Evento sobre drenagem traz à tona debate sobre o papel do poder público

O sistema de drenagem é o principal meio de escoamento de água da chuva. Sem um bom sistema de drenagem, as chuvas podem causar sérios danos à população. Alagamentos, enxurradas, aumento da transmissão de doenças e perdas materiais. O levantamento dos dispositivos de drenagem e escoamento das águas pluviais foi assunto do debate “Drenagem Urbana: fundamentos e um estudo sobre o Rio”, realizado pela Divisão Técnica de Transporte e Logística (DTRL) do Clube de Engenharia. O palestrante foi o engenheiro civil e professor do Instituto Militar de Engenharia (IME), Francisco José d' Almeida Diogo.

Segundo informou o professor do IME, as autoridades brasileiras não têm a verdadeira dimensão dos problemas causados pelas chuvas. “Dizemos que o Brasil é abençoado por não ter terremoto e vulcão, mas às vezes os danos das chuvas são até maiores”, afirmou. Além disso, Francisco Diogo frisou a deficiência dos investimentos na área de drenagem no Brasil. “Apenas 13% das verbas destinadas à prevenção de catástrofes relacionadas às chuvas foram utilizadas. Isso é decorrente da burocracia que exige projetos detalhados, mas não disponibiliza técnicos para os municípios fazerem os projetos”, afirmou.

Além dos prejuízos materiais e dos problemas que os alagamentos podem causar no dia a dia das pessoas, o grande destaque é a questão da segurança viária e rodoviária, inclusive porque obras desse tipo diminuem o risco de fenômenos como o da aquaplanagem, por exemplo. O professor mostrou, inclusive, as consequências de um projeto de drenagem deficiente com a ausência de manutenção.

Alguns quesitos são analisados para avaliar o tempo de recorrência de obras pequenas ou grandes. Segurança, vida útil, estimativa de custo de restauração e prejuízos, risco para vidas humanas e acidentes são alguns dos pontos a serem avaliados para decidir o tempo de manutenção e restauração das obras.

O palestrante relacionou técnicas de escoamento e obras de drenagem que visam controlar a energia e o fluxo da água, além de encaminhá-la para a direção correta e segura. Segundo informou, sem esse controle acontecem os alagamentos em vias públicas. Usando a hidrologia controla-se a vazão e a velocidade da água. A hidráulica constrói dispositivos para controlar e escoar essa água. No entanto, nada disso está presente no Plano Diretor da cidade do Rio de Janeiro. O plano para o manejo de águas começou a ser pensado em 2010. “Não temos nenhum planejamento para a área no Rio de Janeiro, de 2010 para cá só foi feito o levantamento de dados pela Rio-Águas, mas não há projeto e nem nada foi construído”, concluiu.

Para assistir a palestra completa, clique aqui.

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