Os sócios do Clube de Engenharia acompanharam com vivo interesse as discussões que se travaram por ocasião da 15ª Conferência Climática (COP-15) patrocinada pela ONU e realizada em Copenhague (Dinamarca) no período de 7 a 18 de dezembro de 2009, envolvendo 192 países.

A Conferência que tinha sido realizada em Kyoto (Japão) em 1997 resultou em um acordo – o Protocolo de Kyoto – que determina que países desenvolvidos devam reduzir até 2010 5,2% de suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. Os GEE, dos quais o predominante é o dióxido de carbono (CO2), são os responsáveis pelo aquecimento global e mudanças climáticas do planeta. Naquela ocasião, os EUA, país historicamente mais poluidor do planeta, para frustração geral recusou-se a ratificar o acordo, fazendo com que o Protocolo ratificado pelos demais países somente pudesse cumprir parcialmente os seus objetivos.É importante esclarecer que não basta o representante do país na Conferência assinar o Protocolo. Ele precisa ser ratificado, isto é, obter a aprovação formal pelo respectivo Parlamento do país para que o Protocolo seja considerado validado pelo mesmo. Foi o que ocorreu com os EUA, que assinaram o Protocolo, mas não o ratificaram.
Durante a Conferência de Montreal (Canadá) em 2005 foi discutida pela primeira vez a questão da Redução das Emissões decorrentes do Desmatamento e Degradação Florestal (REED). Os sumidouros são processos que retiram os gases do efeito estufa da atmosfera. O mais importante dos sumidouros é a floresta, já que os vegetais utilizam o dióxido de carbono no processo de fotossíntese. Na Conferência de Montreal os países reconheceram que as emissões de carbono por desmatamento nos países em desenvolvimento como por exemplo o Brasil, a Malásia e a Indonésia contribuem para as mudanças climáticas e há necessidade de tomar a decisão de combatê-las. Esse assunto afeta diretamente o Brasil, já que a principal fonte de emissão de carbono do país é exatamente a causada pelo desmatamento da floresta amazônica.

Como reunião preparatória da Conferência de Copenhague foi realizada a Conferência de Bali (Indonésia) em 2007, na qual se redigiu um Plano de Ação que definiu 5 tópicos a serem debatidos em 2008 e definidos até 2009: 1) transferência de tecnologia limpa proveniente dos países desenvolvidos; 2) mobilização e disponibilização de recursos financeiros para enfrentar as questões de mudança de clima; 3) adaptação (preparação para as mudanças que ocorrerão no mundo por causa do aquecimento do planeta), 4) mitigação (intervenção humana para combater e reduzir as emissões de gases do efeito estufa na atmosfera); e 5) definição sobre o valor da redução das emissões de gases do efeito estufa.

Os interesses dos países mais poluentes e dos menos poluentes entraram em rota de colisão durante a Conferência de Copenhague, a qual teve também a participação ativa de ONG’s relativas ao meio ambiente. Os dois países mais poluentes do mundo (a China ultrapassou os EUA na classificação geral) apresentaram metas pouco audaciosas de redução da emissão de gases do efeito estufa, frustrando os presentes à Conferência. O Brasil apresentou metas de redução até 2020 consideradas audaciosas, a serem conseguidas com recursos próprios, não somente da emissão de gases do efeito estufa (entre 36,1% e 38,9%) como também do desmatamento da Amazônia (80%). Nos últimos dias da Conferência os Chefes de Estado de cerca de 120 países, inclusive os da China e dos EUA se fizeram presentes para que tentar fechar um acordo político em relação às metas ambientais com o objetivo de salvar a Conferência do fracasso. Estabeleceu-se afinal uma espécie de carta de intenções redigida por alguns países (EUA, Brasil, China, Índia e África do Sul) sem metas de redução da emissão dos gases do efeito estufa e fixando-se um compromisso de impedir a elevação da temperatura média do planeta em 2°C até 2020, sem definir como conseguí-lo. O resultado foi considerado decepcionante, tendo sido a carta inclusive não aceita por uma parte do Plenário da Conferência. Tal carta de intenções não é considerada um Tratado Internacional já que foi somente assinada pelos representantes dos países que a redigiram. Estabeleceu-se nova Conferência no México em novembro de 2010 para tentativa de acordo com efeitos jurídicos no plano internacional e com metas definidas, principalmente sobre a redução da emissão de gases do efeito estufa. Até lá, continuam válidos os compromissos estabelecidos no Protocolo de Kyoto que foram assumidos pelos países que o ratificaram em 1997 e que atualmente são considerados tímidos.

De qualquer maneira, essa Conferência revelou uma grande mobilização dos cidadãos e da mídia em relação aos temas ambientais que afetam o nosso planeta e uma maior conscientização dos habitantes do nosso mundo de que se não houver um esforço conjunto dos países e de cada cidadão em relação à redução do efeito estufa na atmosfera as conseqüências para o nosso planeta em relação ao aquecimento global serão desastrosas já nos próximos 10 anos.

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