A engenharia e a indústria brasileiras estão frente a um enorme desafio, representado pela exploração do pré-sal. O Clube de Engenharia por ocasião do lançamento do edital da Nona Rodada de Licitações de Blocos Exploratórios de Petróleo e Gás, há mais de um ano, levantou a questão da existência de imensas reservas de petróleo e gás na camada pré-sal, propondo a retirada da licitação dos blocos que teriam acesso a essas reservas e, em conseqüência, a revisão do marco regulatório do setor petrolífero.

Dada a importância que tomou o assunto, e de forma a podermos contribuir para a regulamentação da exploração das reservas do pré-sal, o Conselho Diretor do Clube de Engenharia criou uma comissão para organizar o debate desse tema, de modo a ampliar o conhecimento do Clube e de seus associados sobre o pré-sal.

Desse debate, alguns pontos são consensuais.

Não foi considerada necessária a criação de nova estatal. Essa nova empresa não se justifica, pois iria buscar seus quadros na Petrobras, e isto só contribuiria para enfraquecer a nossa principal empresa. A Petrobras sempre foi movida por desafios tecnológicos. O pré-sal é mais um deles. Devemos transformar as dificuldades em oportunidades de desenvolvimento tecnológico. O fato de que se vai trabalhar na fronteira tecnológica deve ser mais um incentivo ao investimento em P&D. Trata-se de um nicho onde a Petrobras está nessa fronteira tecnológica. Vamos investir e não perder essa posição privilegiada. O risco tecnológico dessa exploração é uma oportunidade única e desafiadora para a nossa engenharia. Foi isso que aconteceu quando a Petrobras foi para águas profundas e começou a superar as barreiras tecnológicas.

Além disso, é consenso que o pré-sal abre um novo ciclo de desenvolvimento tecnológico e industrial. A cadeia produtiva necessária ao aproveitamento do pré-sal cria oportunidades que transcendem a área diretamente ligada à produção de petróleo, tendo aplicações mais abrangentes. A área naval, com oportunidades imensas para navios e plataformas, a área de informática de ponta, com tecnologia 3D, onde temos excelente pessoal com poucas oportunidades de utilização, e muitos outros caminhos a serem descobertas e incentivados. Para tanto, nossos centros de pesquisas e nossas universidades de excelência devem ser desafiadas.

Por outro lado, o ritmo de extração das reservas deve ser o que atenda aos interesses do país, inclusive para dar tempo de se criar uma nova da infra-estrutura industrial, que venha trazer outros benefícios ao país. Nosso ritmo de produção deve ser avaliado levando em conta os interesses nacionais. Isso vai implicar em mudanças legais, pois a legislação atual entrega aos que ganharem os leilões a posse do petróleo, perdendo o país a soberania da decisão de quanto e quando produzir. Será, pois, necessária a criação de um novo marco regulatório, pelo qual a União estabeleça o ritmo da exploração.

Há, no entanto, questões que precisam ser aprofundadas. Entre elas a questão do "funding" da Petrobras. Os investimentos de porte previstos no pré-sal exigirão certamente aumento de seu capital e maior acesso a linhas de financiamento.

Será possível conviver com a Lei 9.478 fora da área pré-sal e ter outra legislação específica para este? Toda mudança na legislação terá que passar pelo Congresso. O Governo nomeou uma comissão ministerial, que irá apresentar em breve uma proposta sobre como tratar o pré-sal.

A Petrobras não está parada, pois tem prazos a cumprir dentro da lei, na exploração do pré-sal nos blocos em que obteve a concessão em leilões anteriores. Por isso, já encomendou o afretamento 12 navios-sonda, cuja construção será feita no exterior. Mas ainda tem mais 28 unidades do mesmo tipo que pretende construir no país. Existe ainda a encomenda de 146 barcos de apoio, várias plataformas de produção e navios para a frota da Transpetro, que também está se expandindo.
Há muito tempo a engenharia e a indústria brasileiras não enfrentam um desafio desse porte. É hora do Clube de Engenharia, que vem lutando contra os leilões, que entendeu como prejudiciais ao país, debater o assunto, formar opinião e tentar influir para que esse projeto do pré-sal seja um elemento de agregação de valor ao desenvolvimento do Brasil.

