagregação social que hoje vivemos.

Se é verdade que o país enfrentou tal descalabro, não se pode negar que o Rio de Janeiro vem sangrando há quase 50 anos. É inaceitável assistirmos passivamente mães e filhos, a caminho da escola, expostos ao fogo cruzado; é inaceitável assistirmos passivamente à desintegração do ensino e da assistência médica pública para os menos favorecidos, justamente aqueles mais necessitados.

São urgentes ações enérgicas e imediatas para reverter este quadro. Há décadas a população fluminense vem sendo penalizada pelos desentendimentos entre os governos federal, estadual e municipal da cidade do Rio de Janeiro. A atual cooperação entre essas três esferas de governo, creditadas com justiça ao governador Sergio Cabral, aponta para um novo tempo em nosso estado.

Vale ressaltar os investimentos federais listados no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e que beneficiam o Rio: a construção do Arco Rodoviário; a duplicação da Rodovia Rio-Santos no trecho Santa Cruz – Itacuruçá e a ampliação do Porto de Itaguaí.

Também cabe mencionar os investimentos da Petrobras na construção do Pólo Petroquímico de Itaboraí, a decisão estratégica do governo de construir no país, mais precisamente no Rio, as plataformas de Petróleo P-51, P-52, P-56 e P-57, assim como, a reconstrução de nossa frota petroleira, mediante encomendas pela Transpetro de 46 navios, boa parte deles contratados no Rio.

Os investimentos privados na construção das siderúrgicas CSA e CSN, além da duplicação da Gerdau, todas localizadas na Zona Oeste do Rio de Janeiro; a construção da Usina Nuclear Angra III, recém decidida, bem como a construção do Mineroduto e Porto de Açu, no norte do Estado, são ações de molde a reverter a situação de esvaziamento que sofreu nosso estado. Em praticamente todos os empreendimentos acima listados registra-se a decisiva presença do BNDES como agente financiador.

São decisões e iniciativas como essas que contribuirão para acelerar o ritmo de expansão da economia do país, elevando a taxa de crescimento para números acima de 5% ao ano.
Diante desse quadro positivo se coloca, entretanto, um desafio: como, aproveitando todas estas oportunidades, traduzir estes investimentos em reais benefícios para o conjunto da sociedade? Como proporcionar aos menores melhores oportunidades?

É preciso que os projetos sejam desenvolvidos e detalhados por empresas de engenharia, consultoria e software aqui instaladas. Faz-se necessária a construção por empresas do Rio de Janeiro de instalações e equipamentos integrantes dos empreendimentos em implantação no estado. Falta ainda a recuperação da indústria de navipeças e a expansão e consolidação da construção naval no Rio. Para isso, é fundamental a participação das universidades e de seus centros de pesquisas no desenvolvimento de tecnologias adequadas à nossa realidade.

Se, ao contrário, importarmos incondicionalmente todos os equipamentos, se contratarmos lá fora toda a engenharia, se importarmos todo o software necessário estaremos, com recursos de nosso povo, gerando riqueza, tecnologia e empregos lá fora. Teremos construído excelentes bases exportadoras, perpetuando entretanto aqui, maior dependência tecnológica, mais desemprego, miséria e violência. Esse caminho não nos convém. O Rio de Janeiro não merece esse caminho. Esse não é o caminho para a soberania do Brasil.

A Diretoria

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