Clube de Engenharia e UFRRJ se unem para fortalecer a cultura da banana no estado do Rio de Janeiro

Com o objetivo de dar dinamismo e de colocar em prática os processos que transformarão pequenos produtores rurais em empreendedores, será realizado, entre os dias 16 e 18 de novembro, o II Encontro Estadual do Arranjo Produtivo Local (APL) da Banana

O estado do Rio de Janeiro produz cerca de seis toneladas por hectare de banana por ano. O produto final, superior em sabor em relação a outros mercados, com a garantia de não sofrer a ação de agrotóxicos ou adubos químicos, perde espaço quando o que está em jogo é o aspecto. Resultado: a maior parte da banana comercializada vem de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. É essa a realidade que o projeto do Arranjo Produtivo Local da Banana (APL) pretende mudar sob a coordenação do Clube de Engenharia (DTE de Recursos Naturais Renováveis, com o apoio das DTEs de Engenharia Química e Engenharia do Ambiente), da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica (Fapur) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Para criar um espaço de troca de informações e de planejamento estratégico, o II Encontro Estadual do APL da Banana será realizado do dia 16 ao dia 18 de novembro

Em outubro de 2008, foi realizado no Clube de Engenharia, o I Encontro Estadual da APL da Banana. Na ocasião, foi feito um estudo dos fatores que a produção de banana no estado envolve. Também foram discutidos os possíveis caminhos para que os pequenos agricultores pudessem ter acesso ao conhecimento e às tecnologias necessárias, tornando o produto mais competitivo.

O II Encontro Estadual do APL da Banana será realizado do dia 16 ao dia 18 de novembro. Para criar um espaço de troca de informações e de planejamento estratégico, o encontro contará com a experiência dos agricultores familiares, das instituições governamentais, entidades não governamentais, profissionais e pesquisadores das ciências agrárias, que trocarão informações sobre cooperativismo e associativismo com os agricultores. Estarão presentes produtores dos municípios de Itaguaí, Mangaratiba, Paracambi, Seropédica, Angra dos Reis, Paraty, Casimiro de Abreu, Trajano de Morais, Rio Claro, Saquarema, Silva Jardim, Cachoeira de Macacu, Macaé, Rezende e Rio. “O primeiro encontro foi focado na implantação. Agora queremos algo voltado para a estrutura, com mais organicidade. A ideia é criar um sistema que seja mais permanente, que se desenvolva”, explicou o chefe da Divisão Técnica de Recursos Naturais Renováveis (DRNR), Ibá dos Santos.

Pontos sensíveis

O baixo padrão de qualidade da banana é resultado de diversos fatores. O primeiro deles é o caráter primordialmente extrativista da cultura da fruta. Há poucos tratos culturais, com sistema de colheita, seleção ou beneficiamento, o que compromete a aparência e a produtividade. “Os produtores não dispõem de tecnologia para melhorar o plantio. Hoje, extraímos seis toneladas por hectare ao ano. Segundo os estudos realizados por órgãos do governo do estado, se dermos condições para os pequenos produtores através de cursos de formação profissional e incentivos, podemos chegar a 15 toneladas por hectare ao ano. Se conseguirmos dobrar a produção em cinco anos já teremos êxito”, explica o engenheiro da Divisão Técnica de Engenharia Química (DTEQ), Ricardo Texeira.

Outro fator que contribui para que as frutas cheguem aos mercados e feiras com uma aparência deteriorada é o transporte. Nas pequenas propriedades, os cachos ainda são transportados por animais de carga e, for delas, o problema são as estradas vicinais mal conservadas. “É nesse ponto que precisamos muito da participação ativa do poder público”, aponta Ricardo.

Faceta social

Também serão discutidas as características sociais, econômicas e ambientais da cultura da banana nos municípios envolvidos para que se defina uma política pública para apoiar o desenvolvimento sustentável da produção agrícola nessas regiões, fazendo uso não só do fruto, mas do caule da bananeira como adubo orgânico e as folhas para a confecção de produtos artesanais.

Para o professor e vice-presidente da Fapur, Luiz Carlos, é a faceta sócio-ambiental do projeto que preservará a cultura da banana no Rio de Janeiro. “Um grande número de famílias vivem quase que exclusivamente da renda gerada pela cultura da banana. Na medida em que vão sendo excluídos do mercado, principalmente dos grandes supermercados, sua sobrevivência é ameaçada. Ao mesmo tempo, o projeto prevê a capacitação para um cultivo que preserve a Mata Atlântica e atente para as nascentes dos rios”.

 

Jornal 501 – novembro 2010 – página 10 – DTEs em ação

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