É preciso não só viabilizar os recursos indispensáveis aos projetos de produção desse energético estratégico que é o petróleo, mas também, com as receitas futuras, aumentar os investimentos em educação e desenvolvimento tecnológico, o que é essencial para manter as novas gerações na liderança tecnológica em águas profundas.O Clube de Engenharia e o Pré-Sal

A engenharia e a indústria brasileiras estão frente a um enorme desafio, representado pela exploração do pré-sal. O Clube de Engenharia por ocasião do lançamento do edital da Nona Rodada de Licitações de Blocos Exploratórios de Petróleo e Gás, há mais de um ano, levantou a questão da existência de imensas reservas de petróleo e gás na camada pré-sal, propondo a retirada da licitação dos blocos que teriam acesso a essas reservas e, em conseqüência, a revisão do marco regulatório do setor petrolífero.

Dada a importância que tomou o assunto, e de forma a podermos contribuir para a regulamentação da exploração das reservas do pré-sal, o Conselho Diretor do Clube de Engenharia criou uma comissão para organizar o debate desse tema, de modo a ampliar o conhecimento do Clube e de seus associados sobre o pré-sal.
Desse debate, alguns pontos são consensuais.

Não foi considerada necessária a criação de nova estatal. Essa nova empresa não se justifica, pois iria buscar seus quadros na Petrobras, e isto só contribuiria para enfraquecer a nossa principal empresa. A Petrobras sempre foi movida por desafios tecnológicos. O pré-sal é mais um deles. Devemos transformar as dificuldades em oportunidades de desenvolvimento tecnológico. O fato de que se vai trabalhar na fronteira tecnológica deve ser mais um incentivo ao investimento em P&D. Trata-se de um nicho onde a Petrobras está nessa fronteira tecnológica. Vamos investir e não perder essa posição privilegiada. O risco tecnológico dessa exploração é uma oportunidade única e desafiadora para a nossa engenharia. Foi isso que aconteceu quando a Petrobras foi para águas profundas e começou a superar as barreiras tecnológicas.

Além disso, é consenso que o pré-sal abre um novo ciclo de desenvolvimento tecnológico e industrial.

A cadeia produtiva necessária ao aproveitamento do pré-sal cria oportunidades que transcendem a área diretamente ligada à produção de petróleo, tendo aplicações mais abrangentes. A área naval, com oportunidades imensas para navios e plataformas, a área de informática de ponta, com tecnologia 3D, onde temos excelente pessoal com poucas oportunidades de utilização, e muitos outros caminhos a serem descobertas e incentivados. Para tanto, nossos centros de pesquisas e nossas universidades de excelência devem ser desafiadas.

Por outro lado, o ritmo de extração das reservas deve ser o que atenda aos interesses do país, inclusive para dar tempo de se criar uma nova da infra-estrutura industrial, que venha trazer outros benefícios ao país. Nosso ritmo de produção deve ser avaliado levando em conta os interesses nacionais. Isso vai implicar em mudanças legais, pois a legislação atual entrega aos que ganharem os leilões a posse do petróleo, perdendo o país a soberania da decisão de quanto e quando produzir. Será, pois, necessária a criação de um novo marco regulatório, pelo qual a União estabeleça o ritmo da exploração.

Há, no entanto, questões que precisam ser aprofundadas. Entre elas a questão do "funding" da Petrobras. Os investimentos de porte previstos no pré-sal exigirão certamente aumento de seu capital e maior acesso a linhas de financiamento.

Será possível conviver com a Lei 9.478 fora da área pré-sal e ter outra legislação específica para este?

Toda mudança na legislação terá que passar pelo Congresso. O Governo nomeou uma comissão ministerial, que irá apresentar em breve uma proposta sobre como tratar o pré-sal.
A Petrobras não está parada, pois tem prazos a cumprir dentro da lei, na exploração do pré-sal nos blocos em que obteve a concessão em leilões anteriores. Por isso, já encomendou o afretamento 12 navios-sonda, cuja construção será feita no exterior. Mas ainda tem mais 28 unidades do mesmo tipo que pretende construir no país. Existe ainda a encomenda de 146 barcos de apoio, várias plataformas de produção e navios para a frota da Transpetro, que também está se expandindo.

Há muito tempo a engenharia e a indústria brasileiras não enfrentam um desafio desse porte. É hora do Clube de Engenharia, que vem lutando contra os leilões, que entendeu como prejudiciais ao país, debater o assunto, formar opinião e tentar influir para que esse projeto do pré-sal seja um elemento de agregação de valor ao desenvolvimento do Brasil.

É preciso não só viabilizar os recursos indispensáveis aos projetos de produção desse energético estratégico que é o petróleo, mas também, com as receitas futuras, aumentar os investimentos em educação e desenvolvimento tecnológico, o que é essencial para manter as novas gerações na liderança tecnológica em águas profundas.

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