Uma nova biblioteca, totalmente reformada e adequada aos mais altos padrões de conservação de obras, abre as portas para associados, estudantes e pesquisadores de todo o país e do mundo

Preservar e lembrar o passado são as chaves para a construção de um futuro melhor. É pensando nisso que, nesta segunda-feira, 16 de julho, o Clube de Engenharia viverá momentos especiais de festa e homenagens ao seu passado recente e distante. Às 18h, no 22º andar, o espaço que guarda parte da memória da engenharia nacional e do próprio desenvolvimento do país será entregue aos associados do Clube e à sociedade civil após completa reforma. A Biblioteca Guardiã da Engenharia Nacional reabre as portas com sistema de controle de iluminação, umidade, temperatura, um espaço de guarda do acervo de acordo com os padrões de segurança e qualidade e duas salas de leitura. O projeto, que faz parte das festividades dos 130 anos do Clube de Engenharia, teve o patrocínio da Petrobras.

Às 17h30, no 25º andar, será inaugurada uma placa em homenagem ao ex-vice-presidente José Alencar. Naquele mesmo espaço, Alencar, no exercício da presidência da República, prestigiou a posse da atual diretoria, momento que será para sempre lembrado, registrado em bronze para os futuros engenheiros.

A biblioteca do Clube de Engenharia é, sem dúvida, um de seus maiores orgulhos. Desde sua fundação, há 128 anos, ela se consolidou como um espaço para a guarda da história da engenharia nacional e do próprio desenvolvimento do país. O valor histórico é incalculável.

Tendo André Rebouças como primeiro curador e patrono, o acervo, que abriga cerca de 15 mil livros, 200 títulos periódicos, além de teses, atas, relatórios, folhetos, CDs, DVDs é consultado diariamente por um grande número de alunos de cursos de especialização, mestrado, doutorado, além de professores e pesquisadores. Mais que um dos tesouros do Clube de Engenharia, trata-se de um valioso serviço prestado à população e ao país, como guardião de parte de sua memória.

Preservar em condições ideais tamanha riqueza sempre esteve na ordem do dia das diretorias do Clube de Engenharia. Em 2006, a diretoria da gestão do então presidente Raymundo de Oliveira realizou uma obra que reformou a sala de leitura e criou o museu do Clube, também na área da biblioteca. A área de guarda, do acervo, no entanto, não pôde ser revitalizada. O projeto era ambicioso e colocá-lo em prática exigia recursos que o Clube não dispunha.

Claudia Petrucio, bibliotecária do Clube, destaca a relevância do momento para a história da instituição. “A reforma representa a própria preservação da memória da engenharia nacional. Temos um acervo literalmente histórico, com obras de referência de nível nacional. Nós recebemos alunos do Brasil inteiro e vários professores do mundo todo. Grandes nomes da história do país foram associados ao Clube, como Rui Barbosa e Santos Dumond, e alguns

deles fizeram doações valiosas ao acervo ao longo do tempo”. Claudia destaca, ainda, que antes da criação do IBGE e outras entidades, o Clube de Engenharia era responsável pela cartografia e pelo aval das invenções nacionais a serem patenteadas. “Temos um material rico dessa época e parte dele foi digitalizado e está à disposição na Biblioteca Nacional”, destaca.

 

Preservação

O ano em que o Clube comemorou seus 130 anos foi marcado por parcerias fundamentais, entre elas, a da Petrobras. Do total de R$ 900 mil do patrocínio para a comemoração, um montante de R$ 600 mil foi dedicado à completa reforma física da biblioteca. O projeto conceitual de 2006 foi retomado e as obras já mostram uma nova biblioteca, moderna, informatizada, confortável: à altura de seu valor para o Clube de Engenharia e para o país. É comum que obras de reforma em espaços históricos exijam um estudo que aproxime o planejamento e execução da cultura e dos conceitos guardados pelas instituições. No caso da biblioteca do Clube, essa relação é anterior à obra.

A arquiteta Claudia Carvalho, responsável pela consultoria durante todo o projeto da reforma, desde 2006, sabe bem onde pisa. Seu trabalho de doutorado na Universidade de São Paulo, de 2001, foi sobre a preservação da arquitetura moderna. Entre as obras estudadas está o Edifício Edison Passos. “Esse prédio é um dos mais importantes para a arquitetura moderna carioca. Tenho 11 anos de história com ele. Em 2006, fiz um diagnóstico do que precisava ser feito na biblioteca. Quando o projeto foi retomado, eu e a conservadora Ingrid Beck fizemos a consultoria”, explica.

 

Desafios e realizações

Segundo Cláudia Carvalho, os desafios eram grandes. Embora constasse nas plantas originais, o edifício não foi projetado para abrigar uma biblioteca: “O primeiro desafio era a convivência da área de guarda com a área de passagem com o auditório do 22º andar. Esse conflito foi solucionado. Agora há um camarim para os palestrantes, que não precisarão mais ter qualquer contato com a biblioteca”. Claudia destaca, ainda, que as estantes que guardavam as obras tinham cerca de quatro metros e exigiam o uso de escadas para o acesso, comprometendo até mesmo a segurança. “A mudança do layout, colocando toda a biblioteca em um pavimento só, com estantes deslizantes, foi muito produtivo. Melhorou a condição de acesso, de guarda e, consequentemente, de preservação”, explica.

Controles de umidade relativa do ar, radiação solar, poluição e umidade são agora uma realidade na nova biblioteca, que conta com a última tecnologia em preservação. Foi um trabalho monumental e intenso. Claudia Petrucio, responsável pela biblioteca, desde 2003, explica o processo que ainda está em andamento. “Uma empresa especializada foi contratada para fazer o transporte do acervo para o 2º andar do Clube. Outra empresa ficou responsável pela higienização das obras. Uma terceira fez o restauro e a digitalização. Depois disso, entrou o trabalho de uma equipe de cinco profissionais que está selecionando o material e catalogando as obras”, explica.

Além de uma ampla sala de leitura com isolamento acústico e estantes – que trarão as obras de referência, como manuais, guias, dicionários e enciclopédias –, a nova biblioteca terá uma área de tratamento técnico e administrativa. Há também duas salas de trabalho que poderão ser usadas por grupos e pessoas para estudos e pesquisas com conforto e privacidade.

Concretizada a obra, o legado literário do Clube ao mundo estará seguro, os frequentadores contarão com um ambiente mais confortável e mais uma etapa terá sido finalmente concluída. Claudia Carvalho destaca, no entanto, que o trabalho não para: “É comum que instalações adequadas tragam maior confiabilidade à biblioteca e, geralmente, isso proporciona um ‘boom’ de doações. Isso significa que, no futuro, a biblioteca precisará ser expandida talvez com a transferência para um andar apenas para ela”.

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