X CBDMA Batalha moderna contra inimigos invisíveis no ar e na água

O professor José Luiz Magalhães Rios, coordenador do curso de pós-graduação em Alergia e Imunologia da Faculdade de Medicina de Petrópolis e médico da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, falou sobre a qualidade do ar das cidades e de sua enorme concentração de dióxido de enxofre, óxidos de azoto, monóxido de carbono, ácido sulfúrico e outros gases e partículas inaláveis que, diariamente, nos expõem a grandes riscos. Em contraponto com a atmosfera externa, Rios falou sobre a atmosfera interna, criada pelo homem nas últimas décadas dentro dos prédios selados de escritórios, hotéis e shoppings. Embora diversos indícios apontem para prejuízos à saúde relacionados a tais construções, as pesquisas são inconclusivas. "Ainda há controvérsias nessa área. Os indicadores estudados precisam ser avaliados e novas pesquisas precisam ser feitas. Infelizmente, é difícil conseguir autorização para isso. As empresas costumam temer que o resultado das pesquisas cause processos trabalhistas", explica Rios. 

Marcia Dezotti, professora do programa de engenharia química da COPPE/UFRJ, fez um alerta ainda mais urgente: desreguladores endócrinos (hormônios), fármacos e poluentes resistentes em baixa concentração na água que bebemos causam doenças como câncer de próstata e mama, além de acelerar a puberdade em crianças e diminuir a produção de esperma nos homens. Essas substâncias naturais ou sintéticas são retiradas em parte no processo de tratamento de água, mas não são plenamente eliminadas e seguem causando danos. "Boa parte dos antibióticos que nós tomamos é eliminado na urina. Após o tratamento da água, parte suficiente do remédio permanece na água para que as bactérias criem resistência a ele", alerta a professora que defende um tratamento diferenciado para as substâncias mais perigosas. "Os hábitos da sociedade mudaram. Não há como pensar o saneamento como na década de 40. Cabe a nós da academia identificar os problemas e encontrar as soluções para a matriz água". 

Participaram dos debates de quinta-feira, ainda, Virgínia Salerno, diretora de atividades técnicas do Clube de Engenharia e coordenadora do X CBDMA; Ernani de Souza Costa, diretor da ABES-RJ e da Conen; José Henrique Penido, assistente da chefe da Diretoria Técnica e Industrial da COMLURB; o especialista Dan Moche Schneider; e Rodrigo Codevila Palma, coordenador de arquitetura e de projeto para edificações e sistema de teleférico do Complexo do Alemão.

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